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Aposentado pretende casar com cabra em Jundiaí (SP)

7 de setembro de 2013
4 min. de leitura
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Por Vinicius Siqueira (da Redação)

Foto: Elcio Alves/AAN
Foto: Elcio Alves/AAN

Um casamento entre um aposentado e uma cabra será realizado no dia 13 de outubro, em Jundiaí, interior de São Paulo.

Para completar o clima estranho conferido ao acontecimento, o casamento será celebrado na Igreja do Diabo, comandada por Toninho do Diabo. As informações são do London Evening Standard e do Correio Popular.

O aposentado Aparecido Castaldo, que tem oito filhos e é viúvo há mais de 15 anos, relata que há dois anos está apaixonado pela cabra e deseja oficializar a união.

“Ela é muito melhor que mulher porque só come capim, não faz compras no shopping e não fica grávida”, afirma Castaldo, justificando seu desejo e reproduzindo estereótipos de gênero e de espécie, ao classificar a mulher enquanto um objeto consumista e um instrumento sexual (afinal, ficar grávida seria um dos impedimentos à rotina sexual exigida pelo homem), e ao indicar a funcionalidade de se ter como parceira, um animal indefeso.

Apesar de sugerir que a disponibilidade sexual da cabra seja um dos pontos positivos em relação à mulher, ele nega que queira consumar o casamento e ameaça que em caso de traição, basta colocar a cabra no forno e servi-la no jantar. “Já avisei pra ela que não quero ela metida com nenhum bode por aí”, disse Castaldo.

As características positivas do animal em relação à mulher, além de mostrarem um pouco do machismo arraigado e incessantemente denunciado em nossa sociedade, também expressam de maneira tácita um pouco do tratamento que a própria humanidade reserva aos animais, os qualificando como mercadorias para serem abusados, ferramentas para serem utilizadas até que a vontade cesse. É só classificando o animal como um objeto sem vontade própria, sem interesses próprios e, desta forma, retirando sua liberdade, que é possível conceber um casamento com uma cabra.

Pela proposta ter sido recusada em todas as igrejas da região, a única alternativa de Castaldo foi realizar o casamento na Igreja do Diabo, o que, de um jeito macabro, faz a situação parecer menos séria. Para Toninho do Diabo, bispo da igreja, essa é uma oportunidade de conseguir um pouco da atenção que há anos não recebe: “Já convidamos até como padrinhos a Sabrina Sato e Bola, integrantes do programa Pânico na Band”, disse.

Apoiando a decisão do pai, os sete filhos de Aparecido vão à cerimônia que acontecerá a meia-noite, seguida por uma festa no dia seguinte, o Dia das Almas, sugerido por Toninho do Diabo, que diz não ter nenhum tipo de preconceito e exatamente por isso aceita a cerimônia em sua igreja.

É interessante pontuar que o amor sentido pela cabra, que pode parecer um amor horizontal e humano, na prática, se mostra como uma relação perversa. Um amor pelo objeto de desejo que pode ser abusado sem ter meios para se defender. Que pode ser (literalmente) assado, caso fuja das perspectivas do amante dominador, mais forte e provido de poder e controle considerados legítimos, pois a cabra é tida como sua propriedade (uma parceira pode ser uma propriedade?). A relação de amor que qualquer animal não-humano precisa é a mesma que humanos tem como ideal: uma relação que se funda no respeito ao outro, no respeito à sua diferença, na atenção às suas necessidades e no respeito aos seus interesses mais fundamentais, como a liberdade e a preservação de si.

Nota da redação: Ao se referir à impossibilidade da cabra ficar grávida, há uma sugestão de que há ou haverá a prática de relações sexuais com o animal, por mais que a consumação seja negada. Havendo práticas sexuais ou não com a cabra, é necessário entender que qualquer relação deste tipo é zoofilia. É uma violação do corpo do animal e nenhum tipo de violação pode ser considerado legítimo. Cabe então à imprensa tratar o assunto com a seriedade que ele merece. Não se trata de um acontecimento curioso ou cômico, mas sim de uma violação à integridade do animal, do desrespeito máximo ao valor moral intrínseco que qualquer animal, humano ou não-humano, carregam em si.  A respeito do casamento com animais, é importante ressaltar que em outros países, como a Índia, a cerimônia é feita de maneira simbólica. Não há consumação e o casamento acontece para a proteção espiritual do humano, somente. O que faz com que um ato qualquer seja entendido como exploração é o desrespeito à integridade moral e física do animal, independente de ser feito como um ritual religioso ou não. É isto que deve ser levado em consideração.

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