Vanguarda abolicionista – Marcio de Almeida Bueno

A Farra do Boi

Terminado o Carnaval, época essa em que parece que pular e suar faz o brasileiro mais brasileiro – e que a concessão da Rede Globo parece orquestrar um pouco mais a vida das pessoas –, começa o temor/tremor pelo período da Farra do Boi, especialmente no litoral de Santa Catarina, culminando em uma data chamada de, vejam só, 'Sexta-feira Santa'. Segundo os caras-de-pau que ainda defendem publicamente essa prática, é apenas uma tradição – palavra bastante elástica, que abrange muita coisa.
Direitos animais – Bruno Müller

Libertação em Movimento – Parte 1

Hoje gostaria de falar sobre outro aspecto das críticas dos defensores da exploração animal: a suposta impossibilidade de se alcançar a abolição da exploração animal, o irrealismo e o ridículo de nossos objetivos. Geralmente esse raciocínio se desdobra nos seguintes argumentos: 1. A imensa maioria das pessoas não está disposta a se tornar vegana; 2. O que nós fazemos não passa de ilusão – nunca poderemos alcançar um estágio de abolição porque simplesmente é 'impossível' acabar com a exploração animal: ela está em todos os lugares; 3. Sendo impossível, inviável e utópico alcançar a abolição, o mais lógico, o mais prático e mais 'coerente' (na visão deles) para os defensores dos animais seria defender medidas de bem-estar: prover conforto e saúde, administrar anestésicos, abater 'humanitariamente' etc.
Educação e desenvolvimento – Henri Kobata

A ausência da felicidade

Um dia desses, em uma palestra para educadores, eu dizia que não podíamos esquecer nunca que os educandos estavam lá na sala de aula à procura da felicidade. E que nós, educadores, também. Que esse era o ponto de convergência das pessoas nas escolas, nos clubes, nas empresas e em todos os lugares. Em uma certa altura, uma professora levantou o braço e comentou em tom impaciente que, segundo a experiência dela de mais de 30 anos na educação, o que importava dentro de uma sala de aula era a metodologia eficiente para transmitir os conhecimentos aos alunos, para que eles se tornassem bons profissionais no futuro. E que a felicidade de cada um deles não era responsabilidade do professor.
Questão de Ética - Sônia T. Felipe

Deveres instituem direitos?

Da perspectiva ética, reconhecer um dever quer dizer compreender que há limites negativos (não fazer mal) e positivos (fazer o bem) que precisam ser colocados à própria liberdade de ação. Nesse reconhecimento não há necessariamente qualquer força coercitiva influenciando o raciocínio do agente moral. Quando esse agente reconhece um dever somente depois de saber que sofrerá algum tipo de represália caso não se componha dentro dos limites negativos e positivos ao agir, então o que ele reconhece não é propriamente seu dever, mas uma obrigação. No senso comum, usamos esses dois termos de qualquer jeito. Mas, no sentido ético propagado sob a influência de Kant, o dever é um reconhecimento subjetivo das razões que nos impõe a razão para que não pensemos em agir de qualquer modo, quando nossa ação tem uma natureza moral.
Vanguarda abolicionista – Marcio de Almeida Bueno

Os executivos movidos a Tico e Teco – parte 2

“Na primavera de 1999, (...) quando uma carga um tanto estranha chegou ao aeroporto Schipol, em Amsterdã, (...) funcionários da KLM Royal Dutch Airline não tinham a mínima ideia do que fazer com o carregamento, que viera de Pequim: 400 esquilos vivos, mas sem documentação que provasse que estavam livres de doenças. O que fazer? Enviá-los de volta? Colocá-los em quarentena? Chamar serviços sociais locais para aconselhá-los? Nada disso. A solução da KLM: enfiar os adoráveis comedores de nozes em uma retalhadora gigante”.
Olhar literário – Laerte Fernando Levai

O padre e os jericos

Padre Antonio Vieira, homônimo do célebre orador e jesuíta português do século XVII, nasceu no Ceará em 1919 e ali faleceu, há cinco anos, deixando como principal legado um livro que se tornou clássico, “O Jumento, Nosso Irmão”, publicado pela Livraria Freitas Bastos em 1964. Esta obra é um hino de amor aos jericos, vítimas das injúrias, dos preconceitos e da injustiça humana.
Sérgio Greif

Xenotransplantes

Pesquisadores de Munique (Alemanha) divulgaram na revista Transplantation haverem criado porcos geneticamente modificados. Esses porcos poderiam, em um futuro não muito longínquo, produzir órgãos que gerariam menos rejeição ao serem transplantados para seres humanos. Essa técnica de transplante de órgãos de uma espécie para outra é conhecida como xenotransplante (em oposição ao alotransplante, ou transplante de órgãos entre animais da mesma espécie). Ela tem como alegado benefício permitir a redução nas filas de espera de transplante de órgãos, uma vez que a procura tem sido maior do que a oferta. Até o momento, todos os pacientes que receberam xenotransplantes morreram em curto espaço de tempo, especialmente porque os mecanismos de defesa imunológica do organismo receptor tendem a destruir o órgão transplantado, reconhecendo-o como um corpo invasor. Mas será que todo o problema relacionado com os xenotransplantes limita-se à reação imunológica do organismo receptor?
Nutrição vegetariana – George Guimarães

Comendo com vegetarianos – Parte I

Se você tem um amigo ou companheiro que é vegetariano ou opta por reduzir o consumo de carnes, ou ainda se você próprio é vegetariano, você poderá encontrar utilidade em algumas dicas de como escolher um restaurante quando for comer fora.
Direitos animais – Bruno Müller

Alianças e estratégias: equívocos presentes, caminhos futuros

Este mês de fevereiro completam-se dois anos que me tornei ativista pelos direitos animais. Desde que aderi ao movimento tenho insistido na necessidade de os ativistas veganos abandonarem o espontaneísmo e adotarem uma postura mais responsável do ponto de vista profissional e intelectual. Não é porque o ativismo é voluntário que ele pode ser feito com desleixo. Não é porque você tem convicção das suas ideias que não tem o dever de desenvolvê-las filosoficamente para credenciar-se para o debate. Isto é, se queremos realmente que nossas ações em prol dos direitos animais tenham impacto na sociedade, seja na escala micro, das relações pessoais, seja na escala macro, de interferir nos processos de exploração animal.
Cidadania – Rosana Gnipper e Andresa Jacobs

Espécies exóticas “invasoras”: em defesa da vida dos javalis no Paraná – parte 2

Enquanto a sociedade civil organizada não tem acesso à conclusão dos estudos sobre a população de javalis/javaporcos habitando a região do Parque Estadual de Vila Velha (PEVV), município de Ponta Grossa, estado do Paraná, que tem sido alvo do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), nos voltamos ao amparo legal.