segunda-feira, agosto 3, 2020

Plataforma Terráqueos

Aleluia Heringer Lisboa Teixeira
Professora.
Doutora em Educação pela UFMG
Diretora do Colégio Santo Agostinho – Contagem
Vegana e idealizadora da Plataforma Terráqueos (www.plataformaterraqueos.org.br)
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Plataforma terráqueos - aleluia heringer

Mais de 52 milhões de possibilidades!

No momento em que o IBGE divulga que Brasil já ultrapassou 52 milhões de cães (domésticos), superando o número de crianças de 0 a 14 anos, e que os gatos estão em quase 20% das casas, e que o assunto é capa de revista, matéria do Fantástico e tudo mais, penso ser possível fazer algumas perguntas e identificar algumas oportunidades.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS

Isso é humano!

A greve dos caminhoneiros e o estrangulamento no sistema de abastecimento, para além das possíveis análises da política e economia, revelou algumas situações curiosas. Pelo menos três me chamaram a atenção.
Plataforma terráqueos - aleluia heringer

Juntos em um mesmo sonho

Aquele que em algum momento de sua vida aderiu ao movimento de libertação ou abolição da escravidão animal, tornou-se, de alguma forma, um sonhador da época seguinte. Pois essa, definitivamente, não é a época dos animais não humanos. Como escravos são, portanto, destituídos de qualquer tipo de direito. Sua dor é silenciosa e silenciada por grossas paredes, reais ou imaginárias, que escondem as entranhas desse sistema perverso e de seu “comércio infame”.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS - ALELUIA HERINGER

E se eu latir?

Um porquinho ainda filhote olha para você e a legenda tem uma pergunta: “e se eu latir você poupa minha vida”? Ele está no chão e olha para o alto, numa indicação de que sua posição é de vulnerabilidade e dependência em relação a você, único que pode atender o seu pedido: “poupe minha vida”.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS - ALELUIA HERINGER

“Uma escola que me entenda”

Era isto que a Luíza, de 07 anos de idade, estava procurando. Filha de pais vegetarianos, tomou a decisão de ser vegana. Na sua escola de origem, tinha dificuldade para ser entendida quando questionava alguma coisa, como a visita noturna ao zoológico: “Professora! Você não está lendo sobre as coisas que acontecem nos zoológicos”? Sentia-se desconcertada, porque nunca a consideravam no momento de um lanche especial. Se um adulto enfrenta barreiras ao tomar esta decisão, o que dizer de uma criança totalmente dependente dos pais e dos adultos a sua volta?
Aleluia Heringer - Plataforma Terráqueos

Histórias Cruzadas – veja o filme, leia a vida!

O filme “Histórias Cruzadas” discorre sobre a vida das mulheres negras que cuidavam dos lares e das crianças brancas das famílias do Mississipi (sul dos Estados Unidos), nas décadas de 50 e 60. Indicado ao Oscar 2012 em três categorias, o filme retrata as relações desiguais e injustas entre brancos e negros. Pela cor da pele uma hierarquia se estabelecia, demarcando espaços, direitos e deveres; impondo, assim, o jugo da imoral “superioridade racial”. Com a mente de hoje assistimos, com estranhamento, à naturalidade com que os brancos se impunham aos negros, tendo, para isso, o respaldo legal, cultural e religioso.
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O primeiro e o mais importante

Quem é o mais necessitado? Qual é a causa primeira a que devemos dispensar todo o nosso esforço? O que vem à frente? O idoso ou a criança? O morador de rua ou o cachorro atropelado? A todo momento criamos categorias e hierarquias para que possamos identificar o “mais importante”. O ato de enquadrar e esquadrinhar tem o seu valor no método científico. É preciso fazer recortes, delimitar para entender de forma verticalizada algum objeto, mas a vida, em sua complexidade, não funciona assim.
Aleluia Heringer - Plataforma Terráqueos

O silêncio dos responsáveis

Desde o ano de 1981 estudo e trabalho com educação, exercendo dentro da escola várias funções. Nunca presenciei, durante esse período, em lugar algum, inclusive dentro da universidade, qualquer discussão sobre a ética no trato com os animais ou sobre os seus direitos. Isso não é nenhum absurdo, levando-se em conta que, apenas recentemente, esses temas estão conquistando e despertando o interesse das pessoas. Alguma coisa, sim, sobre “tratar bem os animais”, mas sempre numa referência restrita aos domésticos ou em extinção. Essa ausência não é o mesmo que dizer que os animais estiveram ou estão fora dos currículos escolares. Nos interessa aqui é saber como esses seres são apresentados e quais representações sobre os mesmos ajudamos a construir por diversos meios, seja nos livros didáticos; na existência de viveiros e seus pássaros cativos; nas aulas práticas dos laboratórios de ciências ou de biologia; nas excursões aos zoológicos; nos alimentos comercializados pelas cantinas; ou mesmo, nas aulas sobre “alimentação saudável”, quando, então, anunciamos uma dependência completa e inquestionável da proteína animal.
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Todos os anos na escravidão

Considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, a “Casa dos Escravos” fica na pequena ilha de Gorée no Senegal. No último umbral da casa, aquele que antecede o mar, há uma inscrição no alto: “desta porta, para uma viagem sem retorno”. Nesse lugar os negros cativos eram separados por idade, sexo e somente as crianças abaixo de oito anos podiam ficar junto da mãe. Na chegada, eram pesados e os adultos abaixo de 60 kg passavam por um “processo de engorda” antes de seguir para a viagem que não teria retorno. Nesse longo processo de perda de identidade e dignidade, famílias foram violentamente separadas e arrancadas do lugar onde assentavam suas raízes e cultura. Laços sociais eram desfeitos e vidas, com toda uma história e memória, transformavam-se, de uma hora para a outra, em propriedade. Produto com preço de mercado, o que possibilitava o seu comércio e a sua transformação em máquinas de trabalho.
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À beira do fogão

O dia em que meu filho chegou e disse: “se eu me conheço, jamais volto a comer carne...”, foi o marco inicial de um processo com repercussões profundas na minha forma de ser e “estar” no mundo. Ele, na época com 18 anos, assistira a um vídeo sobre abate de porcos. Ali mesmo, à beira do fogão, expressei o meu espanto, iniciando uma série de questionamentos, próprios de uma mãe preocupada: “... mas, por qual motivo?... E a proteína = carne, e o cálcio = leite? (essa é clássica!); isso não é exagero? Apressei-me, então, em expor meus estranhamentos quanto àquela “postura radical”.
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Pensar o planeta. Pensar a educação

Quantos anos você terá em 2050? Basta acrescentar 34 anos a sua idade. Aproveite e faça as contas da idade do seu filho ou neto. Bem-vindos ao futuro! Vocês não estão em uma ficção científica. Muito provavelmente, se tudo correr bem até lá, seremos um dos 9,6 bilhões de habitantes, segundo previsão da ONU. A pergunta posta é como será alimentar, fornecer água, disponibilizar energia e meios de transporte para tanta gente? Este cenário não é visto com entusiasmo, ao contrário, tem preocupado bastante quem tem juízo.
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Coisa ou alguém?

─ Aleluia, você poderia nos ajudar? disse a professora do 3º ano do Ensino Fundamental. - É que no livro de geografia consta que o animal é recurso natural renovável. As crianças estão aceitando esta afirmação, porém com desconfiança e muitas perguntas. Você poderia bater um papo com elas?