terça-feira, julho 7, 2020
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Plataforma Terráqueos

Aleluia Heringer Lisboa Teixeira
Professora.
Doutora em Educação pela UFMG
Diretora do Colégio Santo Agostinho – Contagem
Vegana e idealizadora da Plataforma Terráqueos (www.plataformaterraqueos.org.br)
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PLATAFORMA TERRÁQUEOS

PORCO é PORCO

“Porco é agro, porco é tech, porco é tudo”...Todos já viram esta propaganda algum dia. O que muda é o tema: café, algodão, leite, soja etc. Quando o comercial termina o cidadão brasileiro se enche de orgulho da grandeza de nossa economia e se convence de que este caminho nos levará ao progresso e riqueza do país.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS

Nosso NADA e nosso TUDO

Qual nosso limite quando se trata de acessar o corpo do outro? Entre os humanos, de modo geral, torturar, violentar, machucar, interditar, entre outras ações similares, são reprovadas e consideradas crimes
Aleluia Heringer - Plataforma Terráqueos

À beira do fogão

O dia em que meu filho chegou e disse: “se eu me conheço, jamais volto a comer carne...”, foi o marco inicial de um processo com repercussões profundas na minha forma de ser e “estar” no mundo. Ele, na época com 18 anos, assistira a um vídeo sobre abate de porcos. Ali mesmo, à beira do fogão, expressei o meu espanto, iniciando uma série de questionamentos, próprios de uma mãe preocupada: “... mas, por qual motivo?... E a proteína = carne, e o cálcio = leite? (essa é clássica!); isso não é exagero? Apressei-me, então, em expor meus estranhamentos quanto àquela “postura radical”.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS - ALELUIA HERINGER

“Uma escola que me entenda”

Era isto que a Luíza, de 07 anos de idade, estava procurando. Filha de pais vegetarianos, tomou a decisão de ser vegana. Na sua escola de origem, tinha dificuldade para ser entendida quando questionava alguma coisa, como a visita noturna ao zoológico: “Professora! Você não está lendo sobre as coisas que acontecem nos zoológicos”? Sentia-se desconcertada, porque nunca a consideravam no momento de um lanche especial. Se um adulto enfrenta barreiras ao tomar esta decisão, o que dizer de uma criança totalmente dependente dos pais e dos adultos a sua volta?
PLATAFORMA TERRÁQUEOS - ALELUIA HERINGER

Humanos e Ciborgues: qual o lugar do animal?

Como será a relação entre humanos de carne e osso e os ciborgues superinteligentes? Em uma época em que “buscamos nos tornar deuses”, o historiador israelense Yuval Noah Harari, autor do livro Homo deus: uma breve história do amanhã, surpreende ao responder a essa pergunta. Ele dedica a 1ª parte do seu livro ao exame da relação entre o Homo sapiens e outros animais. Mesmo discutindo grandes questões da humanidade e do mundo moderno, Yuval insiste que não se pode realizar um debate sério sobre a natureza e o futuro da humanidade sem começar com nossos colegas animais.
Plataforma terráqueos

Animal: a dívida da escola

A educação escolar é devedora para com os animais. Uma dívida silenciosa, acumulada ao longo do tempo e nem sempre consciente. Com a naturalização da condição da escravidão animal, ensinamos a indiferença. Mas quando acontece? Em quais tempos e lugares? Em nosso silêncio, em nossa indiferença, no nada fazer, no nada dizer, nada perguntar e no nada estranhar. Repartimos o animal para não vê-lo em sua singularidade. Reproduzimo-los aos milhões e, nos números, tiramos deles um nome. Passam a ser peças, arrobas, toneladas, carcaças ou cifras da economia.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS

Eu Rejeito

A cena do rio de lama de rejeito de mineração e toxicidade a avaliar, arrastando tudo que estava no seu caminho, causou profunda tristeza e lamento de todos nós.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS

O primeiro e o mais importante

Quem é o mais necessitado? Qual é a causa primeira a que devemos dispensar todo o nosso esforço? O que vem à frente? O idoso ou a criança? O morador de rua ou o cachorro atropelado? A todo momento criamos categorias e hierarquias para que possamos identificar o “mais importante”. O ato de enquadrar e esquadrinhar tem o seu valor no método científico. É preciso fazer recortes, delimitar para entender de forma verticalizada algum objeto, mas a vida, em sua complexidade, não funciona assim.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS - ALELUIA HERINGER

E se eu latir?

Um porquinho ainda filhote olha para você e a legenda tem uma pergunta: “e se eu latir você poupa minha vida”? Ele está no chão e olha para o alto, numa indicação de que sua posição é de vulnerabilidade e dependência em relação a você, único que pode atender o seu pedido: “poupe minha vida”.
Aleluia Heringer - Plataforma Terráqueos

Animal cativo não é educativo: uma breve reflexão

Qual o propósito de um viveiro dentro de uma escola? Em que medida essa presença educa? Como o conteúdo desse “currículo oculto” interfere na percepção e sensibilidade de nossas crianças e jovens? Essas são algumas perguntas que fiz a mim mesma quando assumi a direção de uma escola, em cujo o pátio central havia um viveiro com pássaros e tartarugas pequenas. Tais indagações se tornam bastante pertinentes se consideramos, por exemplo, o que escreve Escolano (2001) em Currículo, Espaço e subjetividade. Para esse autor, o espaço escolar tem de ser analisado como uma construção cultural que “expressa e reflete, para além de sua materialidade, determinados discursos”. Nessa perspectiva, todo espaço educa, forma e situa. Retomo, então, a questão: a existência do viveiro educa para quê?
PLATAFORMA TERRÁQUEOS - ALELUIA HERINGER

O caminho sem volta

Neste ano completo onze anos de caminhada na estrada que me conduziu ao veganismo. Digo caminhada, pois não foi uma decisão da noite para o dia. Não sei ao certo, mas foram, aproximadamente, três anos desde o primeiro contato com aquilo que nunca me interessei ver, ouvir ou saber, passando pelo autoconhecimento e inúmeros confrontos com as minhas próprias incoerências. Digo que não é uma experiência de características padronizadas, tamanho único, ou um rompante juvenil que se vive na euforia de uma turma. Ao contrário, ela é sempre no singular, ímpar, pois é uma experiência existencial.
Plataforma terráqueos - aleluia heringer

Juntos em um mesmo sonho

Aquele que em algum momento de sua vida aderiu ao movimento de libertação ou abolição da escravidão animal, tornou-se, de alguma forma, um sonhador da época seguinte. Pois essa, definitivamente, não é a época dos animais não humanos. Como escravos são, portanto, destituídos de qualquer tipo de direito. Sua dor é silenciosa e silenciada por grossas paredes, reais ou imaginárias, que escondem as entranhas desse sistema perverso e de seu “comércio infame”.