terça-feira, setembro 17, 2019

Não há nada de estranho

Acabei de rever um documentário da ADI (Animal Defenders International) que mostra como se treinam os animais para os espetáculos de circos. Não há como não se chocar com o que se vê e o que se ouve: seres vivos gemendo e gritando de dor, sendo socados, surrados e machucados. Lembrei de uma cena da música As Quatro Estações, composta no século XVII. Uma das cenas descritas pelo seu compositor, Antônio Vivaldi, é a da caça às raposas. Um grupo de nobres se veste e se prepara para o ritual. Segue-se uma perseguição sangrenta, a morte lenta, até que as raposas machucadas e acuadas são cercadas e mortas. Os caçadores festejam exibindo como um troféu seus corpos estendidos na relva.

As sinfonias e a responsabilidade pelas vidas

Existem sentimentos e imagens que só a música consegue transmitir intactos através dos tempos. Mais do que os vídeos, ela conversa de forma profunda com o nosso coração e nos atinge de forma mais colorida a nossa alma, do que as fotografias são capazes de registrar em cores.

Inverno: uma aventura congelante para os animais?

Já ouvimos falar que os cães são muito mais sensíveis ao calor por causa do seu processo de transpiração e troca de temperatura que acontecem de forma bem diferente de nós humanos. A grande dúvida é se o mesmo acontece no inverno. Eles sentirão o frio muito mais do que nós? Se isso for verdade, estarão congelados, pois nós temos sofrido muito com as baixas temperaturas. Por isso, resolvi escrever esse artigo, para esclarecer algumas peculiaridades da estação e dicas para seu animal não entrar numa fria.

O que será dos animais domésticos em um mundo vegano? Parte 4

Cães e gatos, bem como outros animais ditos de estimação, gozam de um status diferenciado em nossa sociedade. As explicações psicológicas e antropológicas para esse fenômeno são muitas e não serão debatidas aqui. Restringiremos a discussão aos aspectos referentes às vantagens dessa interação. A manutenção de animais como animais de estimação pode resultar em interações positivas ou negativas. É claro que se analisarmos apenas pelo ponto de vista do ser humano essa interação será quase sempre positiva, mesmo porque quando ela se torna inconveniente a tendência é se desfazer do animal.

Imaginei um educador trabalhando pela causa

Vi dezenas e dezenas de pratos de carne nos jantares, almoços e comemorações de final de ano, nos restaurantes, nas empresas e nas casas de amigos. Imaginei quantas carnes mais estavam sendo servidas nas ruas próximas, no bairro, nas cidades, no país, no mundo. Encontrei intelectuais, escritores, empresários, executivos, jornalistas, professores, músicos, médicos, profissionais liberais, pessoas de todos os tipos em volta das mesas lindamente decoradas, em volta das carnes. Recebi abraços e beijos carinhosos, muitas mensagens comoventes e desejei que todas aquelas pessoas boas e bem intencionadas fossem felizes e vivessem em paz. Desejei vê-las, algum dia, cuidando das vidas dos animais e da natureza, ajudando a construir e a sustentar a harmonia e o equilíbrio do nosso planeta. E pensei sobre qual seria o principal desafio para um educador se ele quisesse transformar aquele meu desejo em uma causa.

A verdade por trás do peru de Natal

Este ano no Reino Unido cerca de 16 milhões de perus serão mortos no período de Natal. Nas unidades maiores, há de 10.000 a 15.000 aves por cercado. A maioria dos perus é criada de forma intensiva em empresas-fazendas. Esses perus são engordados em criadouros sem paredes ou em gaiolas para frangos em abrigos sem janelas e mal iluminados. Usa-se luz baixa para tentar reduzir a agressividade das aves umas com as outras.

E quem liga para os peixes?

É bem mais fácil despertar a compaixão por um panda do que por um bacalhau. Os de aquário possuem um status mais elevado, mas em geral peixes são tratados como mercadoria, estoque de alimento, matéria-prima de suchi – tudo menos um animal com direitos, entre os quais à sobrevivência das espécie.

O ano 2000 imaginado em 1910 e o ano 2101 imaginado em 2011: anacronismos

Um post do blog IdeaFixa, de 12 de setembro, convida os leitores ao deslumbramento ao verem como algumas pessoas imaginavam, em 1910, como seria o ano 2000. Estão naquele post 14 figuras que refletiam a literalmente alada imaginação de um(a) desenhista francês(a) de 103 anos atrás. Para quem as desenhou, todo mundo teria seu kit portátil de voo, usaria patins motorizados, poderia ter taças de vinho servidas na mão a bordo de aviões minúsculos em pleno voo, haveria um eletrônico mas literal enfiamento de conhecimento nas cabeças das crianças etc. Mas por outro lado, a indumentária das pessoas, tal como a cultura em geral, seria a mesma, 90 anos depois, daquela da França urbana de 1910. O post em questão me fez relembrar, quase que instantaneamente, um presenciamento meu de como algumas pessoas do começo da década de 2010 imaginam como será o mundo no nascer da de 2100. Mais precisamente, me devolveu à lembrança a capa do caderno especial “Folha Corrida”, comemorativo dos 90 anos da Folha de S. Paulo, divulgado em 19 de fevereiro de 2012 depois de um concurso que havia votado quais seriam as melhores manchetes imaginariamente ideais em 2101. Tal capa tinha como uma das manchetes que um chip de aumento da capacidade cerebral havia sido testado com sucesso em animais não humanos.

Sobre o direito de escolha que não temos

É um equívoco terrível a ideia de que o direito à escolha é um direito inalienável da vida humana, pois existem muitas e muitas coisas que não temos direito nenhum de escolher. Podemos decidir a roupa que vamos utilizar, se vamos passear ou não, se queremos amar ou não alguém, por exemplo. Mas temos feito muito mais do que isso: temos nos investido do poder de escolher se o outro deve ou não viver, se deve ou não sofrer. Não há nada mais absurdo, primitivo e violento do que nos sentirmos no direito de decidir entre comer ou não a carne de um ser vivo que convive pacificamente conosco na mesma natureza.

ONG denuncia maus-tratos em granjas e frigoríficos nos EUA

Se alguém torturar uma galinha e for apanhado, é provável que a pessoa seja presa. Se alguém escaldar milhares de galinhas vivas, nós o consideramos um industrialista merecedor de elogios pelos tino comercial. Essa é a conclusão a que cheguei depois de assistir a imagens feitas por um investigador à paisana a serviço do grupo Mercy for Animals, que defende os direitos animais.

A igualdade animal

É difícil argumentarmos uma evidência, pois tudo que podemos dizer antecipadamente é supérfluo. Se uma frase tautológica é incapaz de convencer por si própria uma pessoa sensata, então que argumento, que outro desenvolvimento poderiam convencê-la? Temos dificuldades em argumentarmos sobre a posição da igualdade animal não por causa de sua complexidade, mas ao contrário, porque a sentimos como sendo de ordem tautológica.

Escravização animal, economia política e poder mundial

Os donos do gado encarcerado no NADA devem ter feito as contas. Se desembarcassem, gastariam fortunas para retransportar quase 30 mil animais de volta para o campo de onde foram levados no dia 25 ou 26, mais a água, a comida e os custos de desova dos mortos por exaustão, além de o espaço que eles precisariam para seguir na "finalização", para serem abatidos neste território, já estar preparado para receber outros 30 mil que partirão daqui a meio ano.