RETROCESSO

Governo de SP realiza nova tentativa de privatizar o Parque da Cantareira

Mariana Dandara | Redação ANDA

Enquanto foca em entregar unidades de conservação à iniciativa privada, o governador do estado, João Doria, realiza corte de verbas orçamentárias do setor do meio ambiente, que consome menos de 0,5% do orçamento de São Paulo


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Trilha dentro do Parque da Cantareira (Foto: Reprodução/ALESP)

O Governo do Estado de São Paulo lançou um edital na última quarta-feira (9) para privatizar o Parque Estadual da Cantareira. Trata-se da segunda tentativa de entregar a unidade de preservação à iniciativa privada – a primeira, em 2019, não seguiu adiante por falta de interessados. A proposta inclui ainda o Parque Estadual Alberto Löfgren, o Horto Florestal, no pacote.

Desde 2016, sob gestão do então governador Geraldo Alckmin (PSDB), o Parque da Cantareira está sob o alvo de políticos focados na privatização de parques que, por pertencerem ao estado, são de propriedade do povo brasileiro. Na época, Alckmin planejava privatizar 25 unidades de conservação – planos que contrariam orientações de ambientalistas e ativistas ligados a causas sociais. Um dos parques que foi efetivamente entregue a uma empresa é o de Campos do Jordão, privatizado em 2019.

Tombados pelos conselhos Municipal e Estadual de Defesa do Patrimônio, o Horto Florestal e o Parque da Cantareira são lares de diversas espécies de animais e plantas que estão sob ameaça de extinção e juntos abrangem cerca de 8 mil hectares de Mata Atlântica. Desses, aproximadamente 300 hectares destinados à visitação pública são alvo da política de concessão.

O bicho-preguiça é um dos animais que vivem no Parque da Cantareira (Foto: Reprodução/ALESP)

Enquanto foca em entregar unidades de conservação à iniciativa privada, o governador do estado, João Doria, realiza corte de verbas orçamentárias do setor do meio ambiente, que consome menos de 0,5% do orçamento de São Paulo. O argumento de Doria é de que conceder os parques a uma empresa garantirá investimento no ecoturismo, o que atrairia mais visitantes. Essas medidas, entretanto, poderiam ser executadas pelo poder público caso Doria não reduzisse o orçamento da área e desistisse de extinguir instituições importantes como a Fundação Florestal.

Além disso, o edital permite que a futura concessionária realize a cobrança de ingressos aos visitantes e também os faça pagar por outros serviços prestados. Com isso, o acesso a essas áreas seria ainda mais desigual do que já é, visto que a maior parte da população não teria condições financeiras para arcar com os valores cobrados.

Entrada do Parque da Cantareira (Foto: Reprodução/ALESP)

Apenas em 2021, a política privatizadora de Doria levou à concessão do Zoológico de São Paulo, do Jardim Botânico, e do Núcleo Caminhos do Mar, no Parque Serra do Mar. Pelas duas primeiras instituições, o governo do estado recebeu R$ 111 milhões, e R$ 4 milhões pelo Núcleo Caminhos do Mar.

Ativistas e especialistas em direito animal e ambiental criticam as concessões e reforçam que entregar reservas ambientais e zoológicos à iniciativa privada colabora para o aumento da exploração animal e ambiental.


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