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Show de horror e crueldade

Ursos e cães são obrigados a duelar no Paquistão

10 de março de 2011 às 6:00

Por Camila Arvoredo  (da Redação)

Cão ataca urso indefeso durante duelo (Foto: France24/WSPA)

Os grandes proprietários das províncias paquistanesas do Punjab e do Sindh se divertem de uma maneira bastante particular e sanguinolenta: o combate de ursos. As regras são tão simples quanto cruéis: dois cães de combate bem-treinados são liberados numa arena, onde está localizado um urso cativo, cujas garras e dentes foram neutralizados. Os cães são declarados vencedores se eles conseguem colocar o urso no chão.

O combate de ursos foi introduzido na Ásia do Sul pelos colonos ingleses no século XVIII. Ele foi progressivamente abandonado em todos os países da região, salvo o Paquistão, onde os combates são sempre organizados pelos grandes proprietários de terra, durante os períodos de festa, para divertir a população. Os ursos são capturados por traficantes e depois domados por seus proprietários nômades.

Cada combate dura ao redor de três minutos. Os ursos sempre saem feridos, mas os combates raramente causam a morte do animal. Certos ursos são enviados para a arena até dez vezes por dia.

Apesar do combate dos ursos ser proibido no Paquistão desde a votação de uma lei de prevenção contra a crueldade aos animais, em 1980, as regiões tribais mais afastadas continuam a organizar os combates.

As associações de proteção aos animais, como a “Sociedade Mundial para a Proteção dos Animais” (WSPA), em inglês, trabalharam com as autoridades paquistanesas para tentar pôr fim a esta prática. Segundo a WSPA, as campanhas de sensibilização e de repressão dos combates de ursos permitiram que 80% dos torneios previstos desde 2001 fossem impedidos e que 40 ursos fossem salvos. Segundo a WSPA, haveria, entretanto, ao redor de 70 ursos prisioneiros que combateriam no Paquistão.

Em 2000, um santuário foi criado no vilarejo de Kund, próximo da cidade de Peshawar, para acolher os ursos de combate, liberados de seus carrascos. Todavia, no verão de 2010, as inundações afogaram 20 dos 23 ursos que ali estavam abrigados. Os três sobreviventes foram realocados em um novo abrigo, no norte de Punjab.

“Eles utilizam os textos islâmicos, que condenam a crueldade contra os animais, para convencer os proprietários”.

O Dr. Fakhar-I-Abbas é diretor do “Centro de Pesquisas em Recursos Biológicos (BRC)”, uma ONG, membro da WSPA. Ele milita pela abolição do combate de ursos em seu país.

Os grandes proprietários de terra são extremamente influentes em certas zonas rurais do Paquistão. Seus objetivos são primeiramente, atrair pessoas para as feiras do vilarejo, organizadas em suas terras. Isso gera um comércio forte na região. Os proprietários também gostam de mostrar que estão acima da lei, desafiando o governo e atuando contra as proibições. É uma maneira de ganhar no braço de ferro, politicamente falando.

Nós lançamos três tipos de ações para erradicar os combates. Primeiramente, nós tentamos convencer os proprietários diretamente. Nós descrevemos as condições dramáticas em que vivem os ursos e os riscos que estes combates trazem para os animais, que saem mutilados e traumatizadas. Muitos são receptivos. Nos últimos dez anos, mais de 80% dos proprietários que conversamos aceitaram parar com a organização destes combates.

Em seguida, nós visitamos as mesquitas da região, onde os combates se praticam, e discutimos com os “Imams”. Nós utilizamos os textos islâmicos, que condenam a crueldade contra os animais e nós pedimos que eles denunciem estas práticas nas preces de sexta-feira. O objetivo é que o público perceba que estas práticas são contra a sua própria religião.

Por fim, nós temos representantes nos vilarejos, que nos alertam quando um combate de ursos é organizado, a fim que possamos prevenir as autoridades. Esta organização permitiu que organizássemos diversas blitz eficazes nos últimos anos. Entretanto, em certas zonas, os proprietários de terra são tão poderosos que eles controlam toda a cadeia que põem em prática a lei. E, nestes casos, uma intervenção policial é impossível.

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