Massacre e sofrimento em cativeiro

Terror: Tropas israelenses atiram e matam dezenas de animais em zoo de Gaza

O Zoológico de Gaza cheira à morte, mas o zelador do local, Emad Jameel Qasim, não parece se importar enquanto caminha por entre os animais mortos. Ele aponta para um buraco em um camelo. “Esta fêmea de camelo estava grávida quando um míssil a atingiu nas costas. Olhe para a cara de sofrimento dela quando morreu”, disse ao jornal Gulf News. Por onde quer que se vá, dentro de todas as jaulas existem animais mortos deixados ali desde os últimos ataques de Israel. Qasim não entende por que escolheram destruir o zoológico. E não é difícil discordar dele, pois a maioria dos animais foi baleada à queima-roupa. “A primeira coisa que os israelenses fizeram foi atirar nos leões. Os animais correram para fora da jaula e tentaram se esconder no escritório.” Hoje, dois leões estão de volta à suas jaulas. A fêmea está grávida e fica deitada no chão, balançando o rabo. Qasim fica muito perto deles, que parecem não se incomodar com a presença do zelador. Enquanto circula pelo zoológico, Qasim fica chocado com estado dos poucos animais que sobreviveram, fracos e perturbados.
Faltou falar! – Paula Schuwenck

Sobre a realidade em Bolt – Supercão

Como mãe e apaixonada por cinema, sou uma grande consumidora de filmes e animações infantis. Assisto por prazer, confesso. Mas sempre me preocupo se a mensagem, aquela famosa “liçãozinha” de moral, foi passada de verdade. Assisti Bolt – Supercão no último final de semana. A animação é muito bem feita, com personagens engraçadíssimos e um roteiro, embora presumível, bem amarrado para as crianças. Mas, pela ótica dos direitos dos animais, me pergunto se alguém dentro do cinema lembrou-se daqueles que passam por situações parecidas na vida real.
Tao do bicho – Paula Brügger

Por que somos contra os “modelos animais”

Além de injustificável sob o ponto de vista ético – uma vez que submete seres sencientes ao sofrimento físico e psicológico – a vivissecção é uma prática que falha em pelo menos um critério fundamental para que seja considerada verdadeiramente científica: predictabilidade. No que diz respeito a medicamentos, por exemplo, apesar da enorme quantidade de cobaias mortas para supostamente assegurar a eficácia e testar os efeitos colaterais de novas drogas, apenas 1% dos novos medicamentos testados em laboratórios vai para o estágio clínico. Dos que chegam ao mercado, muitos apresentam efeitos colaterais e riscos não previstos.
Sérgio Greif

Células-tronco e o direito de quem não nasceu

Foi divulgado nesta semana que um hospital escocês iniciará testes com células-tronco de fetos abortados, para tratar pacientes de derrame. O derrame é uma doença terrível e incapacitante, que apenas em um terço dos casos pode ser tratada com fisioterapia. A ideia é retirar as células-tronco de fetos abortados, multiplicá-las e injetar no cérebro de pessoas que sofrem derrames. As células-tronco têm capacidade de se transformar em células diferenciadas, inclusive células neurais, reconstituindo o tecido danificado.
Renata Martins

Cassemos a caça! – parte 1

No último dia 16 de janeiro um leitor expressou sua opinião no jornal Folha de S. Paulo, em artigo em que faz defesa da atividade de caça, no qual alega em suma que esta, quando bem regulamentada, traz benefícios para as economias, populações envolvidas e meio ambiente e que é essencial que se saiba diferenciar a caça ilegal da legal. Pois bem, para que possamos propiciar um contraponto a tais assertivas, mister que breves classificações e conceituações em relação à caça sejam feitas.
Palavra animal –Nina Rosa Jacob

Nossas irmãs fluídas, as águas

Todos sabemos da importância da água para a vida no planeta; sabemos também que a água potável está se tornando escassa; mas será que a valorizamos verdadeiramente? Além de precisarmos dela para matar a sede e para cozinhar, ela faz todo o trabalho de limpeza física e energética em nossa vida, lavando tudo que está sujo. Não somos nós que lavamos, pois, sem ela, de nada adiantaria ficarmos diante da pia, do tanque ou do chuveiro. Mesmo assim, a percepção da limpeza que ela nos proporciona em geral só acontece quando ela nos falta.
Educação e desenvolvimento – Henri Kobata

Ainda somos ETs

A situação é velha, mas sempre se repete. Um amigo meu me perguntou como consigo viver só me alimentando de saladas. Como milhões de pessoas pensam, ele imaginava que todos nós que não consumimos carnes vivemos apenas de saladinhas e que, provavelmente, com o tempo, nos tornaríamos esqueléticos, perderíamos o prazer de comer, viraríamos pessoas mal-humoradas, sem charme e, possivelmente, verdes como os extraterrestres dos filmes de décadas atrás. É interessante o que passa no imaginário das pessoas.
Questão de Ética - Sônia T. Felipe

Os limites da ética senciocêntrica

Considerando-se o argumento elaborado pela ética utilitarista na versão de Peter Singer, o critério para definir os seres dignos de consideração moral é o da senciência. O princípio da igualdade moral tem sido uma espécie de rede na qual são recolhidos os seres em relação aos quais agentes morais reconhecem deveres negativos (abstenção de ações maléficas) e positivos (ações benéficas). Mas, segundo a ética tradicional, apenas os seres dotados de racionalidade podem ser considerados sujeitos de direitos morais.
Vanguarda abolicionista – Marcio de Almeida Bueno

Terceira Lei de Newton ou “Ai, que ódio desses veg!”

A reação àqueles que assumiram sua posição pró-animais é um fenômeno que, no mínimo, desenha o contorno do medo que essas ideias estão causando. Enquanto aqui no Brasil a coisa se limita ao virtual – geralmente perfis falsos de gente posando de pitbull raivoso ou filósofo no Orkut –, no exterior as dimensões estão começando a beirar a paranoia. Nos Estados Unidos, leis antiterrorismo estão sendo habilmente utilizadas para barrar o ímpeto de muitos ativistas, induzindo o cidadão médio a pensar que todo vegano é um potencial criminoso, capaz de montar um artefato explosivo na casa de pesquisadores que estão encontrando a cura do câncer infantil etc.
Direitos animais – Bruno Müller

Limites éticos e práticos dos discursos transversais na defesa do veganismo

Uma vez um onívoro me perguntou: “Se sua vontade é divulgar o vegetarianismo e fazer das pessoas vegetarianas, por que você não usa como argumentos, para convencê-las, questões que interessam a elas, como a saúde ou o meio ambiente? Afinal, as pessoas são egoístas e não vão mudar apenas por respeito aos animais”. O texto de hoje é uma resposta a essa pergunta.