RESPEITO E AFETO

Arara que vive livre na natureza faz amizade com produtor rural

Mariana Dandara | Redação ANDA

A arara, que desfruta de seus vôos livres na natureza e depois volta para visitar o produtor rural, atende quando é chamada por seu amigo, que fica triste nos dias em que ela não aparece


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Foto: Arquivo pessoal

Uma arara-vermelha se tornou amiga de um produtor rural em Santa Cruz de Monte Castelo, município do Paraná. A relação construída pela dupla atende a um pré-requisito necessário para haver uma amizade verdadeira: o respeito. Consciente da necessidade de respeitar os instintos da vida selvagem, Paulo Roberto nunca tentou aprisionar a ave – pelo contrário, assiste encantado aos vôos do animal, que desfruta da liberdade e depois volta para visitá-lo.

A consciência do produtor rural é essencial para a preservação das araras-vermelhas, que correm risco de extinção e têm como uma de suas ameaças o tráfico, além do desmatamento. Retiradas do habitat e trancafiadas em gaiolas, essas aves morrem, sofrem, e são impedidas não só de viver em liberdade, como de se reproduzir na natureza – algo fundamental para a preservação desses animais.

Apelidada de “Cabeção”, a arara atende quando é chamada por seu amigo, que fica triste nos dias em que ela não aparece. Diariamente, Paulo caminha até uma cerca da propriedade rural onde mora e espera a aparição da arara.

Segundo Paulo, a ave o visita há cerca de cinco anos. “Passava um bando pelo sítio, e uma vez falei para minha esposa que ia gritar para ver se algum chegava perto da gente. Em uma dessas chamadas, um se aproximou e sentou na lasca da cerca”, contou ao G1.

Para agradar a arara, Paulo a alimenta, mas sabe que não pode oferecer qualquer alimento para ela, por isso, lhe entrega frutas como se fossem presentes. O ato, no entanto, deve ser feito com cautela para não acostumar animais selvagens a comportamentos que a domesticam, como o costume de ser alimentado ao invés de buscar o próprio alimento – o que pode arriscar a sobrevivência do animal na natureza.

Apaixonado por animais, o produtor rural cria cães, gatos, frangos, porcos e bezerros. Todos são tratados como membros de sua família e vivem cercados de amor. No caso dos bezerros, a esposa de Paulo, Maria Cláudia Rodrigues, faz questão de alimentá-los na mamadeira para garantir que cresçam saudáveis. Um deles, inclusive, é acostumado a entrar dentro da casa da família.

“Eu gosto muito de tratar dos bichinhos, só pego se tiver condições de tratar”, comentou Paulo ao dar um exemplo sobre a necessidade de exercer a adoção responsável.

De acordo com o tenente da Polícia Ambiental do Paraná Ulisses de Deus Gomes, a arara-vermelha é um animal dócil, mas a decisão de ter uma relação de amizade com um ser humano deve partir da ave. “Esses locais são a casa do animal. Eventualmente, o proprietário rural vai ter esse encontro. Conforme a docilidade do animal, ele permite mais ou menos a proximidade humana”, explicou.

A Polícia Militar Ambiental orienta a população a não oferecer alimentos a animais silvestres e a ter cuidado ao se aproximar deles.

Nota da Redação: a ANDA reforça a necessidade de respeitar a vida selvagem e entender que o planeta pertence também aos animais, não só aos humanos e que, por isso, é preciso estabelecer uma convivência harmoniosa com os animais silvestres, sem capturá-los, aprisioná-los, maltratá-los ou matá-los.


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