quarta-feira, agosto 5, 2020

Direitos Animais

Bruno Frederico Müller – Historiador, doutorando em História das Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tradutor inglês-português, português-inglês. Co-editor e colaborador da Revista Eletrônica de Direitos Animais Pensata Animal. Vegano e ativista independente desde 2007, ministra palestras e faz ações de conscientização em prol do veganismo e direitos animais na cidade do Rio de Janeiro.

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Direitos animais – Bruno Müller

Alianças e estratégias: equívocos presentes, caminhos futuros

Este mês de fevereiro completam-se dois anos que me tornei ativista pelos direitos animais. Desde que aderi ao movimento tenho insistido na necessidade de os ativistas veganos abandonarem o espontaneísmo e adotarem uma postura mais responsável do ponto de vista profissional e intelectual. Não é porque o ativismo é voluntário que ele pode ser feito com desleixo. Não é porque você tem convicção das suas ideias que não tem o dever de desenvolvê-las filosoficamente para credenciar-se para o debate. Isto é, se queremos realmente que nossas ações em prol dos direitos animais tenham impacto na sociedade, seja na escala micro, das relações pessoais, seja na escala macro, de interferir nos processos de exploração animal.
Direitos animais – Bruno Müller

As camadas da opressão

A questão da dominação e do poder frequentemente é analisada sob uma perspectiva maniqueísta. Especialmente na esfera política – seja tradicional, dos partidos, sindicatos – seja dos movimentos sociais e organizações dificilmente se encontra a tentativa de uma análise ponderada e justa. Por ponderada e justa não me refiro a imparcial, nem nivelador. Pois é impossível – e indesejável – não ter uma opinião a respeito de um determinado assunto, e muito menos que todas as opiniões se equivalham.
Direitos animais – Bruno Müller

E as plantas?

Começando a tratar, portanto, das questões mais recorrentes que vegetarianos e veganos enfrentam, quero tratar de uma das mais populares entre os onívoros. Uma pergunta que sempre aparece, com variações: “mas e as plantas? Elas também não sentem? Por que devemos ter compaixão pelos animais e não por elas?” Por mais absurda que seja a questão, e por mais que eu esteja convencido de que ela raramente é posta com propósito sincero, vale a pena se debruçar sobre ela, até para demonstrar a desonestidade de quem a coloca.
Direitos animais – Bruno Müller

Livre arbítrio de quem?

É típico do relativismo tentar relacionar livre-arbítrio e vegetarianismo, nas seguintes bases: o vegetarianismo é uma opção pessoal, que não deve ser defendida como uma posição moral obrigatória. Hoje gostaria de ajudar a desfazer esse mito. Na minha interpretação, vejo o livre-arbítrio dividido em duas dimensões, uma prática e outra moral.
Direitos animais – Bruno Müller

Limites éticos e práticos dos discursos transversais na defesa do veganismo

Uma vez um onívoro me perguntou: “Se sua vontade é divulgar o vegetarianismo e fazer das pessoas vegetarianas, por que você não usa como argumentos, para convencê-las, questões que interessam a elas, como a saúde ou o meio ambiente? Afinal, as pessoas são egoístas e não vão mudar apenas por respeito aos animais”. O texto de hoje é uma resposta a essa pergunta.
Direitos animais – Bruno Müller

Conversando sobre Direitos Animais

O maior propósito de ler, escrever e debater textos sobre direitos animais é aprimorar nossa capacidade de responder ao ceticismo alheio. Ter a resposta certa pode muitas vezes representar a diferença entre ter um amigo a fazer piadas constantemente, conquistar o seu respeito ou, em última instância, conquistar um aliado na sua causa. Por isso é sempre importante ter uma compilação dos questionamentos mais recorrentes em relação aos direitos animais para saber o que responder quando aquele coringa for sacado da manga de um onívoro. Quem é vegetariano sabe que essas questões não são muitas – apenas varia a sua construção.
Direitos animais – Bruno Müller

Sobre o ovolactovegetarianismo

Uma das coisas que mais me surpreende no universo dos direitos animais, e seus defensores, é como ainda se vê, entre vegetarianos, especialmente os que conhecem a realidade da pecuária, quem defenda ou não veja problemas no consumo e produção de leite e ovos, e que hesite tanto antes de aderir definitivamente ao veganismo. Eu só encontro uma justificativa aparente para isso: as pessoas não vêem essa produção como tão cruel como a de carne, por teoricamente – e apenas teoricamente – não envolver morte. No entanto, é fácil demonstrar que a realidade é muito mais complexa – e terrível – do que parece.
Direitos animais – Bruno Müller

Por que veganismo?

POR UMA QUESTÃO DE COERÊNCIA. Uma vez que tenhamos despertado para uma realidade, precisamos agir em conformidade com o que descobrimos. Conhecimento sem aplicação não tem qualquer valor – é mero exercício estético, soberba, “saber por saber”, egocentrismo. O conhecimento implica responsabilidade. E aí reside simultaneamente a solução e o problema. Solução porque o ser humano deve aprender a ser responsável. Responsável por seus atos, por seus semelhantes, pela sua morada. Mas ele também aprendeu a aceitar sem questionar a realidade que lhe é imposta. Acomodar-se. Nesse sentido, o governo é também uma benesse e uma maldição. Pois o ser humano se sente mais seguro tendo um governo para delegar responsabilidade e pôr a culpa.
Direitos animais – Bruno Müller

Por que abolicionismo?

A premissa básica do abolicionismo é muito simples e inteligível para qualquer pessoa: nenhum indivíduo é propriedade de outro, todos devem ter direitos iguais à liberdade e nenhum deve ter o direito de dispor sobre a vida e a liberdade de outro indivíduo. O abolicionismo animal estende essa premissa além da espécie humana, para todos os indivíduos do mundo animal.
Direitos animais – Bruno Müller

Por que animais têm direitos?

Aproveitando que hoje é dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos e, não por coincidência, também Dia Internacional dos Direitos Animais, quero abordar uma questão fundadora: por que animais têm direitos?