DEDICAÇÃO

Protetores chegam a abrigar 200 gatos em município na Bahia

Lucas Costa | Redação ANDA

O número de abandonos em Piatã vem crescendo e cuidadores se desdobram para ajudar.


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Foto: Rafael Martins/UOL

Enfrentando dificuldades financeiras e com amparo quase nulo, pessoas que abrigavam gatos em situação de abandono viram os números desses casos subirem nos últimos tempos em meio à pandemia de Covid-19. Ao TAB, alguns cuidadores relataram suas experiências e o dia a dia nesse trabalho.

Luiz Carlos Santos da Conceição Júnior, de 35 anos, fez da vegetação de restinga da Avenida Octávio Mangabeira, na orla de Piatã, seu endereço fixo e lá cuida dos gatos que são abandonados naquela região, na qual ficou conhecida por essa prática.

Júnior alimenta os gatos duas vezes ao dia e consegue manter isso por toda a semana com um saco de 50 kg de ração. Para se manter, ele ajuda os pescadores pela manhã em puxar as redes de arrasto de dentro do mar, conseguindo assim o seu café da manhã.

Outros cuidadores aparecem de vez em quando para aplicarem medicação aos gatos mais necessitados e lhe dão algum dinheiro, no qual o utiliza para a compra de um pouco de comida e produtos de primeira necessidade.

Foto: Rafael Martins/UO

Irlaneide Carmen dos Santos, de 32 anos, com seus 108 gatos e 15 cachorros, atualmente moram em uma chácara em Cassange. Antes de estar em um local mais espaçoso, dona Irla esteve em maus bocados, passando por cinco lares e sendo “convidada” a se retirar da casa em que morava enquanto participava da reportagem.

Após a mudança para a chácara, que se deu graças a motivação de não precisar lidar com reclamações de vizinhos e querer dar mais espaço aos animais, o custo para manter toda a estrutura, que já era cara, ficou ainda mais.

Dona Irla diz que “nesse tempo, confesso, já cheguei a ter momentos muito difíceis, a passar necessidade mesmo; e eu não tirei minha vida por causa deles. Sabia que ninguém ia cuidar como eu e provavelmente eles sofreriam, não tem ninguém por eles, mas Deus deu um jeito”.

Isaura Souza Santos, de 30 anos, possui 19 gatos e diz que “todo dia tem pelo menos um abandono aqui em Piatã. Dias como hoje são um milagre; não teve nenhum e ainda adotaram dois. Isso quando os vizinhos não põem veneno por aí”. Enquanto conversa com a reportagem, a sobrinha de nove anos de Isaura trouxe uma caixa com quatro filhotes, que tinha acabado de ter sido deixada na porta.

A prefeitura de Salvador tem conhecimento do crescente número de casos de abandono de gatos no município. A pasta de bem-estar e promoção animal já negocia a instalação de câmeras de monitoramento na região da orla para auxiliar na identificação das pessoas que cometem esse ato de crueldade.

A diretora da pasta, Tainara Ferreira, reforça que é necessário que a população também ajude, trazendo denuncias mais completas, com placas de carro, vídeos e falas que possam ajudar na identificação dos autores.


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