REAPROVEITAMENTO

Especialistas exigem obrigatoriedade da reciclagem de produtos contendo metais raros

Fiona Harvey (The Guardian) | Traduzido por Luna Mayra Fraga Cury Freitas


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Foto: Ilustração | Pixabay

Unidades de Disco, placas de circuito, lâmpadas fluorescentes e baterias para veículos elétricos podem estar entre os produtos afetados.

Elementos raros como índio, ítrio, neodímio, cobalto e lítio são vitais para a produção de tecnologia de baixo carbono, mas muitos estão sendo jogados fora por causa da falta da obrigatoriedade de reciclá-los, alertaram especialistas do setor.

A preocupação com o fornecimento futuro de tais elementos está crescendo, já que a mudança para a tecnologia verde – incluindo veículos elétricos, painéis solares e aquecimento de baixo carbono – exigirá volumes muito maiores de minérios raros e outras matérias-primas escassa.

Especialistas do setor estão demandando regras mais rígidas sobre reciclagem, em um relatório do Cewaste Project, um projeto de dois anos financiado pela União Europeia (UE) como parte de seu programa de pesquisa e inovação de 2020, batizado Horizon. Os autores examinaram o que acontece com esses materiais atualmente, e seu potencial de oferta e custo futuros.

A reciclagem deve ser obrigatória para as matérias-primas escassas presentes nas placas de circuito; ímãs usados em unidades de disco e em veículos elétricos; baterias para veículos elétricos; e lâmpadas fluorescentes, concluíram.

Pascal Leroy, diretor-geral do Fórum WEEE (da Associação Internacional de Responsabilidade das Organizações dos Produtores de Resíduos Eletrônicos), uma das organizações por trás do relatório publicado na segunda-feira, disse: “O fornecimento desses materiais não está garantido – por exemplo, alguns vêm de países onde há instabilidade política. Entretanto, parte desses materiais são essenciais [para a tecnologia verde no futuro]. Isso deve ser regulado através de normas obrigatórias.”

Embora metais relativamente baratos, como cobre, ferro e até platina sejam frequentemente reciclados, metais raros são ignorados ou jogados fora, porque muitas vezes são usados em pequenas quantidades de forma que os recicladores consideram a recuperação destes materiais muito cara para valer a pena.

No entanto, as incertezas sobre a oferta futura desses materiais e o rápido aumento da demanda, impulsionado pela necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, poderiam forçar uma crise de oferta no futuro para materiais essenciais, o que não só aumentaria os preços, mas poderia ser altamente prejudicial para fomentar uma economia verde, descobriram os autores do relatório.

Esperar por tais aumentos de preços para tornar a reciclagem economicamente vantajosa deixaria os fabricantes altamente vulneráveis a choques de preço no futuro, disseram eles.

Federico Magalini, diretor-gerente da empresa Sofies UK, consultoria envolvida no relatório da Cewaste, disse: “Se deixarmos isso ser conduzido como é feito usualmente nos negócios, dissiparemos os materiais e em 20 anos teremos uma escassez. O incentivo econômico para reciclar alguns materiais está faltando atualmente.”

As pequenas quantidades de materiais raros presentes em produtos finais significam que a reciclagem de alguns materiais poderia ser concentrada em um pequeno número de instalações fabris. Por exemplo, a Europa precisaria de apenas um punhado de fábricas para recuperar pós fluorescentes de todas as lâmpadas usadas em todo o continente.

Os esforços de reciclagem tendem a se concentrar em metais de alto volume e mais fáceis de reciclar, como ferro, alumínio e cobre. Na UE, as metas regulatórias são baseadas em peso e volume, por isso há pouco incentivo para os recicladores buscarem os pequenos volumes de metais raros, apesar do seu valor.

A Agência Internacional de Energia (AIE) calculou recentemente que, se o mundo atingir a meta de zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050, até o ano de 2040 a demanda por minerais essenciais e raros será seis vezes maior do que hoje. Só a demanda por lítio será 40 vezes maior em 2040 devido ao seu uso em baterias.

Fatih Birol, diretor executivo do da agência fiscalizadora de energia, disse: “Os dados mostram uma iminente incompatibilidade entre as grandes ambições climáticas do mundo e a disponibilidade de minerais raros que são essenciais para a realização dessas ambições. Se não aforem endereçadas, essas potenciais vulnerabilidades poderiam fazer que o progresso global em direção a um futuro de energia limpa seja mais lento e mais caro dificultando, portanto, os esforços internacionais para combater as mudanças climáticas.”

A AIE constatou que a produção e o processamento de muitos materiais, como lítio, cobalto e minérios raros, estavam altamente concentrados em um punhado de países, com os três principais produtores respondendo por mais de três quartos dos suprimentos globais. A República Democrática do Congo produziu 70% de cobalto e dos minérios raros em 2019, e a China produziu 60%. A China também é responsável pelo refino de quase 90% dos minérios raros usados globalmente.


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