CRIME BÁRBARO

Cães feridos presos em jaulas passam fome e são resgatados: ‘situação degradante’

Mariana Dandara | Redação ANDA

A suspeita é de que os cães, a maioria da raça pit bull, tenham sido explorados em rinhas - prática criminosa que configura maus-tratos


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Foto: Ana Paula Vasconcelos/Arquivo pessoal

Vítimas de maus-tratos, 13 cachorros foram resgatados no domingo (3) em Cristalina, cidade goiana situada no entorno do Distrito Federal, após serem mantidos presos em jaulas, sem água e comida, e com ferimentos pelo corpo. A suspeita é de que os cães, a maioria da raça pit bull, tenham sido explorados em rinhas – prática criminosa que configura maus-tratos.

Membro do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, a advogada Ana Paula Vasconcelos participou do resgate dos cachorros e disse que eles viviam em condições degradantes. Segundo ela, parte dos animais estava com ferimentos profundos.

“Eles estavam bastante machucados e famintos. Pelos ferimentos e pela forma agressiva que eles estavam, acreditamos que eles eram usados em rinhas. Quase todos não suportavam ficar perto uns dos outros. Tivemos que levá-los em carros separados, porque juntos eles brigavam muito”, contou ao G1.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deu apoio ao resgate, mas não se posicionou sobre o caso até o momento. Os maus-tratos impostos aos cachorros foram descobertos após o irmão do tutor dos animais efetuar uma denúncia.

“O que sabemos até o momento é que o tutor dos animais foi preso há uma semana depois de ter agredido a própria mãe. Com ele preso, o irmão foi até a casa onde ele morava e encontrou os animais nessa situação”, disse a advogada, que relatou ainda que os cachorros ficavam presos no quintal da casa em um local sem proteção contra o sol e a chuva.

“Quando chegamos, encontramos os animais presos em jaulas, sem comida, sem água. Um dos filhotes estava dentro de uma caixa d’água, com a tampa totalmente fechada. Ele chorava muito”, relembrou Ana Paula.

Foto: Ana Paula Vasconcelos/Arquivo pessoal

Após o resgate, os cachorros foram levados para uma clínica veterinária, onde foram submetidos a exames. Depois, eles seguiram para o abrigo de uma ONG de proteção animal.

O caso foi denunciado à polícia por meio de um boletim de ocorrência registrado em uma delegacia da cidade de Cristalina e deve ser investigado pelas autoridades. Se for condenado pelo crime de maus-tratos, o tutor dos cães poderá ser punido pela Lei Sansão, que foi sancionada no final de 2020 e aumentou a pena para práticas criminosas que vitimem cachorros e gatos.

Com a mudança na legislação, os criminosos que submeterem cachorros e gatos a maus-tratos poderão ser presos por um período de dois a cinco anos. Antes, eles eram punidos com até um ano de detenção, condenação que costumava ser substituída por penas alternativas – como a prestação de serviços à comunidade – por se encaixar, à época, na classificação de crime de menor potencial ofensivo, que não prevê prisão. Mas isso mudou e, hoje, além da possibilidade do infrator ser preso, ele também poderá ser punido com multa e com a proibição de tutelar outros animais.


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