terça-feira, setembro 17, 2019

Gatos e gestantes podem conviver em paz

Nunca vi um animal doméstico tão estigmatizado quanto o gato. Não só ele é classificado como interesseiro e azarento por muita gente mal informada, como é protagonista de uma musiquinha infantil bem infeliz, que instiga a violência nas crianças, e pior: é acusado de transmissor de doença. Estou falando da toxoplasmose, doença que o gato pode transmitir para gestantes.

A alienação moral carnista que desassocia produto de produção

Algo curioso na mentalidade de quem consome alimentos de origem animal, especialmente carne, é o contraste entre o uso de expressões que associam a pecuária e os matadouros a algo ruim e o consumo despreocupado daqueles alimentos que dependem de ambos para serem produzidos e servidos. Frases como “Aquele lugar parece um matadouro de tão nojento!” e “Não aguentamos mais ser tratados como gado!” refletem claramente imagens negativas sobre a origem das carnes e o destino mesmo das fêmeas ditas “leiteiras” e “poedeiras”, mas nem por isso as pessoas deixam de se apegar a alimentos com origens tão negativadas culturalmente. Isso muitas vezes acontece graças à desassociação cultural, psicológica e moral entre as carnes e demais alimentos de origem animal e as suas origens, tal como é demonstrado pela diferenciação na língua inglesa entre os nomes dos animais abatidos e os das carnes que eles forçadamente originam. Nesse idioma, o beef é a carne do boi (ox, bull, cattle), o pork é a carne do porco (pig), o chicken é a carne do frango (poultry) etc.

A abolição da escravatura "moderna"

Alguns anos antes da abolição da escravatura no Brasil em 1888, conforme o ambiente social e contexto histórico, muitas pessoas talvez se chocassem e até achassem um absurdo alguém propor o fim da escravidão dos negros, o fim das senzalas, dos quilombos, do pelourinho e defender que a cor da pele não servisse de motivo para que seres sensíveis não tivessem direitos, fossem desrespeitados e feridos em sua dignidade.

Além do Especismo e da Intersecção – PARTE I – Resposta a um Interseccional

Com este texto, e os próximos por vir, sinto que encerro um ciclo. Meu primeiro artigo publicado sobre direitos animais (conceito que eu, então, aplicava) tratava do processo da ONG ABC sem Racismo contra a ONG Holocausto Animal por divulgar dois cartazes, um em que corpos empilhados de judeus assassinados em campos de concentração eram postos ao lado de corpos empilhados de porcos, e outro em que um escravo negro e um cão amordaçados eram postos lado a lado. Um movimento, já diz o nome, tem uma direção, uma meta, um objetivo. Ele deve caminhar neste sentido. Tristemente, eu constato que, ativistas saíram, novos entraram, e o movimento andou em círculo. Continuamos a debater os mesmos temas, como se fossem mistérios insondáveis ou impasses teológicos dignos de um Concílio que impusesse, de cima para baixo, um dogma para desatar o nó que nos impede de seguir o nosso rumo. Pior: talvez mesmo tenha retrocedido – pois aquilo que foi um embate externo em 2007 é, agora, um embate interno. Subitamente o abolicionismo, seus fundamentos, sua narrativa e sua teleologia estão suspensos. O pós-modernismo enfim, finalmente, infelizmente, adentra o meio animalista.

Deixem os animais em paz

Queremos as onças lindonas, assim. Tranquilas em suas casas. Queremos vê-las, ao menos as poucas que restam, desfilando sua formosura à vontade, livres nas florestas. Queremos apreciá-las, quando possível, tomando um banho de sol gostoso, refrescando-se nos rios, dormindo preguiçosamente, cuidando de seus filhotes... De preferência, do modo mais discreto possível, sem apoquentá-las. Queremos ver os animais todos onde a natureza os fez nascer e não enfiados em eventos esportivos, arenas, cubículos, jaulas, tanques ou onde mais infernos o ser humano inventou que eles devem estar. Queremos menos sangue derramado no mundo. Queremos é poder compartilhar boas ações, novas conquistas humanitárias e pelos animais. Queremos um planeta vivo novamente.

Acervo Animalista na Escola

Durante o ano letivo tenho como material de apoio algumas obras muito conhecidas dos teóricos brasileiros da causa animalista. Cito essas obras, uso excertos ou capítulos inteiros, indico resenhas e apresento minhas leituras pessoais. Isso é a base para debates, discussões, críticas e dúvidas durante as aulas.

Habeas Corpus nas Américas

O debate que se leva a cabo na corte Suprema de Nova Iorque pelos Direitos que dois chimpanzés – Hércules e Léo – possuem de viver livres, com seus iguais, num Santuário em Florida, em vez de ficarem a vida toda em jaulas em um centro de experimentação biomédica da Universidade Stony Brook, pode terminar no reconhecimento norte-americano dos direitos básicos dos Grandes Símios. A juíza Barbara Jaffe aceitou o pedido de Habeas Corpus apresentado em nome dos chimpanzés pela Organização Nonhuman Rights Project (Projeto de Direitos para os não Humanos) em forma temporária, solicitando que a Universidade se pronuncie e justifique a necessidade de manter prisioneiros os dois chimpanzés inocentes.

Certos gritos não podem ser ouvidos

Um mar de sofrimento. Escravidão, contaminação e o esgotamento dos nossos oceanos. As questões “ocultas” da Industria Pesqueira.

Educação sob ataque reacionário: a censura ao professor vegano em Minas Gerais

Chocou milhares de pessoas a notícia, nesta semana, de que o professor vegano-abolicionista de Filosofia Leon Denis foi dispensado da escola pública em que ensinava na cidade de São João Evangelista/MG, e proibido de lecionar por três anos em Minas Gerais, por motivos de censura ideológica. O caso é extremamente preocupante, já que reflete um quadro de ameaça conservadora à autonomia pedagógica e aos direitos e liberdades de professores e alunos.

De teses em animais e coisificação de humanos

Nesta segunda-feira, 19 de março, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul vai sediar o primeiro Simpósio Internacional de Animais de Laboratório, ministrado...

Elementos para uma educação humanitária

Ensinar sobre direitos dos animais nos dias de hoje não é uma tarefa difícil. Só temos que nos conscientizar de que este assunto está...

Dizer adeus

Muitos animais se afastam para morrer. Chega um dia em que eles, doentes ou bem idosos, saem de cena para nunca mais voltar. E tudo o que restará, então, será a lembrança dos afetos na memória dos que ficam. Porque é assim a lei da vida em seu eterno ciclo. Mas como esquecer do nosso velho cão que se encolheu, de modo definitivo, no fundo do quintal? E daquele gato ferido que se perdeu para sempre nos telhados vizinhos? Como não presumir a anunciada despedida do bicho silvestre que se desgarra de seu grupo social? Pássaros que amanhecem desmanchados no asfalto, borboletas despetaladas sobre a grama do jardim, baleias encalhadas à beira-mar, tudo parece seguir um curso predeterminado. Acaso teriam os animais percepção da própria finitude? Será que o isolamento voluntário não significa um comportamento instintivo revelador? Confesso que nada sei sobre essas questões biológicas ou filosóficas, podendo apenas - quando muito – intuí-las. Há quem diga, também, que a morte de qualquer criatura senciente pode advir de estados mentais depressivos. Animal ou gente, pouco importa, a tristeza prolongada atinge todos sem distinções.