Faltou falar! – Paula Schuwenck

A vez dos cangurus

Eu fiquei perplexa ao ler uma matéria na Folha de S. Paulo, cujo título diz: “Pesquisadores recomendam carne de canguru para combate ao aquecimento na Austrália”. O primeiro ponto a ser destacado é a absurda ignorância desses pesquisadores ao acharem que soluções locais resolverão um problema global. Não é necessário ser phD para compreender que o aquecimento global não ocorre apenas na Austrália. Em vez de focarmos nossos esforços para as soluções pertinentes ao aquecimento global, que realmente sejam concretas e cabíveis, há quem sugira trocar o animal para abate. Simples assim. Não coma mais boi, agora coma canguru. Se você é vegetariano, vai ficar espantado. Se não é, talvez salive ao saber que a carne de canguru é “light” e esse será o principal argumento para as massivas campanhas a favor do consumo.
Eu sou animal – Dagomir Marquezi

Pior que um animal

Chegou ao fim uma das mais ofensivas novelas de todos os tempos – pelo menos no que se refere aos animais. Foi a novela em que o herói diz na cara da vilã: “Você não é humana. Você é um animal. Aliás é pior que um animal!”. O que é ser “pior que um animal”? Um animal é sinônimo do quê? De coisa ruim, negativa, condenável. Os personagens se xingam de “cachorro”, “bicho”, “anta”, “cobra”, “toupeira”, “rato” etc. O curioso é que estamos em plena tirania do “politicamente correto”. Hoje está praticamente proibido dizer até que uma nuvem é negra – pois isso implica uma visão “racista”.
Viviane Pereira

Pescadores de cachorro

Aos que ainda acreditam que peixe não sente dor e por isso com eles podemos fazer de tudo, existem diversos materiais disponíveis demonstrando o contrário. Só para citar um deles, um resultado de pesquisa publicado em 2003 por cientistas britânicos apontava a primeira evidência conclusiva da dor que os peixes sentem, tendo encontrado áreas na cabeça das trutas que responderam a estímulos destrutivos, além de reações a substâncias nocivas.
Renata Martins

Aspectos jurídicos da utilização do cerol em linhas de pipas

Meses de férias e com ventos fortes: eis o panorama propício para vermos disseminadas pelos céus de todo o país as coloridas pipas (papagaios, quadrados, pandorgas ou como preferirem!). Falando-se dessa maneira até tenho uma tendência à nostalgia, lembrando-me quando crianças eram inocentes e se divertiam com esse colorido nos céus, andavam descalças e respeitavam os adultos. Mas, deixando de lado o romantismo de outrora, hoje em dia sabemos que empinar pipa não é mais uma brincadeira de criança.
Tao do bicho – Paula Brügger

Todos querem ser livres

No artigo anterior discorri um pouco sobre a privação da liberdade daqueles que nasceram com asas para voar. Mas não só os pássaros anseiam pela liberdade, é claro. Todos os animais, humanos ou não, querem ser livres: cães acorrentados; cavalos atrelados a carroças, ou aprisionados em baias; felinos enjaulados; suínos, aves, mamíferos, como bezerrinhos, encarcerados em cercados minúsculos... Trabalhos de diversos etólogos – que estudaram diferentes animais nas mais variadas situações de privação da liberdade, desde a parcial, até a total – evidenciaram o sofrimento que lhes é provocado não apenas no plano físico, mas também psicológico. E o pior deles – o mais sutil, porque mais “invisível” – talvez seja o dano decorrente da monotonia, uma consequência inevitável de todo e qualquer tipo de confinamento. Os animais não-humanos, assim como nós, procuram a diversidade de sons, sabores, cores, ambientes e atividades.
Sérgio Greif

Operação em seres humanos virtuais

Imagine que um paciente necessite de uma operação coronária urgente. Ele passa por exames e, na uma hora em que aguarda os resultados, cirurgiões realizam simulações para determinar a melhor forma de operá-lo. Eles pesquisarão diferentes cenários cirúrgicos em ambiente de realidade virtual, de modo a tentar prever de que forma obterão melhores resultados no paciente. Com isso determinarão, por exemplo, em que local uma estimulação cardíaca seria mais efetiva naquele paciente, ou em que local a inserção de um tubo surtiria efeitos mais positivos para melhorar o fluxo de vasos bloqueados. Realizando tal simulação evita-se que o paciente seja submetido a tentativas e erros. Os procedimentos serão mais rápidos, mais efetivos e menos traumáticos.
Educação e desenvolvimento – Henri Kobata

As vidas e a alimentação na travessia da crise

Os impactos da crise econômica no aspecto comportamental da sociedade constituem um assunto que deveria merecer estudos cuidadosos e urgentes dos educadores, pois, além de recuar naturalmente no consumo, as pessoas estarão mais abertas a pensar sobre as suas relações no âmbito global da vida. A relação com as vidas da natureza e a alimentação são dois pontos essenciais nesse momento. Em primeiro lugar, a relação com as vidas, porque não se sobrevive a nenhuma crise dessas proporções sem espírito de solidariedade e sem sentimento de responsabilidade e generosidade em relação às vidas mais frágeis, como as de crianças e de animais.
Direitos animais – Bruno Müller

Conversando sobre Direitos Animais

O maior propósito de ler, escrever e debater textos sobre direitos animais é aprimorar nossa capacidade de responder ao ceticismo alheio. Ter a resposta certa pode muitas vezes representar a diferença entre ter um amigo a fazer piadas constantemente, conquistar o seu respeito ou, em última instância, conquistar um aliado na sua causa. Por isso é sempre importante ter uma compilação dos questionamentos mais recorrentes em relação aos direitos animais para saber o que responder quando aquele coringa for sacado da manga de um onívoro. Quem é vegetariano sabe que essas questões não são muitas – apenas varia a sua construção.
Crônica

Eu sou George, muito prazer!

Esta voz grave e rouca que você ouve não é resultado de um fumante inveterado, não. Nunca fumei na minha minha vida e olhe que ela é longa, viu?! Sabe qual minha idade? Não arrisca um palpite? Se arriscar vai errar, já aviso. Eu tenho 140 anos. Boquiaberto, hein?! Pois é, meu amigo, 140 anos nestas costas duras que a vida me deu. Se é fácil? Hum... Fácil, fácil não é... Mas é bom. É bom viver. É bom acordar, abrir os olhos e perceber que está tudo bem, tudo em ordem e que terei mais um dia. Aos 140 anos você já não pensa em anos e nem faz planos a médio ou longo prazo, entende? Aos 140 anos você pensa em horas e ter um dia pela frente pode ser uma aventura!
Questão de Ética - Sônia T. Felipe

Ética e reciprocidade

Humanos são seres capazes de projetar suas ações segundo parâmetros éticos. Isso significa que eles podem buscar justificar o que fazem de acordo com algum princípio considerado válido para fundamentar as ações de qualquer agente moral. O curioso é que nem sempre conseguimos entender de onde vem a ideia de que devemos tomar cuidado quando agimos, porque nenhuma ação nossa é gratuita ou inocente. Agir implica mover, desencadear, produzir algo novo ('Hannah Arendt, A condição humana').