ESTADOS UNIDOS

Mais de 47 toneladas de plásticos são encontrados em uma reserva marinha

Gustavo de Marco Prado | Redação ANDA

Uma expedição passou 24 dias limpando 16 quilômetros, aproximadamente, da costa das Ilhas de Sotavento, coletando 42.852 kg de lixo marinho


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Foto: Matthew Chauvin

Em uma janela de somente três semanas, mais de 47 toneladas de resíduos plásticos foram removidas da maior reserva marinha protegida da América, às vezes retirados diretamente dos animais, um duro lembrete do flagelo da poluição por plásticos nos oceanos do mundo.

Uma expedição passou 24 dias limpando 16 quilômetros, aproximadamente, de linha costeira, nos atóis e ilhas do Monumento Marítimo Nacional Papahānaumokuākea nas remotas Ilhas de Sotavento, no Havaí. O time, liderado por uma organização sem fins lucrativos, com o suporte de agências estaduais e federais, coletaram 42852 kg de detritos marinhos, concentrando seus esforços em resíduos que constituem uma ameaça de enredamento de animais, como equipamentos de pesca abandonados ou perdidos, as chamadas “Redes fantasmas”.

“Em nosso primeiro dia, nós nos deparamos com uma foca-monge-do-Havaí fêmea de quatro anos de idade, que tinha um pedaço de rede de pesca presa firmemente em torno de seu pescoço,” disse Kevin O’Brien, o presidente do Projeto de Detritos Marinhos Papahānaumokuākea, a ONG que liderou o time. “Você podia vê-la tentando se livrar do objeto com movimentos de sua barbatana.”

A tripulação conseguiu remover a rede, disse O’Brien, acrescentando que era rotina para eles encontrarem animais emaranhados em detritos. “Não existe uma presença humana que esteja permanentemente testemunhando estes eventos, então para cada um deles que vimos, muitos outros podem passar despercebidos.” Do total de resíduos coletado na expedição, redes fantasmas constituíram quase 36287 kg, ao passo que mais de 6350 kg eram plásticos presentes no oceano, como boias de pesca, cestas, garrafas plásticas e isqueiros.

A reserva marinha, localizada a mais de 2.000 quilômetros de Honolulu, cobre mais de 800.000 quilômetros do Oceano Pacífico e é um habitat crucial para a foca-monge-do-Havaí, ameaçada de extinção, e também para a tartaruga-verde, outra espécie bastante vulnerável, além de 14 milhões de aves marinhas. Contudo, correntes oceânicas e sua localização próxima a Grande Porção de Lixo do Pacífico, causam o depósito de detritos nas praias desabitadas. Mais de 900.000kg de resíduos foram removidos do monumento desde 1996.

Estima-se que 11 milhões de toneladas de resíduos plásticos sejam depositados nos oceanos a cada ano, uma quantidade que os cientistas temem que seja triplicada nos próximos 20 anos. Pesquisas sugerem que peixes talvez busquem o lixo marinho, pois ele pode ter um odor semelhante ao de suas presas naturais, e no Havaí, alguns peixes começam a consumir plástico somente alguns dias após o nascimento.

A expedição ao monumento marinho nacional, organizada pelo Projeto de Detritos Marinhos Papahānaumokuākea, com o apoio do Estado do Havaí, a Noaa, o United States Fish and Wildlife Service e a Universidade Hawaii Pacific, envolve membros da tripulação percorrendo linhas costeiras, às vezes arrastando centenas de milhares de quilos de lixo. Redes, que são comumente trazidas à costa pelas tempestades, geralmente precisam ser desenterradas, ao ponto que pequenos plásticos, menores do que 10cm, precisam ser deixados para trás.

“Se você se concentrar em coisas pequenas, você perde o seu tempo, pois há muito plástico,” disse O’Brien.

Mesmo com tudo isso, O’Brien mantém-se esperançoso, em parte devido aos esforços para reduzir o lixo plástico ao redor do mundo, e também porque as ações, como a feita durante a recente expedição, fazem a diferença, ele disse.

“[Nós] estamos simplesmente lutando um dia após o outro para que a vida selvagem tenha uma chance. Nossas ações de limpeza estão causando um grande impacto neste lugar e nas espécies que aqui vivem,” ele disse.


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