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Ativista Greta Thunberg destaca os graves danos dos atuais sistemas de produção alimentar

Redação ANDA

Greta Thunberg faz parceria com organização de proteção animal num novo vídeo que pede ao mundo que escolha alimentos de origem vegetal para ajudar o ambiente.


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Foto: Reprodução | pelanatureza.org

Mercy For Animals anuncia no sábado (22) um novo vídeo intitulado “Pela Natureza”, com a ativista climática e ambiental sueca Greta Thunberg, destacando as ligações entre as crises climática e ecológica e a pandemia de Covid-19. Greta apela ao público para deixar a carne de fora do prato para ajudar a combater as alterações climáticas.

Falando de Estocolmo com o seu cão, Roxy, Greta ajuda o público a ligar os pontos entre o aumento de novas doenças causadas pela nossa relação com os animais, o rápido declínio da biodiversidade e a crise climática causada em parte pelo aumento das emissões de carbono vindo de sistemas alimentares. Greta realizou esse filme para ajudar o público a compreender as ligações entre esses problemas e as suas soluções. “Sejamos francos, se não mudarmos, estamos f***”, afirma a ativista de forma franca. “Mas nós podemos mudar”. Apesar de inúmeras estatísticas preocupantes, Greta traz otimismo ao filme.

“A crise climática é apenas um sintoma da crise de sustentabilidade que enfrentamos. Temos industrializado a vida na Terra e deteriorado a nossa relação com a natureza”, diz Greta. “Pandemias mais frequentes e devastadoras, perda de biodiversidade e a crise climática estão todas ligadas a essa causa raiz. É por isso que precisamos repensar a forma como valorizamos e tratamos a natureza, a fim de assegurar as condições futuras e presentes para a vida na Terra. Todos nós, naturalmente, temos diferentes oportunidades e responsabilidades, mas a maioria de nós pode pelo menos fazer algo — mesmo que seja pouco.”

A criação de animais explorados para consumo humano é uma das principais causas de desmatamento, degradação do solo, poluição da água e perda de biodiversidade, além de consumir intensivamente os recursos naturais para sustentar o crescente aumento da população. Usamos uma extensão enorme de terras valiosas para cultivar soja, milho e trigo, alimentos que poderiam ser utilizados para alimentar os seres humanos diretamente; em vez disso, usamos esses grãos, em uma conversão absurda, como ração para alimentar poucos animais e transformá-los em carne para consumo humano. A exploração de animais para alimentação utiliza cerca de 30% da terra do planeta e a produção de rações ocupa 33% da terra de cultivo do mundo.

“A Mercy for Animals orgulha-se de se associar à Greta para aumentar a conscientização sobre a interligação de todos os seres do nosso planeta”, disse John Seber, vice-presidente sênior de Advocacy da Mercy For Animals. “Cada um de nós pode fazer parte da transformação do nosso sistema alimentar e reparar a nossa relação com a natureza. Nós, que temos como fazer escolhas alimentares, podemos comer como se o nosso mundo dependesse disso. Podemos deixar de subsidiar produtos de origem animal prejudiciais à saúde e ambientalmente destrutivos e ajudar os agricultores na transição para um modelo agrícola baseado em plantas que seja melhor para a sua subsistência, as comunidades locais, o ambiente e os animais. Somos todos parte da natureza e podemos ser uma parte da natureza protegendo a si mesma”.

Greta pediu ao premiado cineasta britânico Tom Mustill para criar o filme. Seu trabalho com a BBC, estrelando David Attenborough e outras figuras de renome da ciência e conservação, ganhou mais de 30 prêmios internacionais, incluindo dois Webbys, um Panda Widescreen e dois Prêmios Jackson Wild. O trabalho de Tom também foi nomeado para um Emmy em horário nobre e exibido nas Nações Unidas e no Parlamento Europeu.

“Foi brilhante ser convidado pela Greta para fazer este filme”, disse Tom. “É um tema desafiador e complexo e difícil de destrinchar. Como fazer com que as pessoas tomem as suas próprias decisões e não se afastem? Como mostrar visualmente esse conteúdo? Trabalhar neste projeto com a Greta e Bram, que editaram o filme, tem sido realmente gratificante em termos criativos. Essas questões interligadas não têm uma solução única e, como ela diz no filme, ‘Alguns de nós temos muitas escolhas, enquanto outros não têm nenhuma’. Espero que isso ajude as pessoas a se engajarem em suas partes nesta história e em suas relações com a natureza”.

Fontes usadas na matéria:

• A exploração de animais para alimentação utiliza cerca de 30% da terra sem gelo do planeta – Steinfeld et al., Livestock’s Long Shadow, 4.

• A produção de rações ocupa 33% da terra de cultivo do mundo – Food and Agriculture Organization of the United Nations, Livestock and Landscapes (FAO, 2012), 1.

Fontes usadas no filme:

• Até 75% de todas as novas doenças vêm de outros animais – “3 em cada 4 doenças infecciosas novas ou emergentes em humanos vêm de animais” CDC Julho 2017 https://www.cdc.gov/onehealth/basics/zoonotic-diseases.html

• 83% das terras agrícolas do mundo são utilizadas para alimentar gado -“carne, aquicultura, ovos e laticínios ~83% da terra agrícola mundial ”. Science, 1 de Junho de 2018, Poore & Nemecek https://science.sciencemag.org/content/360/6392/987

• No entanto, o gado fornece apenas 18% das nossas calorias – “apesar de representar apenas 37% das nossas proteínas e 18% das nossas calorias” Science, 1 de junho de 2018, Poore & Nemecek https://science.sciencemag.org/content/360/6392/987

• A área de terra utilizada para produção de carne e laticínios equivale à área das Américas do Norte e do Sul juntas – “a necessidade de terra para a produção de carne e derivados de leite é o equivalente a uma área do tamanho das Américas, abrangendo desde o Alasca até a Terra do Fogo”. Our World in Data, 4 de março de 2021, Hannah Ritchie – stats from UN FAO https://ourworldindata.org/land-use-diets

• Mas a agricultura e o uso da terra em conjunto correspondem a cerca de ¼ das nossas emissões – “A cadeia produtiva de alimentos gera ~13.7 bilhões de toneladas por metro de dióxido de carbono (CO2eq), 26% das emissões de GHG causadas por humanos.” Science, 1 de junho de 2018, Poore & Nemecek https://science.sciencemag.org/content/360/6392/987

• Se mudarmos para uma dieta à base de plantas, poderíamos poupar até 8 bilhões de toneladas de CO2, todos os anos – “Até 2050, as mudanças alimentares poderiam liberar vários milhões de quilômetros quadrados de terra, e reduzir as emissões globais de CO2 até oito bilhões de toneladas por ano, em relação à situação normal, estimam os cientistas”. Nature, 8 de agosto de 2019. https://www.nature.com/articles/d41586-019-02409-7

• 25 vezes todas as emissões vulcânicas – “O CO2 liberado na atmosfera e oceanos atualmente vem de vulcões e outras regiões magneticamente ativas, estimados em 280 a 360 milhões de toneladas (0,28 a 0,36 Gt) por ano, incluindo a quantidade liberada nos oceanos a partir dos vulcões abaixo do nível do mar” (utilizamos a parte inferior da estimativa por questões de segurança). Deep Carbon Observatory, 2019.

• Nós poderíamos nos alimentar utilizando menos terra [76%] “Mudar as dietas atuais para uma dieta que exclui os produtos de origem animal… tem um potencial transformador, reduzindo o uso da terra para cultivo de alimentos em 3,1 (2,8 a 3,3) bilhões de hectares (uma redução de 76%)” Science, 1 de junho de 2018, Poore & Nemecek https://science.sciencemag.org/content/360/6392/987

• Todos os anos matamos cerca de 60 bilhões de animais – UN FAO via Our World In Data https://ourworldindata.org/grapher/animals-slaughtered-for-meat?country=~OWID_WRL

• Mais de 70% dos animais vivem em fazendas industriais. Nos Estados Unidos, esse número chega a 99% – “Mais de 70% dos animais no mundo são explorados para consumo, incluindo uma estimativa de 99% nos Estados Unidos.” Farm Animal Investment Risk and Return, 2016. https://cdn.fairr.org/2019/01/09115647/FAIRR_Report_Factory_Farming_Assessing_Investment_Risks.pdf


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