sexta-feira, agosto 7, 2020
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Direitos Animais

Bruno Frederico Müller – Historiador, doutorando em História das Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tradutor inglês-português, português-inglês. Co-editor e colaborador da Revista Eletrônica de Direitos Animais Pensata Animal. Vegano e ativista independente desde 2007, ministra palestras e faz ações de conscientização em prol do veganismo e direitos animais na cidade do Rio de Janeiro.

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Direitos animais – Bruno Müller

As camadas da opressão

A questão da dominação e do poder frequentemente é analisada sob uma perspectiva maniqueísta. Especialmente na esfera política – seja tradicional, dos partidos, sindicatos – seja dos movimentos sociais e organizações dificilmente se encontra a tentativa de uma análise ponderada e justa. Por ponderada e justa não me refiro a imparcial, nem nivelador. Pois é impossível – e indesejável – não ter uma opinião a respeito de um determinado assunto, e muito menos que todas as opiniões se equivalham.
Direitos Animais - Bruno Müller

O sentido do vegetarianismo – do vegetarianismo holístico aos direitos animais

O veganismo não é uma causa isolada. Não é a associação do veganismo com outras causas que se questiona, e sim a forma e o conteúdo dessas associações. Ao tanto falar em compaixão e “amor” pelos animais, os veganos, talvez sem consciência do próprio erro, limitam sua causa a uma inclinação do caráter. Aqueles “tocados” pela compaixão e o amor serão “despertos”, mas... e os outros? O veganismo torna-se uma epifania e é novamente reduzido a uma dimensão espiritual. Assim entendido, remove-se do veganismo seu componente ético e político, da justiça, da observação não de um ato de caridade, mas de um imperativo de respeito. A caridade é conservadora: ela não muda a ordem, não transforma a realidade, não liberta. Apenas alivia, momentaneamente, a dor e o sofrimento. Não admira que o movimento, então, receba a alcunha de “proteção animal” ou “bem-estar animal”.
Direitos animais – Bruno Müller

Por que veganismo?

POR UMA QUESTÃO DE COERÊNCIA. Uma vez que tenhamos despertado para uma realidade, precisamos agir em conformidade com o que descobrimos. Conhecimento sem aplicação não tem qualquer valor – é mero exercício estético, soberba, “saber por saber”, egocentrismo. O conhecimento implica responsabilidade. E aí reside simultaneamente a solução e o problema. Solução porque o ser humano deve aprender a ser responsável. Responsável por seus atos, por seus semelhantes, pela sua morada. Mas ele também aprendeu a aceitar sem questionar a realidade que lhe é imposta. Acomodar-se. Nesse sentido, o governo é também uma benesse e uma maldição. Pois o ser humano se sente mais seguro tendo um governo para delegar responsabilidade e pôr a culpa.
DIREITOS ANIMAIS - BRUNO MÜLLER

Quando 2 + 2 = 0

Já escrevi em outra ocasião sobre a aversão que tenho às discussões sobre como os defensores dos animais deveriam “se unir” e “esquecer as diferenças” pelo “bem” dos animais. Mas, como o tema é recorrente, permito-me recorrer a ele também. Eu vejo dois problemas básicos com este tipo de opinião: a negação e consequente silenciamento das diferenças; a paralisia estratégica que tem o efeito contrário de seus proponentes – faz o movimento estagnar em vez de progredir. Vou tratar de ambos separadamente.
Direitos animais – Bruno Müller

A quarta Revolução Industrial

A possibilidade da quarta Revolução Industrial não é uma solução mágica para os nosso problemas sociais e ambientais. Porém, é um passo indispensável, tanto mais porque são os mais pobres aqueles que estão mais vulneráveis e que mais sofrerão, seja com os problemas ambientais, seja com os conflitos sociais decorrentes de nosso atual padrão de produção e consumo. Tamanha mudança será importante, igualmente, num segundo momento, para superar em definitivo tais problemas. Essa superação, porém, passa por uma transformação muito maior, mais profunda e paradigmática, que é questionar não apenas o modelo de desenvolvimento das sociedades capitalistas, mas o capitalismo propriamente dito.
Direitos animais – Bruno Müller

Alianças e estratégias: equívocos presentes, caminhos futuros

Este mês de fevereiro completam-se dois anos que me tornei ativista pelos direitos animais. Desde que aderi ao movimento tenho insistido na necessidade de os ativistas veganos abandonarem o espontaneísmo e adotarem uma postura mais responsável do ponto de vista profissional e intelectual. Não é porque o ativismo é voluntário que ele pode ser feito com desleixo. Não é porque você tem convicção das suas ideias que não tem o dever de desenvolvê-las filosoficamente para credenciar-se para o debate. Isto é, se queremos realmente que nossas ações em prol dos direitos animais tenham impacto na sociedade, seja na escala micro, das relações pessoais, seja na escala macro, de interferir nos processos de exploração animal.
DIREITOS ANIMAIS - BRUNO MÜLLER

Bin Laden e a vivissecção

Não, entre os crimes atribuídos a Osama bin Laden, reais ou fictícios, não está a vivissecção. Pelo menos, não que eu saiba. É que...
Direitos animais – Bruno Müller

Por que animais têm direitos?

Aproveitando que hoje é dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos e, não por coincidência, também Dia Internacional dos Direitos Animais, quero abordar uma questão fundadora: por que animais têm direitos?
Direitos Animais - Bruno Müller

Predadores e vampiros de vegetarianos

Vez por outra recebo por intermédio de algum amigo vegano um link de mais um daqueles inúmeros textos que circulam na internet de carnívoros...
Direitos animais – Bruno Müller

Os paradoxos da liberdade e da democracia

Em que medida a democracia e a liberdade favorecem ou limitam uma à outra e, consequentemente, também favorecem ou limitam o respeito aos direitos fundamentais? Trata-se de assunto muito complexo, e não tenho pretensão de abordá-lo com a profundidade que ele merece, o que seria impossível neste espaço e sem o apoio de uma ampla bibliografia. Gostaria, entretanto, de incitar o leitor à reflexão, a partir de alguns casos que demonstram a relação por vezes ambígua entre os dois princípios, que fatalmente afetam os direitos fundamentais – dentre os quais estão os direitos humanos e os direitos animais.
DIREITOS ANIMAIS - BRUNO MÜLLER

Veganismo na Província

Preâmbulo: breves notas sobre o nacionalismo O nacionalismo é uma das ideologias mais absurdas, ridículas, irracionais, perigosas e desprezíveis do mundo. Não estou sozinho nessa...
Direitos animais – Bruno Müller

A metáfora do atavismo e a exploração animal

Evolução, na biologia, significa a mudança qualitativa pela qual as espécies vivas se transformam ao longo do tempo, dando origem a outras espécies. Segundo a teoria darwinista, a evolução se dá pela seleção natural, o que significa que mudanças genéticas aleatórias modificam as características dos seres vivos; a interação com o meio ambiente, em que determinadas características que favorecem a sobrevivência de seus portadores, leva a que tal mudança genética seja perpetuada nas gerações futuras, até que os “menos aptos” se extingam. No entanto, discute-se se o ser humano, por sua capacidade altamente desenvolvida de interferir e transformar a natureza, não poderia também interferir na própria evolução. Nesse caso, poderíamos falar numa evolução social que interferiria na evolução natural ou biológica.