FINAL FELIZ

Após dois meses de espera, cadelas que perderam tutores para a Covid-19 encontram novo lar

Mariana Dandara | Redação ANDA

No novo lar, as cadelas terão companhia, amor e cuidados e poderão, dia após dia, enfrentar a saudade dos antigos tutores


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Foto: Ronaldo Ferreira Batista/Acervo pessoal

A espera por um novo lar acabou para a dupla Blue e Babalu, que perderam seus tutores para a Covid-19. O sofrimento causado pela saudade da família perdida graças ao vírus pandêmico que se alastrou pelo Brasil será superado aos poucos com o amor que o vendedor Darlei de Souza está disposto a dar para as cadelas. Morador de Sertãozinho, cidade do interior paulista onde os antigos tutores de Blue e Babalu também viviam, o novo tutor dos animais não pensou duas vezes quando soube que elas estavam para adoção e logo se ofereceu para cuidar delas.

Muito amadas e bem cuidadas, as cadelas moravam com a cuidadora de idosos Natalina de Fátima Aparecida, que tinha 59 anos e morreu em 24 de fevereiro e com o aposentado José Teófilo Ferreira Batista, que morreu 12 dias depois, em 8 de março.

Desde então, as cadelas passaram a ser alimentadas por um filho do casal, o psicólogo Ronaldo Ferreira Batista, que nutre um grande carinho por Blue e Babalu e só não as adotou por não ter espaço em sua casa e por fazer questão de levá-las para um local onde elas pudessem ter companhia, já que ele passa o dia fora de casa a trabalho.

Pensando no bem-estar das cadelas, Ronaldo passou a procurar a família ideal para as duas. E correu contra o tempo, já que a casa onde elas viviam era alugada e precisa ser entregue ao proprietário nesta semana. Para alegria do psicólogo, não faltaram candidatos à adoção.

“Teve gente até de São Paulo que queria adotar. A gente preferiu o Darlei, porque, além de ser próximo, ele se dispôs a criar um vínculo entre a nossa família e a dele, para que a gente pudesse estar sempre presente na vida de Blue e Babalu”, contou Ronaldo ao G1.

Foto: Ronaldo Ferreira Batista/Acervo pessoal

No novo lar, as cadelas terão companhia, amor e cuidados e poderão, dia após dia, enfrentar a saudade dos antigos tutores. Depois que Natalina e José morreram, os animais deram sinais de que esperavam pelos tutores e demonstraram o quanto sentiam falta deles. “Como meu pai ficava em casa, ele passava o dia todo com elas. Toda vez que eu abria a porta, elas latiam na expectativa de que fossem eles. Foi bem triste ver a esperança que elas tinham de ver meus pais voltarem para casa”, relatou o psicólogo, que lembrou ainda que os outros animais tutelados por seus pais também encontraram um lar. O casal tinha um gato, Sheldon, que foi adotado pela avó de Ronaldo, além de outra cachorra, a Debby, que hoje vive com outro filho do casal em Serrana, no interior de São Paulo.

“Cuidar de animais é terapêutico”

Se a preocupação de Ronaldo era encontrar um bom lar para as cadelas, aparentemente não há mais motivos para se preocupar. Isso porque o novo tutor de Blue e Babalu faz questão de ressaltar o quanto a companhia de animais é importante para sua família. Não é atoa que em seu lar vivem também os cachorros Valente e Gigante e as gatas Charlote e Nala – todos resgatados da rua.

Ao comentar a adoção das cadelas, o vendedor disse que sempre há espaço para mais um animal em sua casa, especialmente nesse caso, já que Ronaldo se dispôs a auxiliar com os custos de ração e eventuais tratamentos veterinários dos quais Blue e Babalu possam vir a precisar futuramente.

Consciente da capacidade das cadelas terem sentimentos e sentirem saudade do psicólogo, Darlei quer que elas permaneçam em contato com os antigos tutores. “Ronaldo e a família podem vir ver as cachorrinhas e até levá-las para passear, porque, apesar de serem animaizinhos, elas têm sentimento. Vou enviar fotos e vídeos delas para ele todos os dias”, afirmou ao G1.

Foto: Ronaldo Ferreira Batista/Acervo pessoal

O cuidado de Darlei e de sua esposa com os animais que tutelam é tamanho que eles sequer os deixam sozinhos. Quando saem para trabalhar, o casal deixa os cães e gatos sob os cuidados da enteada. “Eles [os animais] trazem mais coisas boas para nós do que a gente para eles. Dou amor, lar, comida e água, mas o que eles nos dão é muito maior que isso. Não tem dia ruim para eles. Cuidar deles é terapêutico”, disse Darlei.

Ronaldo concorda com o novo tutor daquelas que tanto fizeram bem para seus pais e que, inclusive, lhe ajudaram a enfrentar a perda de.

A percepção de Darlei reverbera no que pensa Ronaldo, que é psicólogo. Aproveitando a atenção que a história de Blue e Babalu despertou entre os internautas, ele reforça que adotar um animal pode trazer benefícios ao bem-estar emocional.

“A presença do cachorro e do gato em casa ajuda até mesmo pessoas em tratamento contra depressão e ansiedade. Acariciar um animal é terapêutico. Mesmo com tudo que aconteça, sempre haverá alguém à sua espera”, diz.


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