DE OLHO NO PLANETA

Relatório sobre clima mostra o mundo “à beira do abismo”

Vitória Viviann | Redação ANDA

Seis anos desde 2015 foram os mais quentes na história e a década de 2011 a 2020 foi a mais quente em todos os tempos


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Icebergs no mar de Bellingshausen, na Antártica | Foto: Gonzalo Bertolotto/OMM

Em 2020, a temperatura média global ficou cerca de 1,2 grau Celsius acima do nível pré-industrial. De acordo com a ONU, o número está “perigosamente perto” do limite 1,5 grau Celsius que cientistas defendem para evitar fortes impactos das mudanças climáticas. O dado é de um relatório novo do Estado do Clima Global da Organização Meteorológica Mundial (OMM), publicado na última segunda (19).

Segundo o relatório, os seis anos desde 2015 foram os mais quentes na história e a década de 2011 a 2020 foi a mais quente em todos os tempos. “Nós estamos a beira do abismo”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em uma coletiva de imprensa.

O aviso da OMM vem antes da Cúpula dos Líderes sobre o Clima virtual, que irá acontecer nessa semana. A convocação veio do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, a Cúpula tem como objetivo estimular os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e cumprir as metas do histórico Acordo de Paris de 2015, que teve acordo com todas as nações do mundo.

2021, “ano da ação”

António Guterres, sublinhou que 2021 “tem que ser o ano da ação”, progredindo para uma série de “avanços concretos”, antes da reunião dos países em Glasgow, em novembro, para a 26ª sessão da Conferência das Partes (COP26) à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

“Os países tem que apresentar novas contribuições ambiciosas nacionalmente determinadas que foram elaboradas pelo Acordo de Paris. Os seus planos climáticos para os próximos dez anos devem ser mais eficientes”, frisa Guterres.

Alerta precoce

O relatório do Estado do Clima Global observou que a mudança climática prejudica os esforços de desenvolvimento sustentável, através de uma uma cadeia em cascata com eventos inter-relacionados que podem piorar as desigualdades, como também pode aumentar círculos viciosos, fazendo durar para sempre o ciclo de estragos das mudanças climáticas.

Petteri Taalas, secretário-geral da OMM, advertiu que a “tendência negativa” no clima pode continuar nas próximas décadas, independente dos esforços, exigindo maiores investimentos em adaptação.

“Nós não temos tempo a perder. O clima está mudando e os impactos são caros tanto para o planeta, quanto para as pessoas. Esse tem que ser o ano da ação”, afirmou, chamando todos os países a se comprometerem com emissão zero até 2050.

“Uma forma poderosa de adaptação é investir em serviços de alerta precoce e redes de observação do tempo. Tantos países menos desenvolvidos têm lacunas em seus sistemas de observação e carecem de meteorologia, clima e serviços hídricos de alta geração”, destacou.

Destaques do relatório

O relatório da OMM de 2020 observou que as concentrações dos gases de efeito estufa continuaram aumentando em 2019 e 2020, a média global para as concentrações de dióxido de carbono já ultrapassaram 410 partes por milhão (ppm), com um alerta de que se a concentração seguir o mesmo padrão dos anos anteriores, podemos atingir ou até ultrapassar 414 ppm esse ano, de acordo com o site Vegazeta.

A OMM também observou que a acidificação e desoxigenação dos oceanos continuaram, tendo impacto nos ecossistemas e a vida marinha, reduzindo a capacidade de absorver CO2 da atmosfera.

Em 2019, ocorreu o maior nível de calor oceânico da história, e a tendência provavelmente continuou em 2020, assim como o nível de aumento do mar médio.

Alerta ártico

Desde meados da década de 1980, as temperaturas da superfície do ar ártico aqueceram duas vezes mais rápido que a média global, com “implicações potencialmente grandes” para os ecossistemas árticos e também para o clima global, como o degelo do permafrost liberando metano, um gás muito potente de efeito estufa na atmosfera, segundo informações do site Vegazeta.


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