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sábado, dezembro 14, 2019
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Direitos Animais

Bruno Frederico Müller – Historiador, doutorando em História das Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Tradutor inglês-português, português-inglês. Co-editor e colaborador da Revista Eletrônica de Direitos Animais Pensata Animal. Vegano e ativista independente desde 2007, ministra palestras e faz ações de conscientização em prol do veganismo e direitos animais na cidade do Rio de Janeiro.

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Direitos animais - bruno müller

Debates interseccionais e Veganismo – Parte III – Não há caminho para o Veganismo: O Veganismo é o caminho

Certa vez escrevi um texto intitulado “Traçando o Limite”, dizendo que bem-estaristas não pertenciam ao movimento de direitos animais. Causou certo alarde. Muito tempo passou, e graças ao esforço de muitos, a infiltração bem-estarista está muito mais fraca no que hoje eu prefiro chamar de movimento abolicionista, movimento vegano ou simplesmente veganismo. Agora chegou o tempo de traçar o limite com os interseccionais. Não me entendam mal. Naquela época, como hoje, uma afirmação tão ousada, e um texto tão contundente, poderá causar mal-estar e até a ira em muitos. Eu tenho uma trajetória de estudos de movimentos sociais e defesa de direitos humanos. Eu posso falar sem imodéstia que fui o primeiro a escrever sobre liberdade animal e política dentro do veganismo brasileiro, a chamar a atenção para que combater uma forma de opressão supõe rejeitar todas as outras. E continuo tão firme quanto antes na defesa da dignidade inerente de TODAS as pessoas (humanas e não humanas) – ao contrário de muitos “novos movimentos sociais” que são seletivos nas suas solidariedades e relativistas em tantas outras – um prisioneiro, um torturado ou uma criança violada podem ter mais valor que outros na mesma situação, se o Estado ou a ideologia que desrespeitam a dignidade dessas pessoas for opressora ou “libertária”, inimiga ou amiga¹. Meu compromisso político não mudou uma linha desde a juventude, nem deixou jamais de se guiar por uma consciência universalista – não acredito em bons tiranos nem em relativismos. Então, não admito aulas de libertarismo em face do que vem a seguir.
Direitos animais - bruno müller

Debates interseccionais e Veganismo – Parte II – Elitismo e Fascismo: minimanual do usuário

Falácias ou: Como aprendi a me despreocupar e fugir do debate. Vamos começar a segunda parte consultando o Oráculo, o Dicionário Houaiss, para definir o que é uma falácia. Diz aquele que tudo vê e tudo sabe: Falácia: qualidade do que é falaz; falsidade. Ex.: sua afirmação é uma f. Rubrica: filosofia. no aristotelismo, qualquer enunciado ou raciocínio falso que entretanto simula a veracidade; sofisma. Existem vários tipos de falácias, com maior ou menor grau de sofisticação, e mesmo o mais arguto e honesto debatedor pode esbarrar em uma delas, de vez em quando. Aqui o que importa, porém, são dois dos tipos mais básicos e mais baixos e mais comuns. Trata-se do emprego palavras sem critério, sem nenhuma reflexão histórico-conceitual, simplesmente porque adquiriram valor pejorativo. Um modo fácil de desqualificar a posição ou pessoa de quem se discorda. Isso nos leva a dois tipos de falácia. Primeiro, um grande hit nas paradas de sucesso: o argumentum ad hominem. É quando você ataca a integridade pessoal do interlocutor, e não a validade das ideias que este propõe. O amplo uso da palavra “fascista” é um exemplo típico (embora pouco admitido) de argumentum ad hominem. Ou isto, ou eu sou psicótico e não percebi que ainda estamos na década de 1940. Tudo que seja ou pareça de direita, ou seja ou pareça autoritário é rápida e maliciosamente classificado de fascista, livrando assim a pessoa que profere de se livrar do fardo de argumentar.
Direitos animais - bruno müller

Debates interseccionais e Veganismo – Parte I – O Especismo está à porta

Um dos primeiros, senão o primeiro a comparar o Holocausto com o extermínio de animais, e os campos de concentração com as fazendas de gado e abatedouros, foi um judeu, o consagrado escritor Isaac Bashevis Singer, Nobel de Literatura em 1978, que emigrou da Polônia devido à crescente onda de antissemitismo naquele país, pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Foi Alice Walker, escritora igualmente laureada, ativista dos movimentos negro e feminista, que disse: “Os animais do mundo existem para seus próprios fins, não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens”. Walker era muito citada quando me tornei ativista, nos idos de 2007. Foi outra feminista, Carol Adams, que tentou relacionar a condição da mulher na nossa sociedade com o carnismo no livro A Política Sexual da Carne. Gary L. Francione, jurista e filósofo, escreveu um livro chamado Animals as Persons. Dizer que animais são pessoas significa dar-lhes o mesmo estatuto legal e moral de que desfrutam os seres humanos.
Direitos Animais - Bruno Müller

Veganos, às ruas – Um alerta e um incentivo

"Nosso único dever perante a história é reescrevê-la" Oscar Wilde Introdução: um pouco de história Estamos vivendo um momento histórico. Quantas vezes todos já não ouvimos esse...
DIREITOS ANIMAIS - BRUNO MÜLLER

O canto da baleia

Tentando desvendar em versos a memória e o canto de uma baleia que viu muitas de suas semelhantes ficarem prematuramente pelo caminho...
DIREITOS ANIMAIS - BRUNO MÜLLER

Os pioneiros do Polo Sul e o duplo sentido da “exploração”

Em 14 de dezembro de 2011 completam-se 100 anos da chegada da primeira expedição humana ao Polo Sul, comandada pelo norueguês Roald Amundsen. Um...
DIREITOS ANIMAIS - BRUNO MÜLLER

Humanidade e servidão: uma história de amor

“Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de...
DIREITOS ANIMAIS - BRUNO MÜLLER

Bin Laden e a vivissecção

Não, entre os crimes atribuídos a Osama bin Laden, reais ou fictícios, não está a vivissecção. Pelo menos, não que eu saiba. É que...
DIREITOS ANIMAIS - BRUNO MÜLLER

Direitos dos homossexuais e o que isso tem a ver com a nossa causa

No dia 5 de maio de 2010 o Supremo Tribunal Federal da República Federativa do Brasil tomou uma decisão histórica. A instância máxima do Poder Judiciário brasileiro decidiu pela extensão aos homossexuais dos direitos das uniões estáveis. Isso inclui muitos direitos importantes como herança, partilha de bens, seguro de vida, plano de saúde, dentre outros. O que isso significa?
Direitos Animais - Bruno Müller

O sentido do vegetarianismo – do vegetarianismo holístico aos direitos animais

O veganismo não é uma causa isolada. Não é a associação do veganismo com outras causas que se questiona, e sim a forma e o conteúdo dessas associações. Ao tanto falar em compaixão e “amor” pelos animais, os veganos, talvez sem consciência do próprio erro, limitam sua causa a uma inclinação do caráter. Aqueles “tocados” pela compaixão e o amor serão “despertos”, mas... e os outros? O veganismo torna-se uma epifania e é novamente reduzido a uma dimensão espiritual. Assim entendido, remove-se do veganismo seu componente ético e político, da justiça, da observação não de um ato de caridade, mas de um imperativo de respeito. A caridade é conservadora: ela não muda a ordem, não transforma a realidade, não liberta. Apenas alivia, momentaneamente, a dor e o sofrimento. Não admira que o movimento, então, receba a alcunha de “proteção animal” ou “bem-estar animal”.
Direitos Animais - Bruno Müller

A (re)definição de vegetarianismo: o horizonte dos direitos animais

A discussão acerca da proposta da Sociedade Vegana de um novo conceito, o “protovegetarianismo” e de uma definição mais rigorosa, e etimologicamente mais correta, do conceito de vegetarianismo, tem suscitado bastante polêmica no meio do movimento vegetariano e de defesa animal.
Direitos Animais - Bruno Müller

Vegetarianismo ético: um vegetarianismo integral

Tendo em vista a repercussão do meu último texto, antes de me voltar ao vegetarianismo holístico, faço alguns esclarecimentos e comentários baseados na réplica...