SAUDADE

Campanha arrecada fundos para que cão possa viajar para reencontrar família

Mariana Dandara | Redação ANDA

O cachorro está com protetoras de animais na Praia Grande, no litoral de São Paulo, e precisa de ajuda para ir até o Nordeste, onde está sua família


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Foto: Arquivo pessoal

O cão Mailon sofreu nas ruas após fugir da casa onde estava sendo mantido temporariamente e, depois de superar essa difícil fase, agora enfrenta dificuldades para reencontrar sua família, da qual está separado por milhares de quilômetros de distância.

Resgatado pela artesã e atendente de telemarketing Helen Baum, de 49 anos, e a confeiteira Miriam Reis, 42, o cachorro viveu em situação de rua após seus tutores, que estavam desempregados, o deixarem sob os cuidados de uma familiar para que eles pudessem buscar novas oportunidades de emprego no Nordeste.

A intenção da família era levar o cachorro para o Nordeste após a situação financeira se estabilizar. Antes disso, porém, Mailon fugiu. Ele foi resgatado pelas protetoras após passar mais de um mês em frente à casa onde morava com seus tutores.

O caso do cachorro gerou repercussão nas redes sociais não só pelo amor de Mailon por sua família, mas também por ameaças de vizinhos que diziam que o envenenariam. Insatisfeitas com a presença do cão, pessoas que moram na região estavam arremessando pedras no animal.

Preocupadas, Helen e Miriam decidiram resgatar o cachorro. Juntas, elas criaram um abrigo improvisado para animais resgatados e passaram a ajudar famílias em situação de vulnerabilidade. Ariele net, elas foram cestas básicas para três famílias, que também recebem doações de itens usados pelos animais que elas tutelam.

Uma dessas famílias é composta por Rosiane Cardoso de Jesus e seu filho Paulo Emanuel Jesus Souto. Em troca da ajuda que recebem das protetoras, os dois cuidam de cães resgatados pela dupla. Um deles é Mailon. “A Rosi cozinhava em latas com álcool antes de nos conhecer. Compramos gás e mistura, uma cesta básica. Cuidamos das necessidades dela e do filho, e em troca, eles cuidam muito bem dos nossos cachorros”, disse Helen ao dar detalhes sobre o caso ao jornal A Tribuna.

A parceria é realizada com muita dedicação por Rosi é seu filho, conforme relatado pelo próprio rapaz. “Cuidamos deles [dos cães] até arrumarem doadores, com muito amor. Minha mãe estava pedindo ajuda em um grupo do Facebook quando conheceu a Helen e a Miriam. Elas tiveram essa ideia pelo amor que temos por cachorros e pelo tamanho do ambiente”, explicou Paulo.

No caso de Mailon, Helen e Miriam não sabiam qual era a história do cachorro, mas a repercussão do caso nas redes sociais permitiu que o histórico do animal fosse descoberto. Isso porque as publicações chegaram ao conhecimento de Maria da Paz, de 39 anos. Tutora do cachorro, ela fez contato com as protetoras e revelou que o animal estava na rua porque tinha fugido do lar temporário. Após demonstrar interesse em trazer o cão para perto de si, Maria pediu ajuda para os custos da viagem de Mailon. Para arrecadar fundos, uma vaquinha foi criada na internet e uma campanha de mobilização virtual foi iniciada.

“É o nosso sonho ter um abrigo”

Com poucos recursos, Helen e Miriam se desdobram para salvar vidas e sonham com o dia em que terão um abrigo para acolher animais abandonados.

“As ONGs estão lotadas, e eu e a Miriam fazemos esse trabalho voluntariamente, mas a ajuda que recebemos é bem pouca. Além de ração, precisamos de vermífugo, vacinas, remédios para pulgas e carrapatos. O que recebemos é pouco, por isso não conseguimos fazer mais”, desabafou Helen. No começo de maio, haviam resgatado outros três cães abandonados no meio da mata, no Jardim Princesa.

“Estávamos com a ideia de montar um canil na casa da Rosi, pois muitas pessoas nos marcam em publicações de resgate. Infelizmente, não temos condições para isso no momento, pois ajuda efetiva é bem rara”, completou.

A construção de um abrigo, no entanto, não é o único desejo das protetoras, que também pretendem ajudar mais famílias em situação de vulnerabilidade, colaborando para uma melhor qualidade de vida para as pessoas e impedindo que elas abandonem seus animais por falta de condições para criá-los.

“É o nosso sonho ter um abrigo, com certeza, e também ajudar outras famílias. Vemos a necessidade de ajudá-los a terem seu próprio sustento. Por isso, também temos um outro projeto de abrir uma escola para ensinar a fazer pães, salgados, bolos, trabalhar com decoração de bolos de festa, enfim. A gente tem que achar um meio para que essas famílias tenham o próprio sustento. Junto com o trabalho da confeitaria, faremos uma sala para a Helen ensinar a fazer casinhas e roupas para animais”, disse Miriam.

Abertas a doações, as protetoras aceitam ração, medicamentos de uso veterinário, além de precisarem de uma cerca e de apoio por meio do serviço de carreto. Interessados em colaborar entregando os produtos presencialmente, fazendo serviços voluntários ou ainda realizando transações bancárias devem entrar em contato através dos telefones (13) 99603-8350 (Helen) e (13) 98144-8653 (Miriam). As protetoras se encarregam de buscar doações em bairros de Praia Grande, São Vicente, Santos e Mongaguá.


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