PERNAMBUCO

Obra em reserva ambiental ameaça animais silvestres e árvores centenárias

Elys Marina | Redação ANDA


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Fórum Socioambiental de Aldeia ( Os traçados vermelho e laranja são os sugeridos pelo governo e pelas empresas concorrentes à licitação. O amarelo é o traçado do Fórum, que contorna as reservas da mata ).

A Mata Atlântica já foi uma das maiores florestas tropicais das Américas, mas atualmente é um dos biomas naturais mais destruídos pela ação humana. Com a exploração constante de seus territórios, restam apenas 12 a 16% do seu território original. Essa degradação é ainda maior na região Nordeste do Brasil, em especial na região conhecida como CEPE (Centro de Endemismo Pernambuco), toda essa região fica acima do Rio São Francisco, entre os estados de Alagoas e Rio Grande do Norte.

Uma das maiores áreas contínuas de Mata Atlântica do CEPE fica localizada na Região Metropolitana de Recife, é a área de proteção ambiental APA Aldeia Beberibe. As grandes florestas que ainda estão presentes nessa área são consideradas vitais para a manutenção de serviços ecossistêmicos essenciais para boa parte da população da região, como o fornecimento de água através de nascentes de cursos d’água e de riachos que alimentam toda uma rede hidrológica que precisa ser protegida.

A APA Aldeia Beberibe vem sofrendo com o desenvolvimento desenfreado da região, as pressões sobre o território da área de proteção são contínuas e intensas, como o crescimento imobiliário e a industrialização, o que envolve a necessidade de novas construções e infraestruturas como prédios e estradas. Nesse contexto, o governo está propondo construir uma mega obra viária que deve desafogar o tráfego de veículos pesados entre importantes áreas industriais.

Essa obra vai ligar a BR – 101 Norte ao porto de Suape, dividida em dois trechos, Norte e Sul. No entanto, o traçado proposto pelo governo de Pernambuco passará por dentro da área de proteção ambiental – APA – Aldeia Beberibe, desalojando moradores, rasgando importantes e derradeiras reservas de Mata Atlântica, que é muito rica em biodiversidade, e possui espécies com ocorrência restrita á região, pondo em risco diversas espécies da fauna e da flora.

Mozart Souto

Independente de qual seja o traçado, a bióloga e integrante do Fórum Socioambiental de Aldeia Gabriela Leite afirma que: “Cortando esse grande remanescente que nos sobrou, ele irá fragmentá-lo, e essa fragmentação além do impacto do desmatamento que é feito no primeiro momento, inicia um processo de degradação que continua ao longo do tempo. Além disso, as estradas tornam-se barreiras para o deslocamento de animais e causa de grande mortalidade”, salienta.

E completa: “As rodovias são responsáveis por um número expressivo de mortes da nossa fauna por atropelamento. Estima-se que no Brasil, cerca de 17 animais são atropelados por segundo em estradas. Em um ano, seriam 475.000.000, segundo dados do Centro Brasileiro de Ecologia de Estradas (CBEE). E grandes rodovias duplicadas, como será o caso do Arco, podem funcionar como barreiras intransponíveis para a maioria de espécies de vertebrados terrestres, entre anfíbios, répteis e mamíferos”, disse.

Em entrevista à ANDA, a jornalista Ludmila Portela, vice-presidente do Fórum Socioambiental de Aldeia, coletivo que tem como objetivo combater agressões ambientais e o descumprimento do que é estabelecido através da legislação ambiental vigente em nosso país, acredita que há alternativas para evitar a destruição ambiental: “Usar estradas que estão prontas, inclusive a PE-41 já existe e está construída no contorno da área de proteção ambiental, ou seja, essa estrada poderia ser ampliada para que não precisasse fazer uma obra que cortasse essa área”, afirmou.

E acrescenta: “O argumento do governo é que o Arco Metropolitano irá levar o desenvolvimento e oportunidades de trabalho, mas nesse caso não seria um desenvolvimento sustentável, pois sabe-se que obras como essa destroem o meio-ambiente e, no caso da APA Aldeia-Beberibe, o fato é ainda mais grave por ser este o maior e último grande fragmento do bioma Mata Atlântica acima do Rio São Francisco, e sua desaparição seria uma perda de biodiversidade gigantesca para a região”, explica Ludmila.

Mozart Souto

A jornalista ressalta ainda que é importante que a população busque informação e se conscientize sobre a consequências da destruição ambiental para as futuras gerações. “Pense nos seus filhos, pense nos seus netos, se estamos vivendo uma realidade aonde já podemos sentir o aquecimento global, as secas, as faltas d’água em muitas regiões, imagine isso no futuro depois de uma obra que irá degradar uma região tão rica em nascentes, animais, florestas e muito mais. Por isso, pense no seu próximo e veremos uma geração de fato sustentável”, concluiu.

Se você compreendeu a importância dessa construção não passar dentro da área de conservação ambiental e gostaria de ajudar a causa, uma boa forma de fazer isso é assinar o abaixo-assinado que o Fórum Socioambiental de Aldeia criou. A iniciativa já conta com 7300 assinaturas e o documento será levado ao governador do Estado de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB) solicitando que o Arco Metropolitano definitivamente não passe dentro da Unidade de Conservação – APA Aldeia – Beberibe.

Mozart Souto

Arco em Aldeia? Arrudeia!


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