CRISE CLIMÁTICA

ONU pede aos governos que redirecionem subsídios prejudiciais para benefício do planeta

Tainá Fonseca | Redação ANDA

O chefe da cúpula de biodiversidade de Kunming pede às nações que revejam o apoio destrutivo à pesca, agricultura e outras indústrias


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Foto: Pixabay

Bilhões de libras de subsídios governamentais prejudiciais ao meio ambiente devem ser redirecionados para beneficiar a natureza, disse o chefe de biodiversidade da Organização das Nações Unidas, antes do recomeço das negociações de um acordo internacional para estabelecer novas metas.

Elizabeth Maruma Mrema, a secretária executiva da Convenção de Diversidade Biológica da ONU, afirmou que os estados devem revisar e adaptar seu suporte à agricultura, pesca e outras indústrias que estão causando a destruição do mundo natural, e adotar políticas que se compactuam com as necessidades humanas enquanto conservam a saúde do planeta.

Cada ano, governos de economias grandes ou emergentes fornecem US$345 bilhões em subsídios agrícolas potencialmente prejudiciais, de acordo com o OECD. Um relatório de 2019 descobriu que o público fornece mais de US$1 milhão por minuto para o uso excessivo de fertilizantes, desflorestamento para a expansão das fronteiras agrícolas e criação de gado.

A falha em remover esses subsídios foi uma das 20 metas de biodiversidade que o governo de Aichi falhou em cumprir, e Mrema afirmou que a comunidade internacional precisa levar isto a sério junto com o aumento de áreas protegidas.

“A população humana está crescendo. Isso é um fato. E estatísticas indicam claramente que nós precisamos de mais comida e recursos. Tudo isso pode ter um impacto na biodiversidade,” ela anunciou. “Há recursos – particularmente subsídios insustentáveis – o que poderia ser redirecionado a operações mais verdes.”

“Não é apenas a produção de alimentos. É a produção agrícola. Será que nós nos perguntamos: essa camisa que estou comprando, ela é feita de algodão sustentável? Os móveis que tenho em casa, são feitos de madeira sustentável?” Mrema adiciona.

Os comentários surgem no momento em que negociações no estilo parisiense em prol da natureza recomeçam na segunda-feira, após meses de atraso devido à pandemia. Num árduo calendário, delegações e especialistas se encontrarão virtualmente seis dias na semana por três horas até 13 de Junho para conversas sobre os elementos científicos e financeiros do acordo. Em Outubro, negociações finais estão marcadas para acontecer em Kunming, China, para discutir um acordo nas metas de biodiversidade para esta década.

O Brasil foi acusado de tentar obstruir procedimentos pela sua oposição às negociações online, levantando a preocupação de que erros de conexão com a internet podem deixar nações em desenvolvimento em desvantagem. O Guardião entende que um esforço diplomático chinês por trás das câmeras encorajou o Brasil e outros a fazerem parte de negociações no entendimento de que isso não abre um precedente.

Li Shuo, um consultor político da Greenpeace China, afirmou que o governo chinês está empenhado em garantir o sucesso das negociações e pediu a Beijing que resolvesse quaisquer problemas maiores em Kunming ainda este ano.

“O governo chinês trabalhou duro em primeiro lugar para conseguir hospedá-los. Eles genuinamente queriam projetar uma imagem mais verde,” Li disse. “Uma coisa que as pessoas realmente precisam entender é que, em comparação com as negociações sobre o clima, Kunming é mais vulnerável a mudanças impostas pela pandemia. O resultado requer negociações multilaterais desde o começo.”

“Nos próximos meses, será muito importante identificar os pequenos problemas cruciais que provavelmente não serão resolvidos até as últimas 48 horas de Kunming. Eles precisam utilizar energias políticas para tentar resolver esses problemas,” Li adicionou.

Antes das negociações, os CEOs das maiores organizações de conservação – incluindo a WWF, Birdlife International e o World Resources Institute – estão alertando os governos a concordar com metas focadas para a natureza em Kunming que o público e as empresas possam apoiar, semelhante ao objetivo do acordo de Paris para manter o aquecimento global abaixo de dois graus.

Existem medos que os quatro objetivos e as 20 metas do proposto acordo de Kunming são muito disparates, abrangendo ações sobre pesticidas, poluição de plástico, espécies invasivas e áreas protegidas, e devem ser resumidas em um simples, facilmente reconhecido objetivo: atingindo um mundo ambientalmente correto.


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