TRAGÉDIA ANUNCIADA

Nível do mar vai subir pelo menos seis metros nos próximos anos

Harold R Wanless* | Tradução de Giovanna Reis

Para evitar a perspectiva mais sombria representada pelo aquecimento dos oceanos, nós precisamos extrair da atmosfera gases que retêm calor


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Imagem de uma onda e do mar
Foto: Pixabay

O clima emergencial é maior que muitos experts, oficiais eleitos, e ativistas imaginam. As emissões de gases de efeito estufa da humanidade já superaqueceram a atmosfera terrestre, desencadeando ondas de calor punitivas, furacões, e outros climas extremos – isso é amplamente conhecido.

O maior problema é que o superaquecimento da atmosfera, por sua vez, superaquece os oceanos, assegurando uma quantidade catastrófica do nível do mar futuro.

Com o aquecimento dos oceanos a água aumenta, em parte porque a água aquecida expande, mas também porque as águas mais quentes já iniciaram um grande derretimento de calotas polares. Como resultado, os níveis médios do mar ao redor do mundo agora estão quase certos de subir pelo menos 20 para 30 pés. Isso já é o suficiente para por grandes partes de várias cidades costeiras, casas de centenas de milhões de pessoas, debaixo d’água. As principais questões são quando esse aumento do nível do mar vai acontecer e, se os humanos podem acalmar a atmosfera e os oceanos rápido o suficiente para prevenir uma parte disso.

Se os oceanos subirem 20 pés (cerca de seis metros) nos próximos 2.000 anos, nossos filhos e seus descendentes podem achar meios para se adaptar. Mas se os oceanos subirem 20 pés ou mais pelos próximos 110 para 200 anos – que é a nossa trajetória atual – a perspectiva é sombria. Nesse cenário, pode haver um aumento de 2 pés no nível do mar até 2040, 3 pés até 2050, e muito mais por vir.

Dois para três pés no nível do mar pode não parecer muito, mas transformará sociedades humanas em todo o mundo. No sul da Flórida, onde vivo, residentes perderão acesso à água potável. Estações de tratamento de esgoto falharão, grandes áreas irão persistentemente inundar, e Miami Beach e outras ilhas barreiras vão ser grandemente abandonadas. Na China, Índia, Egito e outros países com grandes deltas de rios, dois para três pés de aumento no nível do mar forçará uma evacuação de dez milhões de pessoas e a perda de vastas terras agrícolas,

Tentar limitar o aumento do nível do mar, portanto, deve se tornar uma prioridade urgente, inclusive para os líderes mundiais que Joe Biden está convidando para uma cúpula do clima no Dia da Terra, 22 de abril. Nós devemos reformular como a emergência climática é entendida e o que significa combatê-la. Certamente, é essencial cumprir o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aumento de temperatura de 1,5 para 2 ºC – mas isso não será suficiente.

A solução para o rápido crescimento nos níveis do mar é dupla: humanos devem parar de pôr mais gases de efeito estufa na atmosfera, e nós devemos extrair muito do que já colocamos. Desde a revolução industrial 250 anos atrás, o total de CO2 na atmosfera subiu devido às atividade humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis à base de carbono. Para minimizar um futuro aumento do nível do mar, nós precisamos diminuir essa quantidade de 417 partes por milhão para 280 ppm que prevalecia antes da industrialização.

A interrupção das emissões que prendem o calor requer rápida mudança da economia dos combustíveis fósseis para a renovação de energia assim como para o fim do desmatamento, mudando para uma agricultura amiga do clima, plantando florestas para a construção do solo, e muito mais. Mas mesmo se tivermos sucesso nessa frente – ainda assim, nós estamos ficando aquém – apenas a atmosfera está parando de ficar mais quente.

Resfriar os oceanos será mais difícil. Isso requer tirar quantidades massivas de CO2 da atmosfera e dos oceanos e armazená-los onde não podem vazar.

Há protótipos de uma tecnologia “carbono negativo”. Métodos como incorporar lava basáltica pulverizada em fertilizantes pode levar à remoção de CO2 e outras abordagens podem ser desenvolvidas de forma agressiva. É crucial que ambas estratégias – parando mais emissões de CO2 e extraindo CO2 que já foi emitido – sejam perseguidas. Fazendo um não pode ser uma desculpa para não fazer a outra ou nós falharemos.

Nosso dilema está enraizado em físicas básicas. Uma vez que o CO2 é emitido, continua na atmosfera por milênios, retendo calor e aquecendo o planeta como um cobertor aquece o corpo humano. O que é insuficientemente apreciado é que a maioria desse aquecimento – mais de 93% – foi transferido para os oceanos e o que aqueceu significantemente os 2,000 mil pés arredores. Isso está acelerando o derretimento de calotas polares e aumento global do nível do mar e continuará a fazer isso por séculos.

E o aumento do nível do mar está acelerando em um ritmo perigoso. Em 1900, os níveis globais do mar estavam crescendo 0.6 milímetros por ano. Depois de 1930, com o oceano aquecendo e a expansão da água chegando a taxa do nível do mar dobrou e dobrou de novo, atingindo 3.1 mm por ano em 1990. Desde lá, com o aquecimento dos oceanos levou ao derretimento das calotas polares, a taxa de aumento do nível do mar cresceu ainda mais. Hoje, os oceanos estão crescendo 6 mm por ano (mais de duas polegadas por década), e esse ritmo vai continuar a aumentar dramaticamente. Duas polegadas por ano podem parecer pouco mas lembrem-se. Nós só estamos no começo dessa aceleração.

O US National Oceanic and Atmospheric Administration projetou que em 2017 o nível do mar global pode subir de 5 para 8.2 pés até 2100. Quatro anos depois, está claro que 8 pés é de fato uma projeção moderada. E influência regionais – subsidência, mudanças das correntes marítimas, e a redistribuição da massa da Terra à medida que o gelo derrete – fará com que algum dos aumentos dos níveis do mar local seja 20-70% maior que a global.

O aumento do nível do mar em 8 pés pode ser catastrófico. Medidas de adaptação extensa e muito caras, colocaria grande parte de Nova Iorque e Washington DC, Shangai e Bangkok, Lagos, Alexandria e incontáveis outras cidades costais debaixo d’água. Poderia submergir o sul da Flórida. E construir paredes oceânicas não ajudará no sul da Flórida: a terra repousa em um calcário poroso, portanto a elevação dos oceanos simplesmente se infiltrará. Mesmo a Holanda e Nova Orleans protegidas por dique vão ficar em problemas sérios.

Pior, nas tendências atuais, nós seremos sortudos se o oceano aumentar “apenas” 8 pés até 2100. A razão é porque os modelos de computador usados pelo Noaa e outros não refletem o que nós sabemos sobre como os oceanos têm crescido no passado. Esses modelos presumem que o aumento do nível do mar se desdobra gradativamente, mas o registro geológico mostra que de fato pode ocorrer em pulsos rápidos. As temperaturas mais altas após a era do gelo anterior causaram a desintegração de um setor polar após o outro, causando o aumento do maior em pulsos de 3 para 30 pés por século. Hoje, acelerar o derretimento de gelo na Groenlândia e Antártica é quase certamente o início de um novo pulso de rápido aumento do nível do mar.

É urgente que a humanidade faça a transição para energias renováveis, pare de queimar combustíveis fósseis, e desenvolva e implante tecnologias para extrair CO2 do céu e dos oceanos. Nós também devemos ficar realistas sobre a adaptação ao aumento do nível do mar não pode mais ser prevenida. Em vez de construir mais em regiões baixas e gastar dinheiro público em defesas costeiras que estão propensas a falhar, nós devemos nos preparar para ajudar em uma eventual recolocação de pessoas e infraestruturas das áreas mais ameaçadas (e limpar a terra antes da inundação).

Sem essas medidas, chegará um ponto, mais cedo do que muitas pessoas podem imaginar, quando a civilização que nós conhecemos se enfraquece enormemente ou entrará em colapso total. Nós apenas podemos prevenir esse cenário com planejamento, financiamento e esforço sério. Nossos

Filhos, e os filhos deles, merecem muito mais do que estamos fazendo agora.

*Harold R Wanless, um professor de estudos geológicos e regionais na Universidade de Miami, foi um dos 50 “ visionários que estão transformando a política americana” do Político em 2016.

 

 


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