Educação e desenvolvimento – Henri Kobata

A dor de Marcos

Numa manhã de sábado, Marcos contou para o grupo que queria dedicar a sua vida para os animais e para a natureza. Falamos sobre isso. O mundo da dor pessoal abria-se para o reconhecimento da dor de uma outra vida e estava se transformando em motivo do seu viver, em uma vontade atemporal. Que dias foram aqueles! As preocupações com a vida dos animais estavam em tudo o que Marcos escrevia, falava e pensava. A responsável pelo projeto passou a aproximá-lo de veterinários, promoveu visitas onde existiam bichos, com as vidas com as quais ele se preocupava. Tempos depois, ela conseguiu que Marcos aprendesse a dar banhos em animais e empregá-lo em um pet shop.
Beleza sem crueldade – Christiane Buarque

A “química” da vida

Num dado momento da nossa história, começamos a importar hábitos. Passamos a usar farinha mais branca, pães mais macios, desviamos o olhar para vegetais maiores... Essas atitudes conferiam certo status... Tudo isso trouxe também a necessidade de melhorar a performance do solo, e uma grande quantidade de veneno passou a ser utilizada. A oferta aumentou, mas a aparente beleza e tamanho passaram, em muitos casos, a esconder uma qualidade inferior. Uma grande parte dos venenos utilizados ficam nos frutos e folhas.
Questão de Ética - Sônia T. Felipe

Somatofobia

Do grego, somatofobia quer dizer horror ao corpo do outro. A violência geralmente está carregada de somatofobia, pois o alvo do ato de destruição escolhido pelo agressor é o corpo do outro. Na tradição filosófica o corpo foi sempre alvo de considerações degradantes. Enquanto o espírito foi sempre louvado e elevado ao pedestal da mais refinada qualidade humana, o corpo justamente ficou no plano da animalidade, daquilo que evidencia a origem da forma na qual a vida em nós se expressou. Temos um design animal, uma anatomia e fisiologia animal, um psiquismo animal e uma racionalidade que só se configura através da dolorosa empreitada de impor limites contínuos àquilo que em nós é força vital material.
Bichos – Martha Follain

Aromaterapia para uso em animais – parte 2

Além dos óleos voláteis obtidos de plantas (fitogênicos), produtos sintéticos são encontrados no mercado. Na Aromaterapia somente os naturais são usados. Existe uma diferença marcante na composição química dos óleos naturais e dos sintéticos, o que impede seu emprego quando se trata de doenças físicas, pois o uso pode, além de não resolver o problema, ocasionar sérias intoxicações; impede seu emprego na psicoaromaterapia, pois o produto sintético não carrega consigo a essência vital da planta; impede seu uso energeticamente, pois, através dos óleos essenciais, os efeitos energéticos se dão não só pelo seu aroma, mas também pela frequência vibracional e memória que eles carregam.
Bichos – Martha Follain

Aromaterapia para uso em animais – parte 1

O exercício da “arte” de tratar animais começa com o processo de domesticação dos lobos, pelo homem primitivo. O mais antigo registro documental de que se tem notícia data do século XVIII a.C. – é o “Papyrus Veterinarius de Kahoun” (egípcio), que fazia referência à medicina animal. Indicava técnicas de diagnóstico, sintomas e tratamento de várias espécies animais, com plantas e ervas. O tratamento por meio dos cheiros é muito antigo. Na pré-história, hominídeos já queimavam madeira e folhas, para agradar os deuses com aromas. Na América pré-hispânica, todas as culturas existentes deixaram testemunhos do uso de plantas aromáticas com fins curativos e rituais.
Desobediência Vegana – Ellen Augusta Valer de Freitas

Por que ninguém percebe a exploração – Parte 2

O condicionamento social e a organização de nossos neurônios, que acabam fazendo ligações fortes durante a vida, é que moldam nossos comportamentos mais básicos. Dessa maneira, embora tenhamos aptidão para mudanças e adaptações, alguns hábitos são extremamente difíceis de mudar.
Desobediência Vegana – Ellen Augusta Valer de Freitas

Por que ninguém percebe a exploração – Parte 1

Às vezes nos esquecemos de que todos nós, um dia, começamos como uma célula. E, a partir deste momento, as mudanças foram ocorrendo, as organizações internas do organismo foram se desenrolando em milhares de processos antigos, mas novos ao mesmo tempo para formar o que hoje podemos chamar de uma pessoa, uma árvore, um peixe.
Direitos animais – Bruno Müller

Um vegano deve usar remédios?

Todos sabemos que o princípio básico do veganismo é o boicote aos frutos da exploração animal. Também sabemos que todos os medicamentos disponibilizados no nosso país são testados em animais. Veganos, aspirantes a veganos e onívoros, portanto, fatalmente colocam esta pergunta, com objetivos diferentes: um vegano deve usar remédios? Veganos e aspirantes muitas vezes as colocam por se sentir diante de um dilema moral. Onívoros, com o objetivo de apontar outro tipo de dilema: entre a hipocrisia do vegano que se permite usar medicamentos e o radicalismo suicida daquele que se recusa a fazê-lo.
Tao do bicho – Paula Brügger

A farra do boi é uma vaca sagrada? Uma reflexão iniciada na UFSC

A 'farra do boi' é uma prática especista, covarde e violenta, que inflige sofrimento físico e psicológico a seres sencientes, isto é, aqueles capazes de experimentar emoções e ter sentimentos como raiva, alegria ou medo, por exemplo. Embora proibida por meio de Recurso Extraordinário, por força de acórdão do STF, na Ação Civil Pública de nº 023.89.030082-0, e prevista como crime pela Lei 9605/98, alguns setores da sociedade catarinense defendem a manutenção dessa prática como parte de uma tradição cultural. Entre eles estão alguns políticos. Eles promovem a 'farra' presenteando bois em troca de votos. Tais políticos são, em geral, os mesmos que votam pelo aumento de passagens, pela ocupação urbana desenfreada, pela destruição do meio ambiente etc.
Tao do bicho – Paula Brügger

Antropólogos, antropófagos e antropocentrismo

A epistemologia mais recente sustenta que todo conhecimento é metafórico embora isso não implique, absolutamente, em sua neutralidade axiológica (política, ética etc.). Assim, apesar de louvável, não existe essa prerrogativa de um cientista – seja ele antropólogo ou não – 'entender, sem aprovar ou condenar' diferentes pontos de vista sobre determinados assuntos. Mesmo que o pesquisador consiga expurgar pré-noções e preconceitos que influenciam diretamente no seu 'objeto' de estudo, o ideal de neutralidade estará comprometido porque sempre haverá uma visão de mundo maior que orienta o olhar do pesquisador. É, no mínimo, como diz Cassirer: 'todo conhecer teórico parte de um mundo já enformado pela linguagem e tanto o historiador, quanto o cientista, e mesmo o filósofo, convivem com os objetos exclusivamente ao modo como a linguagem lhos apresenta'. Portanto, crer em descrição objetiva ou neutra da natureza é estar preso à metáfora positivista. É nesse mais profundo sentido que se pode dizer que todas as ciências são humanas.