terça-feira, setembro 17, 2019

Direitos dos Grandes Primatas

Microbiologista e empresário, o cubano naturalizado brasileiro Pedro A. Ynterian chegou ao país há mais de 30 anos e sempre foi um admirador de animais, em especial dos primatas.

Sua vida mudou completamente em 1999, quando comprou em um criadouro comercial Guga, um bebê chimpanzé de 3 meses de idade, com a ideia de criá-lo no apartamento que morava em São Paulo. Em pouco tempo ele percebeu que ter um chimpanzé como pet não fazia o menor sentido e esse foi o primeiro passo para a montagem do primeiro Santuário dos Grandes Primatas no Brasil, localizado em Sorocaba.

O resultado foi o grande envolvimento na questão de proteção e defesa dos direitos dos grandes primatas e a filiação ao movimento internacional GAP – Great Ape Protection. As atividades de denúncia, resgate de animais vítimas de maus-tratos e divulgação de informações ganharam muita notoriedade e desde setembro de 2008 o Brasil foi eleito como sede do Projeto GAP Internacional, tendo Dr. Pedro como seu presidente. Atualmente ele ocupa o cargo de Secretário Geral, coordenando as atividades de divulgação do projeto.

No Brasil o GAP tem quatro santuários afiliados, entre os quais o de Sorocaba, que juntos abrigam mais de 80 chimpanzés, entre outros animais resgatados de maus-tratos em circos, zoológicos e outras atividades comerciais.

 

Um nascimento inesperado

Enquanto ainda se recupera das inundações das últimas semanas e após as medidas de emergências que foram tomadas para impedir a destruição das suas instalações, o Santuário de Primatas da Ilha Ngamba, na África, testemunhou um nascimento inesperado: uma chimpanzé ainda adolescente, de nome Kyewunyo, deu a luz a um bebê, mesmo tendo um contraceptivo implantado, que aparentemente não funcionou.

Debate aberto: zoológicos devem existir?

Nos próximos dias a Prefeitura do Rio de Janeiro estará analisando, talvez de fontes privadas, propostas para arrendar o Zoológico da cidade, que está fechado devido a dezenas de irregularidades e maus tratos aos animais, tristemente lá hospedados. O conceito de zoológicos é totalmente ultrapassado, mas o Brasil ainda insiste que devem existir e sejam locais de divertimento de humanos e de sofrimento de animais. Para enriquecer este debate, pegamos emprestada a opinião de Carlos Magno Abreu, analista ambiental do Ibama, que já esteve envolvido nesse mundo de zoológicos e tráfico de animais, como relata em seu livro a Operação Boitatá e a Serpente de um Milhão de Dólares.

Operação Boitatá: a serpente de um milhão de dólares

Era junho de 2011, Carlos Magno Abreu, analista ambiental do IBAMA, mais conhecido como “Batata”, apelido da Faculdade, entrava no Zoonit – Zoológico de Niterói – acompanhando a operação do IBAMA, com apoio da Polícia Federal, para fechar aquele centro de maus tratos e tráfico de animais. Parou em frente ao hóspede mais conhecido do Zoológico, o chimpanzé Jimmy, que o olhava de sua jaula com curiosidade. Ele pensou para si “isso não está certo”. Os olhares se cruzaram e existiu uma conexão; mentalmente pediu desculpas para Jimmy pelo absurdo de ser obrigado a viver naquela prisão por indivíduos de sua espécie e lhe garantiu que iria colocar atrás das grades os que fizeram isso com ele. Segundo Magno, Jimmy, de forma indireta, talvez seja o principal responsável pela Operação Boitatá.

Escândalo internacional: eutanásia de animais na Espanha

Uma denúncia do Projeto GAP da Espanha começou a circular na mídia espanhola e também a ser discutida a nível mundial. Um obscuro Decreto Real sob n° 1333 de 2006, que regulamenta o destino dos animais confiscados pelo Estado de mãos de traficantes ou por diversas ilegalidades determina que sejam eutanasiados, caso não exista outro destino.

A morte de um solitário

O encontramos na carreta de um circo itinerante em uma pequena cidade mineira, na companhia de um grande urso negro, com quem compartilhava aquela casa improvisada. Bob era o seu nome. O trouxemos com seu amigo urso para o Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba. No primeiro dia em seu recinto, quando saiu para a parte externa e viu os seus vizinhos – Jeber e Tyson, fez um gesto obsceno, como sua saudação. Com o tempo, fez amizade pela janela com Tyson, mas Jeber sempre foi seu desafeto. Um ano atrás, a dupla de cantores Teodoro e Sampaio descobriu que Bob estava conosco. Insistiram em visitá-lo e rememorar seu trabalho juntos, quando Bob fazia parte do circo. Teodoro se emocionou ao revê-lo, já que durante um tempo viajaram juntos pelo Brasil. Um programa foi filmado pela TV Record na época, no qual foi contada um pouco da história circense de Bob. Assista ao vídeo aqui.

A esperteza de um bebê chimpanzé

No dilúvio dos últimos dias na área de Sorocaba, o Santuário de Grandes Primatas teve sua parte. Os lagos encheram de água, e a mesma correu para o pequeno rio onde os lagos deságuam, que se converteu num torrente intenso. Nesse rio 13 anos atrás, levávamos o grupo de Guga, bebês na época, para brincar e tínhamos um problema similar, a correnteza poderia levar aqueles chimpanzés curiosos e atirados.

A caçada aos ursos: terrorismo na Flórida

Quase 4 mil caçadores – 3.779 – compraram a licença que o Estado da Flórida colocou a venda entre setembro e outubro para caçar 320 ursos negros, que durante 21 anos foram protegidos de sanha assassina de caçadores – que parecem mais terroristas que qualquer outra coisa.

Chimpanzés: o drama Norte-Americano

Com a determinação do NIH – Instituto Nacional de Saúde Norte-Americano – de aposentar todos os chimpanzés que lhe pertencem e que estão distribuídos em várias instituições de pesquisa biomédica, que foram centros de tortura para estes infelizes por mais de 50 anos, um dilema se debate publicamente, típico de um país capitalista ao extremo.

A delicadeza dos chimpanzés

Se algo tenho aprendido em meu convívio de 15 anos com chimpanzés é apreciar a delicadeza que eles têm quando tratam semelhantes ou humanos que eles confiam. Através de filmes, depoimentos, narrativas e até declarações de primatologistas que nunca tiveram a sorte de conviver com esses primatas, tem sido difundida a teoria de que eles são violentos, agressivos, intolerantes e até perigosos. Confesso que em meus primeiros anos de vida em comum com os chimpanzés levei alguns sustos e tive pequenos acidentes.Porém, a relação mútua estava sendo construída e eles não me conheciam o suficiente, e eu também não tinha a habilidade necessária para compreendê-los.

62% dos norte-americanos defendem os direitos animais

Em 2008, segundo a agência Gallup, 25% dos norte-americanos acreditavam que os animais deveriam ter os mesmos direitos que os humanos. Em 2015, um terço já passou a acreditar nesta questão. Além disso, 62% dos norte-americanos também já acreditam que os animais devem ter alguma proteção legal, que os livre dos maus-tratos e da exploração, mas sem chegar a ter os mesmos direitos dos humanos.

Uma homenagem dos chimpanzés

Se a alguém os chimpanzés do Brasil devem fazer uma homenagem pela luta por sua sobrevivência e condições de vida, esse alguém se chama Milan Starostik. Nos últimos 15 anos com Milan, um cidadão de origem Tcheca, que montou no Paraná um poderoso grupo industrial – a Cia. Providência, tivemos o privilégio de trabalhar juntos pela paixão que nos uniu: os chimpanzés. Milan começou a ter chimpanzés alguns anos antes que nós. Parou alguns anos depois e quando nos conhecemos e viu o que estávamos iniciando em Sorocaba, voltou a cuidar desses primatas em um Santuário que tinha junto ao seu grupo industrial em São José dos Pinhais, perto de Curitiba. Milan e sua esposa, Anita, que sempre o apoiou em todo momento, salvaram, junto conosco, a vida de mais de 100 chimpanzés que eram explorados em circos, zoológicos e em mãos de particulares. Quando decidiu vender o Grupo Providência, construiu uma casa e um Santuário para abrigar os chimpanzés que tinha na fábrica e outros que resgataria nos anos seguintes.

Milhares de “Sandras” no mundo agradecem

Pela primeira vez no mundo, um sistema Judiciário, neste caso, o Argentino, reconhece com todas as letras que um grande primata, no caso Sandra, orangotango fêmea que mora no Zoológico de Buenos Aires, é uma pessoa não humana e tem direitos inalienáveis e que devem ser respeitados. A seguir a Sentença da Juíza Dra. Elena Libertori divulgada na semana passada: “Pelo exposto, resolvo: Dar lugar a ação de amparo promovida (neste caso pela organização AFADA) nos seguintes termos: 1) Reconhecer a orangotango Sandra como um sujeito de direito de acordo com a Lei 14.346 e o Código Civil e Comercial na Nação Argentina, enquanto ao exercício não abusivo dos direitos por parte dos responsáveis – a concessionária do Zoológico portenho e a Cidade Autônoma de Buenos Aires; 2) Dispor que os espertos “amicus curiae”, os dourotes Miguel Rivolta e Héctor Ferrari, conjuntamente com o Dr. Gabriel Aguado, do Zoológico da Cidade Autônoma de Buenos Aires, preparem um informe estabelecendo que medidas deverá adotar o Governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires em relação a Orangotango Sandra. O informe técnico terá caráter vinculante. 3) O Governo da Cidade Autônoma de Buenos Aires deverá garantir à Sandra as condições adequadas do seu habitat e as atividades necessárias para preservar suas habilidades cognitivas.”