Ganância humana

Empresas de mineração chinesas no Zimbábue representam risco para espécies ameaçadas, dizem especialistas

Duas empresas conseguiram permissão para esvaziar terras no parque nacional Hwange, lar de guepardos, elefantes e rinocerontes

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Rinocerontes, girafas, guepardos e outras espécies ameaçadas enfrentam uma nova ameaça no parque nacional Hwange, no Zimbábue: empresas de mineração chinesas.
O Grupo de Mineração de Carvão de Zhongxin e a Fundição Afrochine receberam permissão do governo para iniciar avaliações de impacto ambiental para perfuração, desobstrução de terras, construção de estradas e realização de levantamentos geológicos em dois locais propostos dentro do parque, que abriga quase 10% dos elefantes selvagens remanescentes da África.

Se isso levar a uma nova mina, os conservacionistas advertem que poderá causar o encolhimento e a perturbação do habitat de muitas espécies raras, incluindo rinocerontes negros, pangolin e cães pintados, e devastará o turismo de safári, que é uma fonte vital de renda para a população local.

O parque Hwange, que é do tamanho da Bélgica, possui a maior diversidade de mamíferos entre os parques nacionais do mundo.

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Este é um dos maiores parques de caça do mundo e as minas estariam em uma das áreas mais intocadas do parque. A última população de rinocerontes negros no Parque Hwange vive na região, assim como 10.000 elefantes e 3.000 búfalos”, disse Trevor Lane, que trabalha para o fundo Bhejane Trust em Hwange há mais de uma década.

“Se a mineração for em frente, será o fim do parque. Isso mataria a indústria turística que vale centenas de milhões de dólares.”

Ele contou que tem esperança de que o projeto seja arquivado, mas alertou que haverá protestos caso ele avance. “Eu sou cauteloso nesta fase inicial. Vamos ver o que o governo diz. Mas muitas pessoas estão prontas para agir se isso for adiante. Haveria uma grande campanha contra isso.

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A proposta de exploração de carvão envolveria prospecção geoquímica e geofísica e construção de campos móveis ao longo da estrada para o Acampamento Sinamatella na Área de Safári de Deka, de acordo com documentos acessados pelo jornal The Guardian.
A SustiGlobal, consultoria que está conduzindo a avaliação do impacto ambiental, disse que o Ministério de Minas aprovou um prospecto inicial para exploração dentro do perímetro do parque, o que normalmente é proibido.

“Passamos da fase do prospecto”, disse Oliver Mutasa, consultor ambiental chefe da SustiGlobal. “Estamos agora realizando uma avaliação de impacto ambiental e recebendo comentários de várias partes interessadas. Depois disso, vamos aguardar a permissão do Ministério antes da perfuração.”

A mídia local diz que as concessões de mineração foram pessoalmente concedidas pelo presidente do país, Emmerson Mnangagwa, que já expressou forte apoio ao carvão. Este ano, ele visitou o canteiro de obras de uma usina termelétrica em Hwange, cuja inauguração está prevista para outubro.

Conservacionistas dizem que os pesquisadores começaram a colher amostras, o que não deveria ser permitido antes da avaliação ambiental. Há um mês, a equipe de monitoramento de rinocerontes do fundo Bhejane Trust disse que se deparou com uma equipe chinesa perfurando para extrair carvão sem consulta prévia com o gerente da área.
Existem várias minas abertas fora do parque, e um método semelhante de extração poderia ser aplicado dentro do perímetro onde acredita-se que os depósitos de carvão estão perto da superfície.

Mutasa disse que tal especulação é prematura: “As propostas são apenas para exploração”. Os furos nos dirão onde está o mineral e determinarão que tipo de mina e que quantidades.”

Operadores de safári e grupos de conservação alertam que qualquer tipo de mina prejudicaria o ambiente.

Stephen Long, do Bhejane Trust, que trabalha com a National Parks and Wildlife Management Authority (Autoridade Nacional de Gestão de Parques e Vida Selvagem) do Zimbábue na conservação da área de Hwange, disse que as minas trariam ruído e poluição.
“Já há muitos empreendimentos chineses de carvão na área de Hwange, fora do parque e em sua grande parte, são altamente poluentes. A qualidade do ar em partes de Hwange deve ser tão ruim quanto a maioria das grandes cidades, provavelmente pior, e é difícil afastar a impressão de que os chineses já poluíram seu próprio país e agora estão exportando sua poluição para países pobres como o nosso. É improvável que os zimbabuanos tenham muitos benefícios com as minas”, disse ele.

“Quando o resto do mundo está parando de utilizar o carvão e reconhecendo a emergência climática, por que o Zimbábue está expandindo o uso do material e planejando, de acordo com o presidente, [usá-lo] por muitas décadas?”

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Moradores da vila de Lukosi, em Hwange, teriam apresentado uma petição este ano reclamando da poluição do ar e da água por outras empresas de mineração ao longo da estrada Nekabandama e na nascente do rio Deka.


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