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Clínica salva animais silvestres acidentados em Washington

22 de dezembro de 2013
3 min. de leitura
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Em uma jaula, uma tartaruga se recupera do ferimento em uma pata, ao lado de um esquilo órfão e de uma gaivota com a asa quebrada: em Washington, os animais selvagens feridos no meio urbano têm uma clínica para se recuperar antes de serem soltos.

“Chegou gelada e toda molhada”, contou Alicia DeMay em frente à jaula onde pula a pequena fêmea de esquilo, resgatada ainda filhote da árvore de onde tinha caído.

Esta ex-assistente de veterinário é a diretora da City Wildlife, a primeira clínica aberta em Washington, há um ano, dedicada a tratar de animais selvagens feridos ou abandonados no meio urbano, seja por um carro, uma queda ou a perda da mãe.

O centro de atenção, uma associação privada, tem capacidade para receber 1.500 animais por ano e em algumas épocas chegou a ter 300 ao mesmo tempo, contou DeMay.

Paradoxalmente, a capital dos Estados Unidos, onde estão os prédios da Casa Branca, do Congresso e do Banco Mundial, também está repleta de esquilos, cervos, aves de rapina, gambás e, inclusive, um ou outro urso em incursões periódicas.

A cidade de Washington “é cercada por um ecossistema de pântanos e várias trilhas florestais a cortam”. Por isso, abriga uma vasta população de animais selvagens, explicou Raymond Noll, um dos diretores da Washington Humane Society.

A filial local da maior associação americana de defesa animal patrulha as ruas dia e noite e responde gratuitamente aos chamados das pessoas que encontram animais em perigo.

Uma colega da equipe, Cindy Velásquez, acabava de sair de uma casa onde um esquilo, que entrou pela chaminé, ficou preso em um quarto.

Com as mãos protegidas com luvas, em dez minutos a jovem pegou o animal assustado, que logo será solto no jardim. “Ontem foi um morcego que tinha as asas congeladas coladas a uma parede” e, depois de libertado, conseguiu voar.

Quando o animal está machucado, ele é levado para a City Wildlife, a noroeste da cidade.

O edifício, distante da estrada e aberto diariamente, conta com enfermaria e incubadoras, uma farmácia, dois cômodos cheios de jaulas e uma sala para exames, onde os recém-chegados são colocados apenas por “30 minutos para eliminar o estresse” provocado por seu resgate, disse DeMay.

Em seguida, o animal é alimentado e recebe cuidados de dias a meses, antes de ser solto o mais próximo possível de seu habitat original.

O centro recebeu um filhote de beija-flor pouco maior do que uma moeda, que tinha sido atacado por um gato e “precisava ser alimentado a cada quinze minutos”, contou DeMay, acrescentando que o centro agora também tem uma águia-pescadora, uma grande ave de rapina.

Por volta de meados de dezembro, cerca de vinte animais recebiam cuidados: uma gaivota com a asa quebrada, um corvo atropelado por um carro, várias tartarugas com as patas ou o casco machucados e muitos esquilos órfãos.

Em uma jaula, dois gambás se amontoavam um sobre o outro. Eles chegaram à clínica ainda filhotes, pesando 60 gramas cada um. “Alguma coisa deve ter acontecido com a mãe”, disse a bióloga Abby Hehmeyer, uma das três empregadas do centro.

As jaulas costumam ficar cobertas com um tecido preto, recomenda-se falar o menos possível no cômodo e em voz baixa para evitar qualquer proximidade entre os humanos e estes animais selvagens, o que os prejudicaria quando fossem devolvidos ao seu hábitat, disse DeMay.

Em uma jaula, uma nota advertia: “Deve-se usar luvas. O esquilo que está doente ataca quando a porta é aberta”.

“Isto é muito bom, queremos que sejam ariscos”, continuou. E nada de colocar nomes nos bichos. “Estes são animais selvagens, não domésticos”, esclareceu.

Com informações de Terra.

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