EXPECTATIVAS

Joe Biden revela promessa de emissões dos EUA em momento-chave de crise climática

Tainá Fonseca | Redação ANDA

O presidente também fará um apelo às grandes economias para se juntarem a ele em ações ousadas em cúpula virtual com 40 líderes mundiais


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Foto: Reprodução | Instagram

Então, o que o resto do mundo prometeu fazer sobre as mudanças climáticas?

Joe Biden enfrenta um teste-chave do seu compromisso com a ação climática essa semana, quando estabelece os planos essenciais para enfrentar a crise climática e convida todas as principais economias a se juntarem a ele em ações ousadas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa nos próximos 10 anos.

O presidente dos EUA fez da emergência climática uma das principais prioridades de seu governo, e afirmou que o crescimento limpo deve ser o caminho para os EUA se recuperarem da crise do coronavírus.

Biden e seu enviado do clima, John Kerry, sediarão uma cúpula virtual com os 40 líderes mundiais para discutir a crise climática e buscar novos compromissos para os maiores emissores de carbono para cumprir o acordo de Paris de 2015.

Na reunião, ou pouco antes, é esperado que os EUA revelem seu plano nacional para reduzir as emissões de gases do efeito estufa pelos próximos 10 anos. Se o plano – o qual o acordo de Paris refere como contribuição nacionalmente determinada ou NDC – é ousado o suficiente, e outros países seguem o exemplo, o mundo tem uma chance de alcançar as metas de Paris e evitar níveis perigosos de calor. Se não, enfrentaremos uma crise climática cada vez mais profunda conforme as emissões de carbono recuperarem do seu período de calmaria durante a pandemia.

Christiana Figueres, ex-chefe das mudanças climáticas da ONU que participou da cúpula de Paris em 2015, disse: “Todo mundo precisa elaborar NDCs melhores. Nós temos que aumentar a ambição. Novidades estão surgindo sobre a ciência climática mostrando que nós estamos perigosamente próximos dos pontos críticos. Nós temos que cumprir a escala desse desafio, e temos que começar com essa redução. Nós não podemos estar mais no caminho de aumentar as emissões.”

Uma avaliação da ONU mostra que as NDCs atuais resultariam numa redução de apenas 1% nas emissões até 2030.

Grupos de cidadãos e economistas estão ocupados especulando sobre os níveis de redução de emissão que as NDCs dos EUA implicará. Ativistas pediram por reduções de mais de 50% sobre os níveis de 2005, até 2030, mas alguns analistas acreditam que uma porcentagem entre 40 e 45% é mais realista. Uma coisa, no entanto, é clara. O fato de que os EUA submeteram uma NDCs após Donald Trump ter tirado o país do acordo de Paris é de enorme importância.

NDCs são vitais porque objetivos de longo-termo não são suficientes para resolver a crise climática. A UE e vários outros países, incluindo os EUA e a China, estabeleceram metas para atingir emissões líquidas nulas até metade do século, mas ao menos que as emissões sejam reduzidas nesta década, aqueles objetivos de longo-termo não serão tão úteis.

Isso porque o clima é afetado pela acumulação de dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa na atmosfera. As emissões caíram acentuadamente no ano passado com a implantação dos lockdowns ao redor do mundo, mas elas aumentaram novamente quando as economias reiniciaram. Em dezembro, a produção de carbono estava acima dos níveis de 2019, e os dados deste mês mostram que o dióxido de carbono na atmosfera atingiu 50% acima dos níveis pré-industriais.

Conversas da ONU vitais, a Cop26 que ocorrerá em Glasgow em novembro, focará na persuasão de todas as nações possíveis até a mesa com fortes NDCs.

O presidente do Reino Unido da Cop26, Alox Sharma, disse: “Os objetivos mundiais atuais para 2030 não estão nem perto de atingir a meta da temperatura do acordo de Paris. Então o Reino Unido está usando a presidência Cop para exortar todos os países a estabelecerem medidas de redução que nos coloquem num caminho até o 0 até 2030.”

O Reino Unido já submeteu sua NDC, que se compromete com um corte de 68% comparado com 1990 níveis até 2030. Isso implicaria reduzir as emissões mais rápido do que qualquer outro país desenvolvido já concordou a fazer, apesar de alguns analistas dizerem que o país poderia ter ido mais longe. A UE se comprometeu com reduções de 55%, embora o Parlamento Europeu tenha favorecido 60%.

Nathaniel Keohane, um vice-presidente sênior do Fundo de Defesa Ambiental, disse: “Essa é uma década decisiva e o que acontecer nos próximos 10 anos é crucial, mas apenas o Reino Unido e a União Europeia já apresentaram planos para 2030 que são consistentes com a meta de emissão 0 até 2050.”

Ainda mais significativo será o maior emissor do mundo, China, que surpreendeu outros países em Setembro com um novo objetivo de atingir emissão 0 até 2060. No entanto, o país ainda não submeteu nenhuma NDC.

“Se a China não disser nada, as coisas não vão dar certo,” diz Paul Bledsoe, do Instituto de Políticas Progressistas em Washington. “A China não está fazendo as coisas a curto prazo que precisa fazer se está levando as emissões 0 a sério. Eles estão construindo 150 novas centrais elétricas a carvão.”

Beijing reiterou sua intenção em garantir seu pico de emissões até 2030 em seu plano de cinco anos recente, mas analistas dizem que isso é muito tarde para colocar o mundo no caminho das emissões 0, e vários pediram 2025 como ano de pico.

Os EUA e a China emitiram uma declaração conjunta no sábado depois da visita do Kerry a Shanghai onde eles “se comprometeram a cooperar” no problema das mudanças climáticas. Li Shuo, um conselheiro climático sênior da Greenpeace, deu boas vindas à declaração, a qual ele descreveu como “tão positiva quanto as políticas permitiriam”.

Ele disse que ela mandou uma inequívoca mensagem de que os dois países estavam preparados para trabalhar juntos no problema. “Antes das reuniões em Shanghai essa não era uma mensagem que poderíamos prever”, ele disse.

A reunião da Casa Branca desta semana, um lugar importante para a Cop26, deve estimular outras economias a se esforçarem mais, de acordo com Helen Mountford, a vice-presidenta de clima e economia no Instituto de Recursos Mundiais. O Canadá, por exemplo, está sob pressão para provar suas credenciais verdes com uma NDC mais forte. “Nós esperamos ver uma NDC que se alinhe com o objetivo de longa-data de emissão”, ela disse.

A Coréia do Sul talvez decida atrasar sua NDC até o mês que vem, de acordo com alguns observadores, mas poderia se comprometer essa semana a se afastar do carvão. O Japão foi fortemente criticado no ano passado por ter submetido uma NDC praticamente igual a de cinco anos atrás, mas Tokyo prometeu uma revisão substancial.

A Índia está brincando com a meta de emissão 0 e tem crescentes investimentos em energias renováveis, mas passa por uma dificuldade em se livrar do carvão. A Indonésia é similarmente dependente, e está sob pressão. O México submeteu uma NDC apoiada em sua última posição, e os EUA exortou o país a alterá-lo.

A África do Sul está ocupada com a crise do Coronavírus, mas é vista como líder regional no clima. “A África do Sul tem uma abordagem muito forte para uma transição justa [envolvendo a garantia de que os trabalhadores possam voltar a trabalhar] longe do carvão, o que é fantástico, e poderia se tornar uma NDC reforçada”, disse Mountford.

Alguns países serão um desafio. “A Rússia é um país muito difícil que não recebeu atenção suficiente,” disse Bledsoe. Moscou tendeu a cumprir um pequeno papel nas reuniões do Cop nos anos recentes, mas como um grande produtor de óleo e gás até mesmo pequenos passos podem ser significativos. “Eles têm uma infraestrutura defeituosa, com várias emissões de gás vazado”, ele disse.

A Arábia Saudita também não é muito participativa nas reuniões do Cop, e tem um histórico de atrapalhar acordos.

O Brasil estabeleceu uma meta de 0 emissões até 2050 que poucos observadores acreditam ser confiável. A Casa Branca tem um dilema sobre se deve abraçar o governo de Jair Bolsonaro com dinheiro para deter o desmatamento da Amazônia.

O governo australiano rejeitou tomar ações climáticas ao mesmo tempo em que se apresentou como campeão verde.

Mesmo se todos esses países apresentem NDCs fortes para a Cop26, e esse é um grande se, será apenas metade da batalha. Vários países estão falhando ainda mais por trás dessas políticas do que estão falhando nos objetivos.

O Dr Niklas Höhne do Instituto NovoClima acredita que é urgente que os governos foquem em implementar objetivos por meio de leis concretas. “Não há um país sequer que tenha as políticas necessárias”, ele disse.

A energia renovável é barata atualmente, e tecnologias limpas como veículos elétricos são amplamente disponíveis, então as ferramentas para fazer a transição para uma economia de baixo carbono estão aqui. “O passado não é um bom indicador do quão rápido nós podemos ir… Nós vimos um crescimento exponencial em energias renováveis, então nós podemos ir muito mais longe hoje em dia do que pudemos no passado”, ele disse. “Mas os governos precisam mudar suas atitudes. Nós temos que mudar para o modo emergencial e agir de acordo.”

 


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