SUSTENTABILIDADE

Canudos saem de circulação e o índice de lixo plástico diminui

Matheus Müller | Redação ANDA


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Desde a regulamentação das leis proibitivas, em 2019, os canudinhos de plástico vêm desaparecendo de estabelecimentos e serviços como delivery e fast food. Marcas que entregavam toneladas de canudos por mês optaram por versões em papel ou biodegradáveis, na tentativa de criar produtos mais sustentáveis.

A Nestlé, por exemplo, tirou 300 milhões de canudinhos de circulação ao mudar as embalagens descartáveis da versão pronta de Nescau vendidas no Brasil – o equivalente a 128 toneladas por ano. Antes de adotar essa medida, a empresa suíça chegou a incentivar seus clientes a empurrar o canudo para dentro da embalagem no descarte, no intuito de facilitar a reciclagem. Mas a rejeição de ambientalistas reverberou no mundo todo e a multinacional precisou se adaptar para evitar a má reputação. “O canudo é um ícone de uma conversa maior”, explica Fabiana Fairbanks, vice-presidente de bebidas da Nestlé Brasil.

Segundo o portal UOL, pesquisas estimam que a versão plástica dos canudos demora até 200 anos para se decompor. Pensando nisso, a Nestlé chegou a desenvolver um modelo de papel que, de acordo com a própria empresa, se desgasta mais facilmente no meio ambiente, ainda que o tempo de decomposição desse material continue sendo uma incógnita. Em nota, a multinacional afirma que conduz estudos para determinar o tempo exato do canudo de papel na natureza.

Assim como a Nestlé, grandes produtores de alimentos costumavam vender toneladas de canudos, mas também precisaram se adequar às novas regras ao impacto ambiental e ao público. O Burger King, por exemplo, afirma ter retirado 31 milhões de canudos plásticos ao ano de suas unidades, ou seja, 105 toneladas. No Pará e no Distrito Federal, a rede afirma ter banido garfos plásticos para uma opção de plástico biodegradável que, segundo a própria empresa, se decompõe entre 3 a 5 anos. “Passamos a produzir os nossos próprios canudos de papel para milk-shakes”, conta Fábio Alves, vice-presidente jurídico e de compliance da BK Brasil. No mundo, a empresa se compromete a acabar com o plástico em brinquedos vendidos com sanduíches até 2025.

A rede McDonald’s, popular como a rede Burger King, deixou de oferecer canudos de plástico e mudou embalagens para economizar 200 toneladas de plástico no Brasil, desde o início de um projeto de sustentabilidade em 2018, de acordo com release. No Reino Unido, em 2019, a empresa teve problemas com o canudo em papel após rejeição dos clientes, mas especialistas alertaram que o novo modelo não era mais reciclável.

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A Abiplast, Associação Brasileira da Indústria de Plástico, afirma que apenas 0,3% da produção de plástico brasileiro é canudo. O presidente da associação já chegou a afirmar que ativistas ambientais colocariam canudos na boca de baleias, em entrevista à Folha de São Paulo.

No entanto, as baleias não são as únicas que sofrem. Na realidade, a principal vítima do grande descarte de lixo plástico é a vida marinha como um todo, que vê “oceanos de plástico” ameaçando seriamente o seu ecossistema. Em 2015, o mundo tomou conhecimento do problema quando imagens de tartarugas sendo resgatadas na Costa Rica com canudos nas narinas viralizaram.

A ONU estima que “microplásticos” causam a morte de 100 mil animais marinhos e que, até 2050, 99% dos pássaros irão ingerir esse tipo de material. Segundo a organização, cerca de 50% de todo o plástico consumido no mundo é descartável, o que torna o combate à produção de canudos plásticos ainda mais urgente. Em 2017, um estudo americano concluiu que 8 bilhões de canudinhos estariam nos oceanos.

A cidade de Seattle, nos Estados Unidos, baniu o canudo em 2018 pela primeira vez nos EUA. Desde então, cidades pelo mundo – inclusive em território brasileiro – passaram a atender às demandas ambientais para proibi-lo em restaurantes ou limitá-los a pessoas com deficiência, que têm dificuldade de ingerir alimentos sem eles.

 

 

 


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