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Parque do Rio Doce em BH é aceito como área úmida internacional

23 de dezembro de 2009
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O Parque Estadual do Rio Doce foi aceito este mês na relação das áreas úmidas internacionais, ambientes considerados um dos mais importantes para a conservação da diversidade biológica. A unidade de conservação administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), localizada na região do Vale do Aço de Minas Gerais, será a primeira área do Estado e nona localizada no Brasil a fazer parte da Lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional, a Lista Ramsar. O reconhecimento oficial está previsto para fevereiro de 2010, quando será realizada a cerimônia de designação do sítio.

São consideradas zonas úmidas, áreas de pântanos e corpos de água, naturais ou artificiais, permanentes ou temporários. Os termos da convenção foram definidos em 1971, na cidade iraniana de Ramsar e, inicialmente, visavam à conservação de zonas úmidas e de aves aquáticas. Com o decorrer do tempo, a área total passou a ser observada como um sistema de apoio à vida para a biodiversidade.

Os países que aderem à Convenção de Ramsar participam de um processo destinado a identificar os sítios em seus territórios com o objetivo de prestar especial atenção a sua conservação e a seu uso sustentável. São signatários da convenção 158 países, cuja lista inclui 1.757 Sítios Ramsar, num total de aproximadamente 161 milhões de hectares.

O gerente do Parque Estadual do Rio Doce, Marcus Vinícius de Freitas, observa que o reconhecimento como Sítio Ramsar é uma chancela à importância da unidade para a conservação da biodiversidade da região. “O parque está inserido em uma região que se configura como o terceiro maior ecossistema lacustre do Brasil, perdendo apenas para o Pantanal e a Amazônia”, afirma. Freitas informa que a medida garantirá uma divulgação internacional para o parque que será importante para atrair pesquisas e investimentos.

A região possui 40 lagoas naturais, com destaque para a Lagoa Dom Helvécio, com 6,7 km2 e profundidade de até 32,5 metros. As lagoas abrigam uma grande diversidade de peixes, que servem de importante instrumento para estudos e pesquisas da fauna aquática nativa. A Mata Atlântica que domina a unidade é morada de espécies da avifauna como o chauá, jacu-açu, saíra e animais ameaçados de extinção como a onça-pintada e o monocarvoeiro, maior primata das Américas.

A diretora de Áreas Protegidas do IEF, Nádia da Silva Araújo, observa que mesmo sendo uma unidade de conservação criada por Decreto Estadual a inclusão na lista dos Sítios Ramsar é um reconhecimento pelos organismos internacionais e do governo federal da importância do parque. “A proposta para inclusão do parque foi defendida pelo Ministério do Meio Ambiente junto ao secretariado da Convenção Ramsar”, explica. Nádia lembra, ainda, que o parque, por abrigar a maior área de Mata Atlântica de Minas, é considerado Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O Brasil é considerado o quarto país do mundo em superfície na Lista Ramsar. Possui oito zonas úmidas consideradas Sítios de Importância Internacional, o que equivale a cerca de 6,5 milhões de hectares. Além do Parque Estadual do Rio Doce, a Reserva de Desenvolvimento Sustentado Mamirauá (AM), a Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense (MA), o Parque Nacional da Lagoa do Peixe (RS), a Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses (MA), Parque Estadual Marinho do Parcel de Manuel Luiz (MA), a Ilha do Bananal, no Parque Nacional do Araguaia (TO), o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense (MT) e a Reserva Particular do Patrimônio Natural do Sesc Pantanal.

Fonte: ABN

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