quinta-feira, novembro 14, 2019
Questão de Ética - Sônia T. Felipe

Igualdade para os animais: com direitos, ou sem eles?

O debate ético contemporâneo sobre o estatuto de animais não-humanos tem se mostrado fértil em, pelo menos, duas perspectivas filosóficas distintas: a que defende a igualdade dos interesses sencientes animais, por considerá-los da mesma ordem dos interesses humanos sencientes, reconhecidos como dignos de consideração moral; e a que defende direitos animais, independentemente de serem sencientes, ou não, os interesses protegidos por lei.
Joan Dunayer - tradução autorizada: Juliana Marques

Peixes: uma sensibilidade fora do alcance do pescador

Blackie, peixe vermelho da variedade kinguio, nadava com muita dificuldade devido a uma grave deformação. Big Red, peixe vermelho maior, notou sua angústia. Desde o instante em que Blackie foi colocado em seu aquário na loja de animais, Big Red começou a notá-lo. Big Red supervisiona sem descanso seu amigo doente, levanta-o suavemente nas suas costas grandes e passeia com ele pelo aquário, conta um jornal sul-africano em 1985.
Cidadania – Rosana Gnipper e Andresa Jacobs

Ação política: um exemplo na prática

Em 2004 fomos chamados pelo IAP – Instituto Ambiental do Paraná, órgão subordinado à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, por intermédio do então representante do Conselho Gestor da Ilha do Mel, hoje superintendente do Ibama Paraná, Sr. José Álvaro Carneiro, para colaborar na elaboração de um projeto para o controle da população de cães e gatos na Ilha do Mel, litoral do Paraná, pertencente ao município de Paranaguá. Na ocasião havia a opção de retirada dos animais existentes, que seriam levados para o continente, com a justificativa de que o local é de preservação ambiental e não comporta animais domésticos.
Bigodes ao léu – Laerte

O gato e a gata

Buraco negro
Andrew Linzey - Tradução: Sônia T. Felipe

Os direitos divinos do animais

Para a teologia católica, fundada como ela é na escolástica, os animais não têm estatura moral. Se temos alguns deveres em relação a eles, são deveres indiretos, devido a certos interesses humanos envolvidos. Animais não são racionais como os seres humanos, e, portanto, não podem ter almas imortais. Mesmo a escolástica mais fervorosa admite hoje, provavelmente, que os animais sentem alguma dor, mas, se a sentem, sua dor não é vista como moralmente relevante ou verdadeiramente análoga à dor humana.
Sérgio Greif

Ciência Ética

A utilização de animais em experimentos vai de encontro aos interesses particulares desses animais. E então retornamos à pergunta: “Por que que a ciência não pode ser ética?”. A resposta para a pergunta é que a ciência não apenas pode ser ética, a ciência deve ser ética. A ética é pressuposto da boa ciência e a ciência deve estar acima de tudo condicionada à ética.
Renata Martins

Animais em circos: arte e cultura?

A origem da utilização de animais em circos ou espetáculos assemelhados tem suas raízes na Grécia antiga e no Egito, quando, na volta de guerras, os povos traziam consigo animais exóticos em carreata, para comprovar quão longe haviam ido. Ganharam força no Império Romano, três séculos antes de Cristo, quando, em arenas de batalhas, gladiadores exercitavam a força e a brutal violência natural e inerente a um período em que o poder dava-se aos vencedores de lutas e guerras, e, portanto, nenhum valor cultural ou artístico pode ser atribuído a essa prática.
Questão de Ética - Sônia T. Felipe

Altruísmo animalesco

Há três tipos de altruísmo animalesco: o de parentesco, o de parceria e o tribal. Nenhum deles pode ser considerado genuinamente ético. Para ser ético, o altruísmo precisa visar ao bem de qualquer ser vivo que possa ser afetado pela ação humana, não importando a natureza desse ser, e muito menos sua configuração anatômica ou habilidades específicas.
Palavra animal –Nina Rosa Jacob

Os animais precisam de proteção e valorização

Durante nossas vidas podemos conviver com mestres cuja importância nem sempre reconhecemos em tempo de lhes agradecer.
Eu sou animal – Dagomir Marquezi

Responsabilidade Gastronômica

Há alguns anos, eu trabalhava numa revista masculina e por acaso chegou até mim a coluna de gastronomia, antes que fosse publicada. Meus olhos passaram correndo pelas linhas, mas ficaram paralisados numa dupla de palavras – “sushi vivo”.
Anderson Reichow

Vocação para o declínio

Um filósofo escreveu que o conflito entre a animalidade e a animalidade do homem é o conflito definitivo, que governa qualquer outro. Vou pegar essa ideia e articulá-la ao contexto do meu pensamento atual. Ontem assisti ao 'Curioso caso de Benjamin Button'. Para revelar o mínimo, trata-se de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo. Isso quer dizer mais do que o óbvio: na história, o percurso de perfectibilidade do homem é invertido. Benjamim é alguém que, após uma vida no mínimo estranha, está caminhando rumo à própria e frágil animalidade nua. Um animal imperfectível, ao fim dos anos.