AÇÃO HUMANA

Destruição ambiental pode gerar novas pandemias, alertam cientistas

Mariana Dandara | Redação ANDA

O desmatamento, no entanto, não é o único obstáculo a ser superado para evitar novas pandemias. Isso porque o tráfico de animais silvestres e a exploração de animais para consumo humano (que já gerou vírus como as gripes suína e aviária) também abrem espaço para o surgimento de vírus pandêmicos


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Foto: Felipe Werneck/Ibama

O aquecimento global e as mudanças climáticas não são as únicas consequências alarmantes da destruição do meio ambiente. Cientistas do mundo inteiro também alertam para o risco de novas pandemias surgirem em decorrência da devastação ambiental.

Para abordar o tema, o biólogo, virologista e pesquisador Luiz Gustavo Góes citou o processo de transbordamento, quando doenças migram de um hospedeiro para o outro, chegando aos humanos. Esse tipo de enfermidade recebe o nome de zoonose – como a Aids, a Zika, o Ebola e a Covid-19.

“A saúde da população humana, a saúde animal e a saúde do ecossistema estão interligados, então com um desequilíbrio no ecossistema você cria essas oportunidades de transmissão e, assim, você tem um aumento de chance de exposição humana a esses agentes”, explicou o especialista em entrevista ao Jornal Nacional, da Globo.

Janice Reis Ciacci Zanela, virologista da Embrapa, lembrou ainda que “a maior parte das doenças humanas, 60%, são zoonoses”. “E dessas doenças emergentes, 75%, ou seja, três quartos das doenças emergentes são zoonoses”, alertou.

O desmatamento é um dos problemas – já que sem habitat, os animais selvagens ficam mais próximos das áreas urbanas e doenças que antes eram características de uma espécie selvagem, acabam passando para outras, podendo chegar aos humanos. No entanto, o desmate não é o único obstáculo a ser superado para evitar novas pandemias. Isso porque o tráfico de animais silvestres e a exploração de animais para consumo humano (que já gerou vírus como as gripes suína e aviária) também abrem espaço para o surgimento de vírus pandêmicos. Ciente disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fez uma recomendação mundial acerca da necessidade de suspender a venda de animais silvestres vivos em mercados.

De acordo com pesquisadores, há vários fatores que aumentam o risco de novas pandemias: desmatamento, falhas na criação de animais para consumo, tráfico da vida selvagem e aproximação sem cuidado com animais que vivem nas florestas. Eles explicaram ainda que as ações destrutivas do ser humano ao devastar a natureza, maltratar e extinguir animais, fazem com que vírus e bactérias que viviam em equilíbrio procurem novos hospedeiros, podendo alcançar os humanos.

A revista Nature publicou um mapa no qual o Brasil aparece como país com maior concentração de vírus zoonóticos. “O Brasil ocupa uma posição no globo de alta biodiversidade, não só biodiversidade para plantas, para animais, mas também para vírus e bactérias”, explicou Janice.

Biólogo expõe relação entre pandemias e exploração animal

O biólogo Frank Alarcón fez um alerta, através do vídeo “COVID-19: Uma zoonose anunciada”, publicado no YouTube (confira abaixo), sobre a relação entre vírus pandêmicos, inclusive o coronavírus, e a exploração dos animais.

“Uma nova zoonose surge quando um patógeno para uma especie definida encontra condições biológicas perfeitas para saltar até uma outra espécie. Neste novo hospedeiro, o patógeno poderá encontrar um ambiente bioquímico ótimo que lhe permitirá invadir e utilizar-se das engrenagens moleculares das células infectadas”, explica o biólogo.

O contágio, lembra ele, pode acontecer por conta de práticas que colocam “em contato íntimo e profundo animais humanos e animais não humanos”, como a agropecuária.

“A criação de animais para qualquer fim cria condições artificiais muito propícias para imenso estresse fisiológico e psíquico de animais aglomerados e confinados, grande insalubridade dos trabalhadores que manuseiam esses animais, favorecimento de contato íntimo e profundo de animais aprisionados a organismos que eles jamais encontrariam em circunstâncias naturais. Nos mercados, nas fazendas, nos frigoríficos, tanques, aquários, zoológicos, exposições, animais são reunidos e apinhados em grande número. Todos esses animais encontram-se estressados, doentes, morrendo ou já mortos, sendo muitas vezes misturados indiscriminadamente”, explicou.


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