DESMONTE AMBIENTAL

Alerta de desflorestação na Amazônia Legal é o maior para o mês de abril desde 2016

Gerson Alan | Redação ANDA

Até o dia 29, havia 581km² sob alerta na região; é o segundo mês subsequente em que os índices batem recordes históricos mensais, segundo medição do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Mirante do Clima diz que alta de abril contradiz governo.


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Foto: Nacho Doce/Arquivo/Reuters

A área sob alerta de desflorestação na Amazônia Legal em abril foi a maior para o mês desde 2016: 581km² até o dia 29, segundo medição do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É o segundo mês subsequente em que os índices batem recordes históricos mensais.

A Amazônia Legal representa 59% do território brasileiro e compreende a área de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão.

Foto: Queimada em área desmatada em Novo Progresso, no Pará, em agosto de 2020 — Foto: CARL DE SOUZA / AFP

Área sob alerta de desmatamento na Amazônia Legal em abril (2016-21)

Os alertas de desmatamento foram realizados pelo Sistema de constatação de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Inpe, que efetua sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²), tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de devastação florestal (exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).
O Deter não é o dado oficial de desmatamento, mas alerta sobre onde o problema está ocorrendo (observe detalhes mais abaixo).

Vice-presidência x Ministério do Meio Ambiente

Presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, garantiu que o governo fiscaliza a alta no desmatamento nos últimos dois meses, mas, segundo ele, os dados do Inpe demonstram uma redução no índice no último ano.
Segundo Mourão, houve redução de 17% no desmatamento na Amazônia entre agosto de 2020 e maio de 2021 na comparação com o mesmo período no período anterior (2019-2020). O vice reclamou que é feito um “escândalo” nos casos de alta do desflorestamento enquanto “ninguém fala nada” quando os números mostram redução.

“O que é que essa turma faz? Ah, esse mês ampliou-se. Aí faz o escândalo. Todos os meses que diminuem ninguém fala nada”, disse.

Em nota, o Ministério do Meio Ambiente alega que as ações de luta contra o desflorestamento no período arrolado aos dados divulgados no último dia 07 de maio, estavam sob a responsabilidade da Vice-Presidência da República.

Em 30 de abril, o governo finalizou a Operação Verde Brasil 2, comandada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, que preside o Conselho Nacional da Amazônia. Nos últimos meses, a operação de luta contra o desmatamento ilegal foi apoiado pelas Forças Armadas. Isso foi garantido pelo Garantia da Lei e da Ordem (GLO) que estava em vigor no período.

“A Operação de Garantia da Lei e da Ordem Ambiental – GLO Ambiental, estava em vigor até 30 de abril, sob o comando da Vice-Presidência da República”, justificou o Ministério administrado por Ricardo Salles em resposta a um pedido de posicionamento.

‘Alta de desmatamento em abril desmente governo’, diz entidade

Em nota, o Observatório do Clima, rede de 56 organizações da sociedade civil, disse que a alta no desflorestamento observada em abril contradiz o governo Jair Bolsonaro.

“Os novos dados contradizem o governo federal, que comemorou a redução de cerca de 15% nos alertas observados entre agosto de 2020 e abril de 2021 (em relação ao mesmo ciclo anterior), como resultado da ação do Exército na Amazônia”, diz o observatório.
“Os alertas oscilaram mês a mês para cima e para baixo, o que demonstra que não existe uma política encorpada ou uma ação fundamentada da administração federal para monitorar a desflorestação”, continua o comunicado.

Os especialistas da rede expuseram que “a queda geral de 15% só apareceu nos dados porque os alertas em julho, agosto e setembro de 2019 foram completamente fora da curva — somente em julho de 2019 uma área correspondente a uma vez e meia a cidade de São Paulo tombou na Amazônia”, afirmaram.

“Em contrapartida, janeiro deste ano teve o menor desflorestamento de toda a série do Deter, mesmo sem nenhuma operação de fiscalização realizada, devido a um problema burocrático que atrasou a ida do Ibama a campo”, diz o texto. Devido a um problema burocrático que atrasou a ida do Ibama a campo”, diz o texto.

“A fiscalização do Ibama está suspensa devido a mudanças inseridas por Ricardo Salles [ministro do Meio Ambiente] nos procedimentos de aplicação de multas. O processo de penalidade a crimes ambientais também foi impossibilitado pelo ministro. E indicações de que o crime compensa vêm se repetindo em atos como a investida do ministro do Meio Ambiente contra uma operação de detenção de madeira da Polícia Federal”, garante, em nota, o Observatório do Clima.
No dia 22 de abril, o presidente garantiu, em cúpula sobre o clima, combater o desflorestamento. Uma semana antes, no dia 14, Bolsonaro publicou, pela primeira vez desde o início de seu mandato, em 2019, uma meta de redução no desflorestamento da Amazônia.

Sobre as promessas realizadas pelo presidente, o Observatório do Clima disse que, “nesse contexto, e desmentindo as promessas que fez à comunidade internacional”, Bolsonaro e seus aliados no Congresso “avançam com a boiada, desta vez para mudar de forma irreversível a legislação e aumentar ainda mais o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa do país”.

Já o Greenpeace disse, também em nota, que os números de desflorestamento de abril são “mais uma prova de que as palavras ditas na cúpula do clima foram ao vento”.

“Aqui no Brasil, esse governo continua de forma sistemática atacando os órgãos de comando e controle, atrapalhando o seu funcionamento, cortando orçamento e empurrando leis absurdas para avançar sobre a floresta” afirmou Rômulo Batista, porta-voz do Greenpeace Brasil.
Para Batista, o desflorestamento “vai continuar em alta se nada for feito e é difícil imaginar que uma solução seja apresentada por um governo que é responsável por um aumento histórico do desmatamento e que represa e corta recursos para a proteção do meio ambiente”.

Medições

A medição oficial do desflorestamento, realizada pelo sistema Prodes, costuma transpor os alertas sinalizados pelo Deter. Os últimos dados divulgados pelo Prodes mostraram que a área desmatada na Amazônia Legal foi de 11.088 km² na temporada de 2019 a 2020 (período que engloba agosto de 2019 a julho de 2020).

• Satélites: Entenda como funcionam satélites que monitoram desmatamento na Amazônia
A medição do desmate no Brasil considera sempre a temporada de agosto de um ano a julho do ano seguinte por causa das variações do clima: com essa divisão do tempo, pesquisadores conseguem levar em conta o ciclo completo de chuva e seca na Amazônia, analisando como o desmatamento e as queimadas no bioma oscilaram dentro dos mesmos parâmetros climáticos.

Os que mais desmataram

Segundo o portal G1, O Pará foi, mais uma vez, o estado com maior área sob alerta de desmatamento: 211km², equivalente a 36% do total registrado até 29 de abril.

Na temporada passada, o estado concentrou quase metade de todo o desmatamento na Amazônia Legal, segundo o monitoramento do Prodes.

Com Amazônia emitindo mais CO2 do que absorvendo, mundo pode perder o seu ‘ar condicionado’.

Em segundo lugar veio o Amazonas, com 175km² sob alerta, e Mato Grosso, com 117km². Rondônia teve 50km² sob alerta e Roraima, 20km². Em seguida vieram Maranhão (4km²) e Acre (3km²). O Amapá e o Tocantins não tiveram áreas sob alerta de desmatamento.


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