quarta-feira, agosto 5, 2020
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Direitos Animais

Bruno Frederico Müller – Historiador, doutorando em História das Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tradutor inglês-português, português-inglês. Co-editor e colaborador da Revista Eletrônica de Direitos Animais Pensata Animal. Vegano e ativista independente desde 2007, ministra palestras e faz ações de conscientização em prol do veganismo e direitos animais na cidade do Rio de Janeiro.

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Direitos Animais - Bruno Müller

O que a paleontologia e a ufologia revelam sobre a moralidade humana?

O que a paleontologia, uma ciência séria, e a ufologia, uma pseudociência com, na melhor das hipóteses, empréstimos da ciência, têm em comum? Ambas trabalham sobre fenônemos que escapam do meio humano, mas com ele interage; fenômenos sobre os quais existem poucas evidências ou testemunhos, e que se apóiam, portanto, em hipóteses de difícil comprovação e que, portanto, estão sempre sujeitas, mais que outras ciências, a revisões drásticas. Uma semelhança de menor importância é que muitas vezes seus praticantes, e os meios de comunicação, ignoram essa fragilidade e transmitem ao público leigo, como “verdades”, teorias – verossímeis ou não – que podem ser invalidadas já na semana seguinte – em favor de outra “verdade” de ocasião. Contudo, na minha modesta opinião, o que ambas têm de mais semelhante é a forma como revelam o alto conceito que o ser humano tem de si mesmo.
Direitos animais - bruno müller

Debates interseccionais e Veganismo – Parte I – O Especismo está à porta

Um dos primeiros, senão o primeiro a comparar o Holocausto com o extermínio de animais, e os campos de concentração com as fazendas de gado e abatedouros, foi um judeu, o consagrado escritor Isaac Bashevis Singer, Nobel de Literatura em 1978, que emigrou da Polônia devido à crescente onda de antissemitismo naquele país, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Foi Alice Walker, escritora igualmente laureada, ativista dos movimentos negro e feminista, que disse: “Os animais do mundo existem para seus próprios fins, não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens”. Walker era muito citada quando me tornei ativista, nos idos de 2007. Foi outra feminista, Carol Adams, que tentou relacionar a condição da mulher na nossa sociedade com o carnismo no livro A Política Sexual da Carne. Gary L. Francione, jurista e filósofo, escreveu um livro chamado Animals as Persons. Dizer que animais são pessoas significa dar-lhes o mesmo estatuto legal e moral de que desfrutam os seres humanos.
Direitos animais - bruno müller

Debates interseccionais e Veganismo – Parte II – Elitismo e Fascismo: minimanual do usuário

Falácias ou: Como aprendi a me despreocupar e fugir do debate. Vamos começar a segunda parte consultando o Oráculo, o Dicionário Houaiss, para definir o que é uma falácia. Diz aquele que tudo vê e tudo sabe: Falácia: qualidade do que é falaz; falsidade. Ex.: sua afirmação é uma f. Rubrica: filosofia. no aristotelismo, qualquer enunciado ou raciocínio falso que entretanto simula a veracidade; sofisma. Existem vários tipos de falácias, com maior ou menor grau de sofisticação, e mesmo o mais arguto e honesto debatedor pode esbarrar em uma delas, de vez em quando. Aqui o que importa, porém, são dois dos tipos mais básicos e mais baixos e mais comuns. Trata-se do emprego palavras sem critério, sem nenhuma reflexão histórico-conceitual, simplesmente porque adquiriram valor pejorativo. Um modo fácil de desqualificar a posição ou pessoa de quem se discorda. Isso nos leva a dois tipos de falácia. Primeiro, um grande hit nas paradas de sucesso: o argumentum ad hominem. É quando você ataca a integridade pessoal do interlocutor, e não a validade das ideias que este propõe. O amplo uso da palavra “fascista” é um exemplo típico (embora pouco admitido) de argumentum ad hominem. Ou isto, ou eu sou psicótico e não percebi que ainda estamos na década de 1940. Tudo que seja ou pareça de direita, ou seja ou pareça autoritário é rápida e maliciosamente classificado de fascista, livrando assim a pessoa que profere de se livrar do fardo de argumentar.
Direitos Animais - Bruno Müller

Além do Especismo e da Intersecção – PARTE I – Resposta a um Interseccional

Com este texto, e os próximos por vir, sinto que encerro um ciclo. Meu primeiro artigo publicado sobre direitos animais (conceito que eu, então, aplicava) tratava do processo da ONG ABC sem Racismo contra a ONG Holocausto Animal por divulgar dois cartazes, um em que corpos empilhados de judeus assassinados em campos de concentração eram postos ao lado de corpos empilhados de porcos, e outro em que um escravo negro e um cão amordaçados eram postos lado a lado. Um movimento, já diz o nome, tem uma direção, uma meta, um objetivo. Ele deve caminhar neste sentido. Tristemente, eu constato que, ativistas saíram, novos entraram, e o movimento andou em círculo. Continuamos a debater os mesmos temas, como se fossem mistérios insondáveis ou impasses teológicos dignos de um Concílio que impusesse, de cima para baixo, um dogma para desatar o nó que nos impede de seguir o nosso rumo. Pior: talvez mesmo tenha retrocedido – pois aquilo que foi um embate externo em 2007 é, agora, um embate interno. Subitamente o abolicionismo, seus fundamentos, sua narrativa e sua teleologia estão suspensos. O pós-modernismo enfim, finalmente, infelizmente, adentra o meio animalista.
Direitos Animais - Bruno Müller

Breve reflexão sobre o especismo para o Dia Mundial Vegano

Tenho constatado com preocupação a crescente onda de veganos se autoproclamando "antiespecistas". Por que isso seria preocupante? Porque me parece um princípio equivocado sobre o qual apoiar a nossa causa.
Em passeata na índia, ativistas lutam pelos direitos animais vestidos de animais e com cartazes na mão
Compaixão

Ativistas realizam grande marcha pelos direitos animais na Índia

Atriz indiana, Kitu Gidwani, diz que animais não são como plantas, que não possuem sistema nervoso central Em alusão ao dia Dia Mundial do Vegano,...