terça-feira, julho 7, 2020
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Tao do Bicho

Paula Brügger é professora Titular do Departamento de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina, no qual  ministra as disciplinas “Biosfera, sustentabilidade e processos produtivos”, “Meio Ambiente e desenvolvimento” e “Conservação de Recursos Naturais”. É graduada em Ciências Biológicas com especialização em Hidroecologia, mestra em Educação e doutora em Ciências Humanas – “Sociedade e Meio Ambiente”. É autora dos livros “Educação ou adestramento ambiental?”, com três edições, e “Amigo Animal – reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente: animais, ética, dieta, saúde, paradigmas”. Coordenou por quinze anos o projeto de educação ambiental “Amigo Animal”, oferecido como tema transversal para as escolas das redes municipal e estadual de Santa Catarina. É também coordenadora do Observatório de Justiça Ecológica (OJE), na UFSC. Atua nos seguintes temas: educação ambiental e abolicionista; interdisciplinaridade, paradigmas de ciência e sustentabilidade;  relação dos seres humanos com os outros animais como relação sociedade-natureza. Vem, desde 1999, estudando a imagem da natureza e dos animais não-humanos na mídia e, desde 2003, pesquisando as implicações éticas e epistemológicas da visão mecanicista, dominante ciência ocidental, na vivissecção

TÃO DO BICHO - PAULA BRÜGGER

Trump, tramps e o nosso incondicional apoio à proibição das vaquejadas

Vivemos tempos difíceis. Embora estejamos em pleno século XXI, nossa cultura e nossos costumes continuam fortemente impregnados de traços sexistas e especistas, entre outras formas de exercício da tirania e da opressão.
TÃO DO BICHO - PAULA BRÜGGER

Media watch: Folha de S. Paulo promove “antialérgico”

Você conhece alguma variedade de brócolis, beterraba ou cenoura que precisa ser “engenheirada” para ter uma boa digestibilidade pelos humanos? Ainda que certos alimentos provoquem algum tipo de intolerância ou alergia (vide a onda do glúten, hoje) nenhuma categoria alimentar recebe mais atenção da comunidade científica e da mídia do que a dos produtos de origem animal.
TÃO DO BICHO - PAULA BRÜGGER

Ana Maria Braga e sua pseudo preocupação com os animais

O que deseja a apresentadora Ana Maria Braga, ao posar ao lado de um casal de coalas recém chegado da Austrália? Se fosse mostrar respeito pelos animais não promoveria, cotidianamente, uma culinária repleta de animais assassinados unicamente para satisfazer o paladar humano.
TÃO DO BICHO - PAULA BRÜGGER

Churrasco de jegue e apologia à “Festa do Peão de Barretos”

Quem saiu domingo passado, 14 de agosto, para tomar um café e ler um jornal pode ter se deparado com o caderno “Cotidiano”, da Folha de São Paulo, no qual havia duas matérias que tiram do sério qualquer pessoa que tenha um mínimo de compaixão pelos animais não humanos.
TÃO DO BICHO - PAULA BRÜGGER

Fernando Gabeira revela seu desprezo pelos animais ao defender matança de javalis

Dizem que o oposto do amor é o medo ou a indiferença, não o ódio. Não sei se qualificaria como indiferença o sentimento que Fernando Gabeira nutre com relação aos javalis no programa denominado “Invasão de javalis destrói a agricultura na Serra da Mantiqueira”. Mais uma vez, como na matéria em que defendeu de forma incondicional as vaquejadas [1], Gabeira usa sua voz mansa e pausada para dar continuidade à sua narrativa especista, unilateral e pretensamente técnica. Aqui ele defende a matança dos javalis porque, segundo ele, esses animais são “pragas que invadiram o Brasil, destruindo lavouras e disseminando doenças como a febre aftosa. Também comem sementes, ninhos e animais pequenos, além de poluir rios e nascentes”. Como em outras matérias jornalísticas também especistas [2], o cruento massacre de javalis foi totalmente naturalizado. Argumenta-se que tal prática é permitida pela legislação vigente porque os animais não pertencem à fauna brasileira – como se isso os destituísse da capacidade de sofrer – e por estarem destruindo plantações, como se eles tivessem discernimento para evitar propriedades privadas, ou distinguir entre uso sensato e destrutivo dos recursos naturais.
Tão do Bicho - Paula Brugger

Vaquejada na TV: O discurso especista e opressor de Fernando Gabeira

Nauseante é um adjetivo que qualifica a forma como Fernando Gabeira defendeu abertamente, em seu programa do dia 3 de julho de 2016 [1], a prática cruel denominada vaquejada. Ele inicia o programa anunciando que a vaquejada é um “esporte tradicional do Nordeste” e comenta que a legalidade de tal prática está sendo questionada no Supremo Tribunal Federal. Embora tenha afirmado que, por essa razão, se trata de um tema polêmico, Gabeira violou um dos pilares mais básicos do bom jornalismo: deixou de ouvir os lados opostos no que tange à questão. Numa postura totalmente parcial, ele elogia várias vezes o tratamento exemplar supostamente dispensado aos cavalos (que segundo ele, desfrutam até de ar condicionado em suas viagens – sic), mas diante de cenas de bovinos aterrorizados, sendo violentamente arremessados ao chão, limitou-se a tecer comentários pretensamente técnicos, com a clara intenção de dar um ar de neutralidade na questão e pior: minimizar o tratamento covarde que recebem tais animais, subjugados sem chance de defesa, nas provas descritas.
TÃO DO BICHO - PAULA BRUGGER

Educação especista na TV: O leão Cecil na Globo News

Há quase um ano atrás postei um pequeno texto sobre o brutal assassinato de um leão considerado um ícone no Zimbábue. Seu nome era Cecil. Sua triste história foi manchete mundo afora. A mídia fez uma cobertura de grande magnitude sobre o caso, oferecendo relatos que versavam tanto sobre sua vida quanto sobre a onda de manifestações e protestos desencadeada pela sua morte.
TÃO DO BICHO - PAULA BRUGGER

LATAM versus Especismo

Parabenizo a LATAM por não mais transportar nenhum tipo de animal vivo cuja finalidade seja a pesquisa/experimentos em laboratórios, ou qualquer outro tipo de estudo supostamente científico. Além de indefensável sob o ponto de vista ético – pois submete seres sencientes ao sofrimento físico, psicológico e à morte – a vivissecção falha em um critério fundamental para que seja considerada uma prática verdadeiramente científica: a predicabilidade.
TÃO DO BICHO - PAULA BRUGGER

Algumas reflexões sobre o texto “Conservacionistas e ativistas dos direitos animais falam a mesma língua?”

Não é novidade o embate travado entre conservacionistas e defensores dos direitos animais. Nesse sentido vale a pena discutir a argumentação de um texto recente sobre o assunto – intitulado “Conservacionistas e ativistas dos direitos animais falam a mesma língua?” – de autoria de Yara de Melo Barros . Não vou entrar no mérito dos argumentos do artigo que fundamentou a discussão proposta pela autora porque isso seria digressivo e tornaria o debate excessivamente longo. Todavia, é possível afirmar que, de fato, até o presente momento, a ética de conservação ambiental e a ética dos direitos animais têm pouco em comum, além do que poderia se chamar, de forma simplista, de uma “preocupação com os animais”.
TÃO DO BICHO - PAULA BRUGGER

Como ser um “biodesagradável” abolicionista

Responda rápido: - “É o mato que cresce, denotando desleixo, ou é a vida que pulsa em seu jardim?” Se você elegeu, sem titubear, a primeira opção, tem fortes chances de não ser um biodesagradável. Mas se sucumbiu ao dilema subjacente à pergunta...Hum...Atenção! Sua lente perante o mundo favorece uma eventual rotulagem nesse sentido. A categoria de “biodesagradável” é aparentada com a de “ecochato”. É mais ampla, porém, porque pode abranger as “chatices” relativas ao abolicionismo animal. É uma condição semelhante à de “desmancha-prazer”, entretanto é mais circunscrita a determinados temas – os “biotemas” – e, com isso, não é muito afeita a questionamentos estéticos de diversos tipos.
Tao do Bicho - Paula Brügger

Je NE suis PAS Charlie!

Causou-me horror e perplexidade uma charge intitulada “Migrants”, publicada pelo jornal francês Charlie Hebdo, na qual a imagem de Aylan Kurdi, o pequeno refugiado sírio morto afogado ano passado na costa da Turquia, é associada ao episódio no qual centenas de mulheres teriam sido vítimas de violência sexual na cidade alemã de Colônia, na noite do Réveillon de 2015 para 2016.
Tao do Bicho - Paula Brügger

“Búfalo Bill” Brasil

Há dez anos causou-me indignação a maneira pela qual uma matéria do programa de televisão “Fantástico” (Rede Globo) tratou uma população de búfalos asselvajados que vivem na Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia. Como forma de desabafo, escrevi um curtíssimo texto, intitulado “Farra do búfalo?”, que foi publicado no jornal AN Capital em 06/09/2005 (o texto encontra-se disponível no site “Simplicidade Voluntária”.