sexta-feira, agosto 7, 2020
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Desobediência Vegana

Ellen Augusta Valer de Freitas é licenciada em Biologia pela Unisinos/RS. Foi bolsista de Iniciação Científica pelo CNPq no Instituto Anchietano de Pesquisas, tem experiência na área de Ecologia com ênfase em Zooarqueologia. Trabalha para uma ONG nacional em pesquisa de produtos e direito do consumidor, é articulista da Agência de Notícias dos Direitos Animais, membro-fundadora do grupo ativista Vanguarda Abolicionista. Atualmente é professora de Ecologia e Saúde Ambiental, revisora de textos, produtora de conteúdo Web e blogueira. Tem 33 anos, é vegana, ativista pelos direitos animais, feminista e casada com um jornalista também vegano e ativista.

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Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas

As baratas fantasmas e os ratos de porão

Alguns animais causam repulsa ao animal humano. Este, o homem, causa medo e terror, espalha a tirania por onde caminha. O filósofo Carlos Naconecy escreveu um importante ensaio intitulado Ética animal...Ou uma “ética para vertebrados”?: UM ANIMALISTA TAMBÉM PRATICA ESPECISMO?" problematizando o especismo interno muito forte no ativismo. Esse artigo é talvez um dos mais importantes para o ativista que pretende estar isento de especismo. Pois veganismo não é só comida. E o veganismo abolicionista não pode contemplar apenas alguns tipos de animais. Onde está a preocupação com os animais invertebrados? Na classe Insecta (Insetos) estão o maior número de animais que existem sobre a face da Terra. Mas reina sobre os ativistas um silêncio sepulcral sobre estes seres.
Desobediência vegana - ellen augusta valer de freitas

A censura e o ensinar abolicionista

"Professores leem pouco no Brasil, diz estudo". Tá na cara que precisamos melhorar a educação no país, professores e alunos, sem essa desculpa de que precisa vir de casa. Somos pagos para ensinar. Em outras palavras, somos agentes de mudanças e transformações sociais e não sujeitos passivos que simplesmente aceitamos uma realidade imposta. Assim deveria ser. Todas as dificuldades que surgem como argumentos não são barreiras para professores exemplares. Recentemente, um professor foi expulso de suas atividades por ensinar direitos animais aos seus alunos. O ato em si é bastante atrasado, mas o que considero mais bárbaro é o silencio ao redor de tudo. Dos professores. O consentimento da sociedade. O que aconteceu aqui, se deu como nos tempos da ditadura. Ele foi acusado por pais que se sentiram incomodados por um professor no seu pleno direito de exercer sua profissão, e dentro dela, o dever de questionar o status quo, as tradições, o sexismo, o racismo, e questões outras, entre elas a mais nova até agora silenciada: os direitos animais, afinal, ele é professor de filosofia!
Desobediência vegana - ellen augusta aaler de freitas

Quem concede às mulheres o direito de serem mães de animais?

Quase ninguém gostou da nova definição de família, uma definição normótica, que apenas agrada aos neuróticos que buscam a todo custo encaixar suas crenças, frágeis, que se sustentam no ar de suas ilusões. Mas parece que alguns dos mesmos que estão descontentes com isso também querem impor ordem em outras instâncias, ou seja, o autoritarismo apenas obedece escadas. Mudam as caras, mudam as fardas, ele nunca sai de cena. Vamos ao assunto, que é disso que eu gosto.
Desobediência vegana - ellen augusta valer de freitas

A polícia dos veganos obedientes

O veganismo virou um guarda chuva para as demandas pessoais, isso já era evidente. Agora está também virando palco de outras bandeiras. Algumas pessoas estão aqui buscando qualquer coisa, menos o princípio ético a que ele se propõe. Parece que, para ser vegano, o sujeito precisa ser perfeito. Só que não. O veganismo é a libertação animal. Escrevo este artigo por diversos motivos, um por que estou cansada de esoterismo, naturebismo, religião e pseudolibertários (que no fundo são uns carolas) turvando a causa. E porque quando uma celebridade se torna vegana, há uma onda de resistência de veganos que também se creem "celebridades". Todo mundo precisa dar seu aval negativo. "O fulano não pode ser vegano", "a ciclana não é vegana". Existem senões. Só é vegano quem é do partido a, quem é da religião tal, quem não come açúcar branco, quem não toma coca cola. Se o sujeito era "bom ou mau" antes de ser vegano não vai ser aqui que ele vai ser curado. Veganismo não é religião.
Desobediência vegana - ellen augusta valer de freitas

Porcos no Rodoanel: as feministas especistas e o baile da ignorância

Estou a cada dia mais chocada com o retrocesso das mulheres nos tempos atuais. Mas não são todas as mulheres não. Existem muitas mulheres, batalhadoras, as do dia a dia, que estão pouco se lixando para essa trupe que agora quero me ater. Falo das feministas reacionárias, disfarçadas de pseudolideranças. Esse tipinho fascista que vem invadindo as redes sociais, para atacar o ativismo vegano.
Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas

A indiferença de Brigitte Bardot e a obsessão brasileira pela beleza

Ninguém aqui aceitou a ideia de envelhecer. Você vai ao médico, vai ao banco, liga a TV e só vê gente bonita e mais jovem que você. A minha gerente de banco tinha uma bunda tão perfeita que até eu tive que olhar! Mas olhei com admiração, pois não sou de invejar. Por todo o lado o recado é esse, 'seja jovem', 'seja uma mulher bem sucedida e disponível para todo o sempre'. A empresa demitiu o pessoal bom, a velha guarda, e admitiu só gente novinha, que tem que estar disposta a vestir a camiseta, ou seja, ser idiota e trabalhar sem parar. Nada de contratar alguém com mais de 35 anos. E isso se estende para as relações pessoais.
Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas

Brigitte Bardot, animais e o ataque contra o feminino

Uma propaganda ultrajante fez uma comparação entre Brigitte Bardot e Sophia Loren. O anúncio de uma clínica de rejuvenescimento pretendia comparar o envelhecimento cronológico das duas mulheres. O cinismo causou-me náuseas, pois além de ofensivo é uma propaganda enganosa sob dois aspectos.
Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas

A propaganda animal é machista

É fácil apontar quando há algo explícito indicando uma propaganda machista, não é? Não é. Porque é preciso inteligência para analisar. Mas tem gente que se delicia com isso sem compreender. É fácil ser especialista do óbvio. É fácil ler? Não. Qualquer um lê, mas a maioria não entende sutilezas, ironias e nem mesmo uma piada. A maioria lê o título acima e fica nisso. Com as imagens é a mesma coisa. As propagandas mais machistas e abusivas são sutis e estão fora da causa animal, ensinando a oprimir o mais fraco, seja humano ou animal.
Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas

Clube dos curiosos

O PETA uma vez fez um site cujo link insinuava uma temática sexual. Lá onde divulgamos o site, a horda de pessoas mal informadas, bem antes de abrir a página, já começou a tecer toda a sorte de críticas ao PETA, chamando de machista, etc. Ou seja, o preconceito está na cabeça de quem vê, sem ler, sem se informar.
Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas

Veganismo: não faça as coisas por mim

Uma das frases mais simples e admiráveis está no movimento punk: faça você mesmo. Não espere por ninguém. Não siga, não seja mais um. Invente, se não houver alternativas ao seu redor. Se estende para além da música. Não seja como aqueles que se deixam influenciar por qualquer suspiro e seguem a corrente, manipulados até os ossos. Quando trabalhamos com a educação e direitos animais, é comum ouvirmos que somos fanáticos religiosos. Nascemos com a imposição de comer carne, mas temos que ouvir que estamos 'impondo um modo de alimentação'.
Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas

A mãe que nunca amamentou

O leite materno é quente. O leite que vem da geladeira é gelado, porque vem da geladeira e foi processado por mãos de terceiros. Foi roubado e deixou bebês com fome. Causa morte e sofrimento das mães. A mulher mãe amamenta pois não pode fazer outra coisa, está em sua natureza. Mas hoje, o olhar do outro, o olhar do homem, a faz mudar de ideia, a faz mudar de rota, a faz parar antes da hora, ou nem começar.
Desobediência Vegana - Ellen Augusta Valer de Freitas

Dedicado ao cão que chorou

Como é fácil fazer chorar. Basta virar as costas, basta uma palavra maldita, uma mentira contada com os olhos fixos no nada. E, depois, se o sujeito tem lá dentro da mente - daquele vazio - algum sentido, pensa, lembra, quem sabe, do mal que causou. Fazer correr as lágrimas dos nossos semelhantes é questão de tempo, de prática. Todos temos esse dom. Fizemos sem querer ou marcadamente com gosto, no dia a dia, no elaborado sarcasmo de uns, na falta de traquejo de outros.