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Nova espécie de macaco descoberta na Birmânia já é considerada ameaçada de extinção

27 de outubro de 2010
3 min. de leitura
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Novo macaco descoberto na Birmânia (Foto: Fauna & Flora International/Reuters)

Uma equipe internacional de primatólogos descobriu uma nova espécie de macaco no Norte da Birmânia. O animal, cujo nariz virado para cima o faz espirrar à chuva, já é considerado ameaçado por só existirem entre 260 e 330 indivíduos.

A descoberta, publicada na revista “American Journal of Primatology”, revela como o Rhinopithecus strykeri – no dialeto local é chamado “mey nowoah”, ou seja, “macaco com uma cara virada para cima” – tem as narinas viradas para cima, o que faz com que espirre quando chove.

Esta nova espécie foi encontrada no início deste ano por uma expedição realizada no âmbito do Programa de Conservação de Primatas na Birmânia, liderada pelo biólogo Ngwe Lwin, da Associação birmanesa de Conservação da Natureza e Biodiversidade e apoiada pela Fauna & Flora International e a Fundação People Resources and Biodiversity.

Thomas Geissmann, coordenador da descrição taxonômica da espécie e investigador da Universidade de Zurique-Irchel, descreve o macaco como tendo o pêlo quase totalmente preto e uma cauda relativamente longa, aproximadamente 140% do tamanho do seu corpo.

Apesar de a espécie ser nova para a ciência, as populações locais conhecem-no bem, e dizem que é muito fácil de encontrar quando está a chovendo porque os macacos espirram quando apanham água no nariz. Para evitar molharem as suas narinas, passam os dias chuvosos sentados com as cabeças protegidas entre as pernas.

Segundo as populações locais, os macacos passam os meses de verão, entre maio e outubro, a altitudes mais elevadas, nas florestas temperadas mistas. No inverno descem para mais perto das povoações quando a neve torna a procura de alimento mais difícil.

Distribuição limitada

Frank Momberg, coordenador da Fauna & Flora International para a Ásia-Pacífico, e que falou com os caçadores locais durante a expedição, é da opinião que a espécie tenha uma distribuição limitada à área do rio Maw. Acredita-se que a sua área de distribuição tenha 270km quadrados, com uma população aproximada de entre 260 e 330 indivíduos. Estes números justificam o estatuto de espécie Criticamente Ameaçada, atribuído pela União Mundial de Conservação (UICN).

Dado que esta nova espécie habita no Norte da Birmânia, no estado de Kachin, encontra-se isolada geograficamente das outras espécies semelhantes por duas grandes barreiras: os rios Meking e Salween. Os investigadores acreditam que é por esta razão que a espécie só agora foi encontrada.

“É absolutamente excepcional descobrir uma nova espécie de primata”, comentou Momberg à BBC. “Com este macaco, a Birmânia tem agora 15 espécies de primatas, o que sublinha a importância da conservação da biodiversidade na Birmânia”.

Os biólogos acreditam que a população de Rhinopithecus strykeri está sofrendo cada vez mais com a construção de estradas por companhias chinesas que começaram a chegar à região.

“O nosso compromisso é adotar medidas de conservação imediatas para salvaguardar a sobrevivência desta nova espécie, em colaboração com os nossos parceiros e comunidades locais da Birmânia”, declarou Mark Rose, diretor-executivo da Fauna & Flora International.

Fonte: Ecosfera

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