Mudança de hábitos

Abandonar o consumo de carne pode economizar até 16 anos de emissão de CO2 até 2050

Reduzir a produção de carne também seria benéfico para a qualidade e a quantidade da água, para habitats nativos e para a biodiversidade.

Pixabay
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A eliminação de produtos como carne e laticínios pode remover até 16 anos de emissão de CO2 até 2050, de acordo com um novo estudo.

O estudo, intitulado “O custo da oportunidade de carbono ao utilizar comida de fonte animal produzida na terra”, foi publicado na revista Nature Sustainability.

Oportunidade de carbono

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De acordo com o resumo do estudo: “O uso extensivo da terra para atender às preferências alimentares fica sujeito ao ‘custo da oportunidade do carbono’, dado potencial de economia do carbono através da restauração do ecossistema.”

“Aqui, nós mapeamos a magnitude dessa oportunidade, chegando à conclusão que mudanças na produção global de comida para dietas a base de plantas até 2050 podem levar a uma economia de 332-547 giga toneladas de CO2, equivalente a 99-163% das emissões de CO2 que consistem em 66% de chance de limitar o aquecimento global a 1.5°C.

“Fome de terra”

Cerca de 83% das terras agrícolas ao redor do mundo são utilizadas para produção de carne e laticínio – mas isso produz apenas em torno de 18% da dieta calórica – o que se transforma no uso ineficiente da terra.

Como resultado, os cientistas dizem que substituir o consumo de carne por comidas como feijões e legumes em larga escala seria mais eficiente em combater a crise climática do que tecnologias como extratores de CO2 da atmosfera, que eles descrevem como “não comprovados”.

Olhando para mapas globais, o autor do artigo e cientista ambiental da Universidade de Nova York, Matthew Hayek, e seu time, identificaram áreas onde vegetais nativos têm sido abandonados para criar espaço para alimentos de origem animal.

Eles deduziram que diminuir significativamente a demanda de produção de carne e deixar novamente vegetais crescerem nessas áreas poderia ajudar a economizar algo entre 9 e 16 anos de emissões até 2050 – e, ainda, ter menos impacto na qualidade dos alimentos.

Maior potencial

Professor Hayek diz: “O maior potencial em regeneração de florestas, e os benefícios climáticos que ele envolve, existe em países de rende alta e média alta.”

“Nós apenas mapeamos áreas onde as sementes poderiam se dispersar naturalmente, crescendo e se multiplicando em florestas densas e com grande biodiversidade e em outros ecossistemas que funcionam na remoção do dióxido de carbono para nós.”

Ele adicionou que os resultados identificaram mais de 7 milhões de quilômetros quadrados, onde “florestas seriam úmidas o suficiente para regenerar e florescer naturalmente uma área do tamanho da Rússia.”

“Tempo muito necessário”

Ele acrescentou: “Nós podemos mudar nossos hábitos alimentares em direção à dietas favoráveis à terra como um suplemento para realocação de energia, mais que uma substituição.”

“Restaurar florestas nativas poderia nos comprar algum tempo necessário para os países transferirem suas redes de energia para uma infraestrutura renovável e livre de fósseis.”

Muitos benefícios

William Ripple da Universidade do Estado de Oregon em Corvallis, autor do estudo, acrescentou: “Reduzir a produção de carne também seria benéfico para a qualidade e quantidade da água, para habitats naturais e para a biodiversidade.”

A coautora Helen Harwatt, da Escola de Direito de Harvard, diz: “Nós agora sabemos que ecossistemas intactos e funcionais e habitats apropriados de vida selvagem ajudam a reduzir o risco de pandemias.”

“Quando acoplado à redução da população bovina, a restauração reduz a transmissão de doenças da vida selvagem para porcos, galinhas e vacas e, finalmente, para humanos.”


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