PROTEÇÃO ANIMAL

PL que proíbe piercings e tatuagens em animais é aprovado em Maringá (PR)

Mariana Dandara | Redação ANDA

O projeto visa proteger os animais de maus-tratos, impedindo que sejam submetidos a sofrimento desnecessário


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Modelo foi criticada após tatuar gato: ‘isso é violência, você merece ser presa’ (Foto: Reprodução/Instagram/Elena Iwanickaya)tatuado

A Câmara Municipal de Maringá, no Paraná, aprovou um projeto de lei que proíbe a realização de piercings e tatuagens em animais domésticos. Vítimas do ego humano, cães e gatos sofrem sendo perfurados e tatuados para atender a anseios de tutores e tatuadores.

Debatida na última quinta-feira (10), a proposta foi aprovada em primeira discussão e deve ser novamente analisada antes de ser submetida ao crivo do prefeito, que poderá decidir pela sanção ou pelo veto.

De autoria do vereador Flávio Montovani (Rede), o projeto visa proteger os animais de maus-tratos, impedindo que sejam submetidos a sofrimento desnecessário. De acordo com o autor da medida, ainda não foram registrados casos de animais domésticos tatuados ou perfurados com piercings em Maringá. Ainda assim, segundo ele, se faz necessário criar uma lei para que o poder público se antecipe aos possíveis casos que podem surgir.

O texto da proposta enquadra os tutores que desrespeitarem a proibição na lei que pune maus-tratos a animais. Em decorrência disso, os infratores poderão ser multados em R$ 2 mil pela Prefeitura de Maringá.

De acordo com a médica veterinária Flávia Clare, as tatuagens não só são dolorosas, como podem levar o animal a desenvolver doenças. “Eu não concordo em tatuar os animais porque é unicamente estética. Você tá agredindo a pele desses animais, porque eles podem desenvolver doença alérgica, fazer uma dermatite alérgica e você vai ter que usar medicação para tratá-lo. Pode necrosar aquela pele. Então, assim, a minha opinião pessoal é que não é correto tatuar os animais”, argumentou ao G1.

No estado do Rio de Janeiro e no Distrito Federal, propostas semelhantes foram aprovadas. A proibição a nível nacional também é discutida no Congresso.

A exploração animal e a incoerência humana

A prática de tatuar e perfurar animais teve início principalmente na agropecuária. Bois, cabras e porcos estão entre os animais que são identificados através de brincos e tatuagens que surgiram para substituir a marcação a ferro e fogo – que, embora tenha sido substituída pelas tatuagens em alguns locais, ainda é bastante utilizada.

Todas essas práticas dolorosas são feitas nos animais explorados para consumo humano sem qualquer tipo de anestesia. Nenhuma delas, no entanto, é alvo de projetos de lei que visam extingui-las. Pelo contrário, são feitas com a anuência do Estado.

Marcação: procedimento padrão, a marcação é feita com barras de ferro aquecidas no fogo. As vacas e bois que são queimados sentem extrema dor e ficam com feridas não tratadas propícias para o surgimento de infecções (Foto: Reprodução/Animal Equality)

O chamado “bem-estar animal” amplamente divulgado pela agropecuária como forma de convencer a sociedade de que os animais mortos para consumo são bem tratados não passa de uma falácia, já que não é possível promover bem-estar a um animal enquanto ele é tatuado, queimado com ferro quente e perfurado para a colocação de um brinco.

Lamentavelmente, as mesmas ações condenadas pela sociedade quando realizadas em cachorros e gatos, são normalizadas quando as vítimas são bois, porcos, cabras ou qualquer outro animal que vive uma vida miserável para, depois, ser morto de maneira cruel e covarde.

Aqueles que defendem a agropecuária e condenam piercings e tatuagens em animais domésticos argumentam que queimar, tatuar e perfurar bois é necessário, pois há nesse ato uma utilidade – a de identificar animais que depois serão mortos para consumo. Quando as vítimas são os cachorros e gatos, a justificativa é de que perfurá-los e tatuá-los são atos meramente estéticos – portanto, sem utilidade – e que fazem mal à saúde deles e, por isso, devem ser proibidos.

Tatuagem usada para marcar a orelha de bois submete animais à dor (Foto: Reprodução)

Esses argumentos, no entanto, não revelam nada além da incoerência humana. Para prová-la, basta comparar o Brasil com países onde cachorros e gatos são mortos para consumo. Um brasileiro que defende a agropecuária e ama animais domésticos jamais diria que é aceitável tatuar e perfurar cães na China porque lá esse ato teria uma utilidade, já que eles são mortos para consumo. Esse modo de pensar revela que a defesa à agropecuária não se dá porque “há utilidade nos bois”, mas sim porque humanos separaram, de maneira especista, animais que merecem amor e os que merecem apenas dor e sofrimento.

Em prol do próprio paladar, as pessoas escolhem condenar milhares de animais a extremo sofrimento enquanto afagam cachorros e gatos e usam como desculpa o argumento de que bois têm a utilidade de serem mortos para consumo apenas para não admitirem que, no que se refere à condição de ser vivo senciente, todos os animais são iguais e tratá-los como dignos de sofrimento ou de amor é uma escolha humana.

Bois têm suas orelhas perfuradas para a colocação de brincos de identificação (Foto: Pixabay)

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