sábado, outubro 17, 2020

Animal

Rita Silva é vegana e ativista pelos direitos animais em Portugal. Trabalha na ONG ANIMAL, organização da qual é presidente, e é coordenadora Sul-Europeia da Cruelty Free International/BUAV. Você pode conhecer melhor o trabalho acessando também:

www.animal.org.pt
www.buav.org
www.crueltyfreeinternational.org

Contato: [email protected]

Animal - Rita Silva

A nossa condição

Em poucos dias, duas colegas - uma americana e uma brasileira – tiraram as suas próprias vidas devido à pressão e à depressão que este trabalho envolve. São notícias muito tristes e os meus pensamentos vão para estas duas guerreiras e para as suas famílias. Que descansem em paz e que ninguém as julgue pelo que fizeram, pois só alguém muito desesperado e afectado chegaria àquele ponto e não é justo julgar o seu sofrimento. Se as minhas palavras e a minha experiência de dez anos (não é muito tempo, mas é o que tenho) puderem servir de algo, gostaria apenas de dizer que, muito embora os dias tristes e escuros sejam comuns, eles não são únicos. É verdade que os sentimentos de tristeza, desilusão e frustração são diários e são avassaladores, contudo, é fundamental que procuremos apoio (profissional ou não, pois cada caso é único) para lidarmos com as nossas emoções e as gerirmos da forma mais equilibrada e saudável possível. Ninguém nos disse que este trabalho era fácil e ninguém nos obrigou a escolhê-lo. Não há dias simples nem há dias sem más notícias, mas cabe-nos escolher no que nos concentramos; se nas desgraças, se na tentativa de solucioná-las. Não é fácil aceitar a nossa falibilidade, mas é possível, desde que tenhamos apoio e nos foquemos no objectivo que pretendemos atingir. É um caminho que eu própria tento percorrer e quero atingir. Eu não quero ser uma vítima, eu quero ajudar as vítimas! Na verdade, só poderei ajudar as vítimas com as quais me deparo se tiver bagagem e força suficientes para superar as emoções negativas que me inundam e ver para além delas. A força vai-se buscar às pequenas vitórias: um animal que se recupera, uma morte que se evita, uma pessoa que se educa, uma lei que se muda. Não quero ver-me como uma mártir, alguém que abdicou da sua vida para ajudar os outros e que sofre com isso. Quero ser alguém que apenas cumpre a escolha que fez e que tenta fazê-lo da melhor maneira possível a cada momento, sempre aprendendo e melhorando.
Animal - Rita Silva

Como tratamos os “nossos” animais

Enquanto defensores dos animais sentimos que já sabemos tudo acerca de como devemos manter e viver com os “nossos” animais. Na verdade, ainda não é muito o que sabemos acerca desses animais maravilhosos com quem partilhamos a vida: os cães e os gatos. Muitos de nós acreditam que basta colocar comida e água a um cão ou um gato, dar alguns passeios com o cão, que um gato facilmente se acomoda desde que haja um espacinho, que devemos levá-los ao veterinário quando estão doentes e brincar com eles quando temos tempo. Assim, parece que já fizemos “a nossa parte” ao têrmo-los adoptado, e é bem melhor que estejam connosco do que na situação em que os encontrámos, certo? Pois bem, gostava então de analisar simples e brevemente o que acabo de escrever: 1 - Não existe tal coisa como fazer “a nossa parte”. A nossa parte é fazermos o máximo possível todos os dias da nossa vida, e o que quer façamos continuará a não chegar; 2 - Não é necessariamente verdade que os nossos pequenos estejam melhor connosco do que estavam antes ou do que estariam se estivessem com outra pessoa. Pensarmos assim é o que *nos* faz sentir bem e *nos* conforta pensar.