sexta-feira, julho 10, 2020
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Direitos dos Grandes Primatas

Microbiologista e empresário, o cubano naturalizado brasileiro Pedro A. Ynterian chegou ao país há mais de 30 anos e sempre foi um admirador de animais, em especial dos primatas.

Sua vida mudou completamente em 1999, quando comprou em um criadouro comercial Guga, um bebê chimpanzé de 3 meses de idade, com a ideia de criá-lo no apartamento que morava em São Paulo. Em pouco tempo ele percebeu que ter um chimpanzé como pet não fazia o menor sentido e esse foi o primeiro passo para a montagem do primeiro Santuário dos Grandes Primatas no Brasil, localizado em Sorocaba.

O resultado foi o grande envolvimento na questão de proteção e defesa dos direitos dos grandes primatas e a filiação ao movimento internacional GAP – Great Ape Protection. As atividades de denúncia, resgate de animais vítimas de maus-tratos e divulgação de informações ganharam muita notoriedade e desde setembro de 2008 o Brasil foi eleito como sede do Projeto GAP Internacional, tendo Dr. Pedro como seu presidente. Atualmente ele ocupa o cargo de Secretário Geral, coordenando as atividades de divulgação do projeto.

No Brasil o GAP tem quatro santuários afiliados, entre os quais o de Sorocaba, que juntos abrigam mais de 80 chimpanzés, entre outros animais resgatados de maus-tratos em circos, zoológicos e outras atividades comerciais.

 

DIREITOS DOS GRANDES PRIMATAS - DR PEDRO A. YNTERIAN

A morte de um solitário

O encontramos na carreta de um circo itinerante em uma pequena cidade mineira, na companhia de um grande urso negro, com quem compartilhava aquela casa improvisada. Bob era o seu nome. O trouxemos com seu amigo urso para o Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba. No primeiro dia em seu recinto, quando saiu para a parte externa e viu os seus vizinhos – Jeber e Tyson, fez um gesto obsceno, como sua saudação. Com o tempo, fez amizade pela janela com Tyson, mas Jeber sempre foi seu desafeto. Um ano atrás, a dupla de cantores Teodoro e Sampaio descobriu que Bob estava conosco. Insistiram em visitá-lo e rememorar seu trabalho juntos, quando Bob fazia parte do circo. Teodoro se emocionou ao revê-lo, já que durante um tempo viajaram juntos pelo Brasil. Um programa foi filmado pela TV Record na época, no qual foi contada um pouco da história circense de Bob. Assista ao vídeo aqui.
DIREITOS DOS GRANDES PRIMATAS - DR. PEDRO A. YNTERIAN

Monti sendo avaliado

A pedido do Juiz Dario Alarcon, da cidade de Santiago del Estero, Argentina, um grupo de biólogos, veterinários e médicos humanos visitou o chimpanzé Monti nas últimas 48 horas, para avaliar a sua situação e recomendar ou não o seu traslado a um Santuário no Brasil. A bióloga, Dra. Ivana Rodríguez, da Universidade Nacional de Córdoba, que também atua como Perita Judicial, fez chegar ao Meritíssimo Juiz o seu extenso relatório e a conclusão.
Direitos dos grandes primatas - dr. pedro a. ynterian

A vida em família

Chego um pouco depois do amanhecer onde está César com sua mãe, Samantha, e sua irmã Sofia. Entro no recinto deles e a família se encontra numa das casas de dois andares, na parte externa, no teto da mesma. Peço para trazer-me o César, já que eu não tenho como subir lá encima. Sofia carrega o César em seu abdômen e desce com ele, com grande facilidade, o entrega para mim e volta para o teto.
Direitos dos grandes primatas - dr pedro a. ynterian

A desesperação da solidão

Eu já vi refletida no olhar de muitos primatas humanos ou não, a maioria prisioneiros políticos, com os quais convivi em etapas de minha vida. Não era só a solidão física de não ter alguém para compartilhar e até amar, era a solidão do abandono, do futuro, do rancor de seu entorno. Toto é um deles. Quando chegou ao Santuário semanas atrás, não o compreendíamos, buscava o isolamento no canto mais escuro do seu dormitório, rodeado de cobertores e tecido não tecido (TNT).
Direitos dos Grandes Primatas - Pedro A. Ynterian

Quantos anos vive um chimpanzé?

Em decorrência da morte do chimpanzé de nome Chita, que trabalhou nos primeiros filmes da série Tarzan na década de 30, estabeleceu-se um debate aberto sobre quantos anos vive um chimpanzé, já que alguns colocaram em dúvida se era possível que um chimpanzé tivesse alcançado os 80 anos de idade.
DIREITOS DOS GRANDES PRIMATAS - DR. PEDRO A. YNTERIAN

Um caso chamado Cecília: a ruindade humana

À distância não entendíamos bem a situação. Um Habeas Corpus impetrado pela Organização AFADA para a libertação da chimpanzé Cecilia obteve uma Sentença positiva de uma Juíza do Tribunal de Garantias da Província de Mendoza, que a reconheceu como um Sujeito de Direito – uma pessoa não humana – e que deveria ser libertada de um cativeiro infame de 20 anos de duração.
Direitos dos grandes primatas - dr. pedro a. ynterian

A claustrofobia

Temos 55 chimpanzés no Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba. De origem circense temos mais de 15 indivíduos. Se os observamos, vamos perceber a diferença que existe entre eles, produto da vida a que foram submetidos. Temos cinco chimpanzés que viveram quase toda a vida, inclusive até nasceram, num dos circos mais conhecidos do Brasil, o extinto Circo Garcia. Esses cinco têm uma característica em comum: são claustrofóbicos ao extremo. Bem diferente da outra dezena que veio de circos diversos.
Direitos dos grandes primatas - dr. pedro a. ynterian

Resgate em Leme: a angústia de um leão

Duas semanas atrás, uma equipe do Santuário do GAP em Sorocaba concluía com perfeição um resgate no Zoológico da cidade paulista de Leme, que estava sendo desativado. Duas leoas, de nome Isa e Salena, e o chimpanzé Tôto foram anestesiados, colocados em caixa de transporte e levados por nosso caminhão ao seu novo destino.
Direitos dos grandes primatas - dr. pedro a. ynterian

Até nos defeitos nos parecemos

Anos atrás, quando ia com o grupo de Guga – cinco chimpanzés – na mata por duas horas para eles brincarem, eu tentava ensiná-los a colaborar no trabalho. Temos um pequeno rio na mata, onde íamos para eles se divertirem. Quando tinha temporais, os galhos invadiam a corrente de água e devíamos desobstruir a correnteza. Eu começava a trabalhar e pedia para eles me ajudarem, porém, a maioria fingia que trabalhava e aproveitava para se esconder ou ir mais longe para brincar. Daquela turma, só Carlos me ajudava mesmo. Mais ou menos o que aconteceria com uma turma de humanos trabalhando, alguns poucos realmente fazendo e a maioria fazendo corpo mole e fazendo hora.
Direitos dos Grandes Primatas - Pedro A. Ynterian

Pesquisas biomédicas com primatas: altruísmo ou ganância?

A matéria de cada da edição número 673 da revista Carta Capital, editada em São Paulo, relata uma pesquisa realizada por dois médicos brasileiros – Renata Pasqualini e Wadih Arap – no Instituto Médico Anderson, especializado em Câncer, no Texas, para reduzir a obesidade em humanos. Para conseguir avaliar a suposta droga que reduz a obesidade – de nome Adipotide – dezenas de macacos rhesus foram engordados artificialmente, para depois serem submetidos à droga experimental. O Instituto Médico Anderson, que visitamos 10 anos atrás durante um curso de manejo de chimpanzés em cativeiro, tem um centro de experimentação invasiva de chimpanzés e macacos rhesus, administrado pela Faculdade de Veterinária da própria Universidade do Texas, perto da cidade de Bastrop.
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Guga Ynterian 1999-2018

Não pensei que algum dia iria escrever estas linhas. Guga era meu oitavo filho. Todos os anteriores, primatas humanos; ele era não-humano, porém para mim não tinha diferença, talvez por sua fragilidade, pelos perigos que enfrentava todos os dias, numa sociedade brutal e injusta de humanos, precisava de mais proteção e cuidados.
Direitos dos grandes primatas - dr. pedro a. ynterian

Crime na Libéria: chimpanzés abandonados

Não bastando as torturas a que tem submetido centenas de chimpanzés em centros biomédicos nos Estados Unidos durante meio século, agora se descobre outra tragédia em andamento na própria África. O Banco de Sangue de Nova Iorque montou 30 anos atrás na Libéria, em ilhas improvisadas, um laboratório de experimentação de Hepatites com 66 chimpanzés como cobaias.