RETROCESSO

Projeto de lei quer autorizar volta dos rodeios a Sorocaba (SP)

Mariana Dandara | Redação ANDA

tivistas, especialistas da medicina veterinária, magistrados que julgaram casos envolvendo esses eventos, e até mesmo Asa Branca, que foi locutor de rodeio, já denunciaram as atrocidades as quais os animais são submetidos nos rodeios


Escute
Foto: Pixabay

O parlamentar da Câmara dos Vereadores de Sorocaba (SP), Vinicius Aith (PRTB), que se autodenomina “o vereador do Bolsonaro”, expôs nas redes sociais seu interesse em trazer o rodeio de volta para a cidade através de um projeto de lei que pretende autorizar esses eventos que condenam animais à crueldade.

Para tentar limpar a imagem dos rodeios, conhecidos pelos maus-tratos a animais, o vereador disse que sua proposta irá conciliar “o resgate da cultura do Tropeirismo, o incentivo ao esporte, a criação de um nicho de mercado capaz de gerar riqueza e emprego e, principalmente, a proteção e o bem-estar dos animais que participarem dos eventos”.

A realidade dos rodeios, entretanto, é outra. Ativistas, especialistas da medicina veterinária, magistrados que julgaram casos envolvendo esses eventos, e até mesmo Asa Branca, que foi locutor de rodeio, já denunciaram as atrocidades as quais os animais são submetidos.

Além disso, ao contrário do que diz o parlamentar, esporte é uma prática na qual o esportista escolhe participar. Os animais não têm escolha, portanto, rodeio não pertence à seara esportiva. E não há qualquer avanço para Sorocaba no retorno dos rodeios – como afirmou o vereador nas redes sociais – nem mesmo econômico, já que os únicos que realmente lucram com esses eventos são os organizadores. Os peões, por sua vez, ainda são expostos a riscos – havendo registros de ferimentos graves e mortes, já que os touros, extremamente estressados e psicologicamente abalados, partem para cima dos participantes do rodeio para se defender.

Outro argumento usado por Vinícius Aith é a inclusão no texto do projeto de lei de trecho que versa sobre a “obrigatoriedade do Selo Verde emitido pela Confederação Nacional de Rodeios – CNAR, assegurando adequação do evento as normas de proteção animal”. Ou seja, uma instituição que defende os rodeios irá julgar se as provas estão adequadas, o que expõe conflito de interesses.

A crueldade intrínseca aos rodeios

Conforme explicou a veterinária e zootecnista Julia Maria Matera, “a utilização de sedém, peiteiras, choques elétricos ou mecânicos e esporas gera estímulos que produzem dor física nos animais. Esses estímulos causam também sofrimento mental aos animais uma vez que eles têm capacidade neuropsíquica de avaliar que esses estímulos lhes são agressivos, ou seja, perigosos a sua integridade”.

Além do sofrimento provocado pelos apetrechos usados no rodeio, a música alta, os choques dados nos animais no brete, para que saiam do local e pulem o máximo possível, causam estresse e dor física.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.

Você viu?

CRIME AMBIENTAL

ABERRAÇÃO LEGISLATIVA

EXEMPLO

CICLOVIA RIO PINHEIROS

ESTRESSE

RESILIÊNCIA

BRECHAS LEGAIS


LEIA EM PRIMEIRA MÃO AS NOTÍCIAS MAIS ANIMAIS DO MUNDO

>