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terça-feira, janeiro 21, 2020
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Plataforma Terráqueos

Aleluia Heringer Lisboa Teixeira
Professora.
Doutora em Educação pela UFMG
Diretora do Colégio Santo Agostinho – Contagem
Vegana e idealizadora da Plataforma Terráqueos (www.plataformaterraqueos.org.br)
[email protected]

PLATAFORMA TERRÁQUEOS - ALELUIA HERINGER

Doze considerações sobre um vegano

O conceito pré-formado, que chamamos de (pré) conceito, é um grande muralha. Bloqueamos o caminho que nos levaria a conhecer outras pessoas com suas razões e lógicas. Seria tão bom somente ouvi-las sem a necessidade de se armar intelectualmente para rebater cada linha que não seja igual a nossa. De onde veio tamanha chatice? Parece que nossas ideias são tão frágeis que temos que evitar, por receio, as ideias do outro. Somos também, altamente, sugestionados pela aparência alheia. Outra muralha. Dependendo de como a pessoa se apresenta, já nos fechamos, como se sua “capa” infectasse sua palavra.
Plataforma terráqueos - Aleluia heringer

O Grito de Munch e o Olhar do Boi

Assisti, no Canal Arte 1, ao programa sobre o pintor expressionista Edvard Munch (1863-1944), e de forma mais específica sobre a sua mais famosa pintura – O Grito. O quadro arrematado em Nova York por 91 milhões de euros tornou-se a obra mais cara vendida em leilão, superando, inclusive, “Nu, Folhas e Busto” de Pablo Picasso
CONSCIENTIZAÇÃO

Aquilo que a escola também deve ensinar

Por Aleluia Heringer Recebi, de uma conhecida, fotos e vídeos de sua filha em uma festa junina. São imagens daquilo que estava sendo oferecido como...
PLATAFORMA TERRÁQUEOS - ALELEUIA HERINGER

Pensar o planeta. Pensar a educação

Quantos anos você terá em 2050? Basta acrescentar 34 anos a sua idade. Aproveite e faça as contas da idade do seu filho ou neto. Bem-vindos ao futuro! Vocês não estão em uma ficção científica. Muito provavelmente, se tudo correr bem até lá, seremos um dos 9,6 bilhões de habitantes, segundo previsão da ONU. A pergunta posta é como será alimentar, fornecer água, disponibilizar energia e meios de transporte para tanta gente? Este cenário não é visto com entusiasmo, ao contrário, tem preocupado bastante quem tem juízo.
Aleluia Heringer - Plataforma Terráqueos

À beira do fogão

O dia em que meu filho chegou e disse: “se eu me conheço, jamais volto a comer carne...”, foi o marco inicial de um processo com repercussões profundas na minha forma de ser e “estar” no mundo. Ele, na época com 18 anos, assistira a um vídeo sobre abate de porcos. Ali mesmo, à beira do fogão, expressei o meu espanto, iniciando uma série de questionamentos, próprios de uma mãe preocupada: “... mas, por qual motivo?... E a proteína = carne, e o cálcio = leite? (essa é clássica!); isso não é exagero? Apressei-me, então, em expor meus estranhamentos quanto àquela “postura radical”.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS

Isso é humano!

A greve dos caminhoneiros e o estrangulamento no sistema de abastecimento, para além das possíveis análises da política e economia, revelou algumas situações curiosas. Pelo menos três me chamaram a atenção.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS - ALELUIA HERINGER

O caminho sem volta

Neste ano completo onze anos de caminhada na estrada que me conduziu ao veganismo. Digo caminhada, pois não foi uma decisão da noite para o dia. Não sei ao certo, mas foram, aproximadamente, três anos desde o primeiro contato com aquilo que nunca me interessei ver, ouvir ou saber, passando pelo autoconhecimento e inúmeros confrontos com as minhas próprias incoerências. Digo que não é uma experiência de características padronizadas, tamanho único, ou um rompante juvenil que se vive na euforia de uma turma. Ao contrário, ela é sempre no singular, ímpar, pois é uma experiência existencial.
Plataforma terráqueos - aleluia heringer

E se o boto não fosse cor de rosa?

Um programa de grande audiência aos domingos denunciou o que vem acontecendo contra um dos animais símbolo do Brasil: o boto cor de rosa. Sabendo do meu interesse pela causa animal, é claro que, no dia seguinte, muitas pessoas perguntaram se eu havia assistido essa reportagem, imaginando, talvez, a minha indignação. É claro que é revoltante ver pescadores matando o boto cor de rosa para, depois, usá-lo como isca na pesca de outros peixes. Pior ainda foi saber que um dos botos capturados era uma fêmea grávida e que seus filhotes foram jogados junto aos pedaços da mãe. Diante dessa terrível descrição experimentei dois sentimentos simultâneos: alento e espanto.
Plataforma terráqueos - aleluia heringer

Todos os anos na escravidão

Considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, a “Casa dos Escravos” fica na pequena ilha de Gorée no Senegal. No último umbral da casa, aquele que antecede o mar, há uma inscrição no alto: “desta porta, para uma viagem sem retorno”. Nesse lugar os negros cativos eram separados por idade, sexo e somente as crianças abaixo de oito anos podiam ficar junto da mãe. Na chegada, eram pesados e os adultos abaixo de 60 kg passavam por um “processo de engorda” antes de seguir para a viagem que não teria retorno. Nesse longo processo de perda de identidade e dignidade, famílias foram violentamente separadas e arrancadas do lugar onde assentavam suas raízes e cultura. Laços sociais eram desfeitos e vidas, com toda uma história e memória, transformavam-se, de uma hora para a outra, em propriedade. Produto com preço de mercado, o que possibilitava o seu comércio e a sua transformação em máquinas de trabalho.
Aleluia Heringer - Plataforma Terráqueos

O silêncio dos responsáveis

Desde o ano de 1981 estudo e trabalho com educação, exercendo dentro da escola várias funções. Nunca presenciei, durante esse período, em lugar algum, inclusive dentro da universidade, qualquer discussão sobre a ética no trato com os animais ou sobre os seus direitos. Isso não é nenhum absurdo, levando-se em conta que, apenas recentemente, esses temas estão conquistando e despertando o interesse das pessoas. Alguma coisa, sim, sobre “tratar bem os animais”, mas sempre numa referência restrita aos domésticos ou em extinção. Essa ausência não é o mesmo que dizer que os animais estiveram ou estão fora dos currículos escolares. Nos interessa aqui é saber como esses seres são apresentados e quais representações sobre os mesmos ajudamos a construir por diversos meios, seja nos livros didáticos; na existência de viveiros e seus pássaros cativos; nas aulas práticas dos laboratórios de ciências ou de biologia; nas excursões aos zoológicos; nos alimentos comercializados pelas cantinas; ou mesmo, nas aulas sobre “alimentação saudável”, quando, então, anunciamos uma dependência completa e inquestionável da proteína animal.
PLATAFORMA TERRÁQUEOS

O normal, o avesso e o avesso do avesso

Este é um depoimento pessoal. Por ser assim, narra uma história que só tem como intuito inspirar e levar a pensar, nunca de convencer.
Aleluia Heringer - Plataforma Terráqueos

Anistia ampla, geral e irrestrita

Naquele ano de 1968, o domingo do Dia das Mães não teve nada de normal. Meu irmão de 18 anos, preso dias antes em uma manifestação estudantil no centro de Belo Horizonte, estava nas mãos do DEOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Sua prisão e o aparato policial envolvido eram desproporcionais, fato que levou o cartunista Henfil a registrar a prisão em uma de suas charges. O então poderoso Coronel Medeiros liberou, por insistência de minha mãe, a sua saída por algumas horas. Com ele vieram alguns policiais à paisana, que o acompanhavam de perto. Eu ainda não tinha completado seis anos de idade e observava tudo, acredito já com certo estranhamento! Também naquele mesmo ano, meu irmão mais velho, entrava na clandestinidade antes de partir para o exílio. Voltaria para a convivência familiar somente em 1979, doze anos depois, com a Anistia Ampla Geral e Irrestrita. Esse tempo foi, para alguns brasileiros, de muita apreensão.