DESPOLUIÇÃO

Peixes, tartarugas e aves são vistos no rio Pinheiros

Kauana Kempner Diogo | Redação ANDA


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Foto: AMANDA PEROBELLI/REUTERS – 17.04.2021

No estado de São Paulo houve um recente avistamento de animais como peixes, marrecos e garças em um trecho do rio Pinheiros. O ocorrido criou expectativas que pode estar havendo despoluição do curso d’água. 

O governo do Estado contém um projeto considerado “ambicioso’ por especialistas: despoluir o Pinheiros até o final de 2022, se baseando principalmente em iniciativas de saneamento voltadas aos afluentes do rio.

Ainda que esses especialistas creiam que as resoluções possam ser realmente vistas no prazo, a melhora na oxigenação da água e redução no mau odor do Pinheiros e a despoluição completa continua sendo vista como um horizonte de longo prazo.

“O que deve acontecer é diminuir o cheiro ruim… Reduzir o indicador DBO (demanda bioquímica de oxigênio) é perfeitamente possível, porque se trata o esgoto e, por consequência, a qualidade desse rio vai melhorar”, disse Gustavo Veronesi, coordenador do projeto Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica.

“Mas despoluído, um rio em que as pessoas vão nadar, encostar nesse rio e não contrair doença, eu não sei se vai acontecer em 2022… O processo de despoluição de um rio é muito lento”, acrescentou.

Os especialistas explicam que o avistamento de peixes e aves, é causado pela a qualidade de um dos afluentes do rio Pinheiros: o Córrego do Sapateiro – que forma inclusive o lago do Parque do Ibirapuera antes de desaguar no Pinheiros.

Segundo o portal Terra, dado que as águas do afluente são bem tratadas, isso permite a presença de vida, o que torna comum que peixes escapem pela galeria do córrego em direção ao Pinheiros. De modo que, os animais chegam ao rio, mas não avançam muito além da região do Parque do Povo, por acabarem se concentrando no curto trecho em que a foz do Sapateiro onde há melhora na qualidade das águas do rio.

O geógrafo Luiz de Campos, da Rios e Ruas, diz que a presença de peixes e garças neste trecho do rio é conhecida há muito tempo. A mudança, segundo ele, foi que agora a população conseguiu vê-la, o que deve ao processo de despoluição. Ocasionando a reaproximação entre as pessoas da cidade e o curso d’água.

Imagens viralizaram dos peixes nadando no Pinheiros após uma pessoa que passava pela ciclofaixa filmar elas. O espaço apresenta uma grande modernização além das ciclofaixas também conta com cafés, o que constrói essa “ponte” entre o rio e a população e contribui para uma maior atenção à qualidade das águas, destacou Campos.

“Esse resultado dos peixes vistos foi só um momento em que um senhor, um ciclista, estava passando e conseguiu ver e filmar… Mas é muito importante, porque faz com que as pessoas se animem, mostra para os paulistanos em geral que não é impossível, não é uma coisa utópica”, afirmou ele.

“Uma dedução que a gente pode tirar disso é que qualquer melhoria que a gente consiga fazer no rio, a vida é muito resiliente, ela está ali aguardando para de novo poder ocupar o rio, florescer e melhorar a qualidade das águas”, completou.

Projeto de saneamento 

Há um consenso entre os especialistas, que a despoluição tem como principal caminho o saneamento. O que envolve a resolução de problemas de moradia nas áreas por onde passam as águas do Pinheiros. Campos, acredita que o atual projeto seja alto positivo, mas diz que é de suma importância manter os olhos abertos para as periferias. Dados apresentados pelo Rios e Ruas indicam que cerca de 200 mil moradias, de um total projetado de 500 mil, já foram atendidas pelo projeto.

“Achar que o rio Pinheiros vai estar clarinho, a gente nadando em 2022, absolutamente não vai ser possível… Mas se ele cheirar bem, se tiver peixe, se tiver barcos, já é uma qualidade incrível”, disse o geógrafo.

“E se isso está acontecendo com o rio, quer dizer que em todas as suas cabeceiras também vai estar.”

Veronesi, da SOS Mata Atlântica, concorda na linha de pensamento, e ressalta que o problema de saneamento não será resolvido sem resolver o de moradia.

“Mas isso levaria muito mais tempo do que 2022”, opinou, alertando que nesse caso a pressa pode ser inimiga da perfeição, já que muitos dos córregos que passam por periferias seriam tratados diretamente, e não com instalações de saneamento nas casas.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) em entrevista à Reuters, afirmou que em termos de investimentos, o projeto ambiental de despoluição do rio Pinheiros é o maior do país, envolvendo 4 bilhões de reais. Segundo ele, já realizou-se a retirada de equivalente  a 30 mil toneladas de lixo da superfície do rio, de mesmo modo as obras realizadas nas comunidades com afluentes do Pinheiros trouxeram resultados na eliminação de outras 253 toneladas de lixo. Ele também celebrou o fato de que, antes da conclusão do projeto, cerca de 85 mil pessoas passem por mês pela ciclofaixa instalada às margens do Pinheiros.

“As pessoas já estão convivendo com o rio… Mas ainda temos um longo trabalho pela frente.”


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