AÇÃO HUMANA

Morte de baleia no Mar do Norte reacende debate sobre o impacto da pesca

Luna Mayra Fraga Cury Freitas | Redação ANDA


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Foto: Reprodução | Pixabay

A morte recente de uma baleia-jubarte na costa de Northumberland levantou interesse e preocupações com os mamíferos marinhos no Mar do Norte. Considerando que o número de avistamentos de baleias na área está aumentando, o que pode ser feito para protegê-los?

A baleia macho batizada de Humpy tinha sido vista várias vezes antes de ser encontrada na praia de Blyth no mês passado.

Ele estava vivo no final de janeiro quando foi visto próximo à costa, na região das ruínas do Castelo de Dunstanburgh, alimentando-se de cardumes de peixes.

No entanto, algumas semanas depois foi encotrado morto, sua carcaça inchada flutuando enrolada na corda de uma armadilha de captura de lagosta.

Não se sabe se a baleia morreu antes ou depois de se emaranhar nas cordas, mas o risco representado pelo equipamento de pesca é algo que precisa ser discutido agora, de acordo com o Dr. Martin Kitching, do Projeto Nordeste de Cetáceos (NECP).

A jubarte, batizada de Humpy pelos grupos de observação de golfinhos chamados de Newbiggin-by-the-Sea e NL_HW_003 “Kern” pelo NECP, foi uma dentre o crescente número das baleias que visitam a costa nordeste da Inglaterra.

Nos últimos 16 anos, houve uma média de um avistamento de jubarte por ano, de acordo com pesquisas do NECP. Mas nove deles aconteceram nos últimos três anos, disse o Dr. Kitching.

A chamada “fauna acompanhante” – onde os animais que não deveriam ser capturados se emaranham em equipamentos de pesca e acabam sendo pescados ainda que sem que houvesse intenção – não é um problema novo (um workshop foi realizado em 2019 com vistas ao “monitoramento e mitigação” do problema), mas pode se tornar um fator cada vez mais comum no Nordeste do país, alertou o Dr. Kitching.

“Mais baleias significa um risco maior de interação”, disse ele. “Precisamos tratar agora de como esses episódios acontecem e se eles podem ser evitados ou reduzidos. Todos querem evitar acidentes como este.”

Quais baleias vêm para o Mar do Norte?

Dois tipos de baleias foram vistos na costa nordeste nos últimos anos.

A jubarte fica bastante confortável vagando pelas das águas de 200 pés de profundidade (60 metros), alimentando-se dos peixes de cardume.

Porém, com as cachalotes a história é diferente, um indivíduo da espécie apareceu morto no início deste ano em East Yorkshire e outro perto de Newbiggin, Northumberland, em outubro de 2019 (mesmo mês em que uma jubarte morta apareceu em Dunstanburgh).

Cachalotes se alimentam principalmente de lulas gigantes, que só podem ser encontradas a várias centenas de metros abaixo da superfície.

A presença desta espécie no Mar do Norte é o equivalente a um grande caminhão na rodovia errando a entrada e indo parar em uma estreita estrada rural.

Cachalotes se alimentam na trincheira norueguesa ao largo da costa da Noruega, depois vão para o Atlântico passando pelo topo da Escócia.

Contudo, às vezes sua navegação dá errado e elas descem a costa leste da Grã-Bretanha, onde encontram águas mais rasas no Mar do Norte. Neste local, o incrível sonar interno que eles usam para encontrar comida se torna seu pior inimigo.

O clique feito pelo ecolocalizador de uma cachalote pode ser semelhante a um motor a jato, mas em águas rasas o boom é refletido de volta para os animais, “essencialmente ensurdecendo-os e os confundindo”, disse o Dr. Kitching.

“É incrivelmente preocupante se virmos uma cachalote na costa de Northumberland”, disse ele, acrescentando: “Seria por sorte, e não por natureza, que elas conseguiriam voltar para águas mais profundas.”

As baleias recebem sua porção necessária de água através de sua comida, então, se elas não conseguem se alimentar, logo ficam desidratadas e em seguida morrem.

Uma ideia é pastorear as baleias como gado, empurrando-as de volta para as águas mais profundas. Mas isso é impossível, de acordo com o Dr. Kitching. “Você teria essencialmente que tocá-los até a Noruega, e de qualquer maneira esta ação causaria tanto estresse quanto se nada fosse feito. “Se um cachalote acaba em águas rasas, geralmente há apenas um resultado”.

Uma ideia sugerida nas redes sociais é de uma proibição temporária de pesca em qualquer área onde uma baleia é avistada. “Nunca apoiaríamos isso”, disse o Dr. Kitching, acrescentando: “É como usar uma marreta para quebrar uma noz.

A indústria pesqueira já está analisando a questão, de acordo com Dale Rodmell, executivo-chefe assistente da Federação Nacional das Organizações de Pescadores.

Vários projetos estão em andamento, abarcando desde baleias minke na Escócia até golfinhos em Cornwall, com vistas a evitar captura de fauna acompanhante.

“Boas práticas já ocorrem”, disse Rodmell, acrescentando: “Muitas pessoas procuram repreender a indústria pesqueira e aqueles dependentes dela para seu sustento, mas os pescadores não querem pegar baleias. “Iniciativas estão acontecendo em nível nacional para entender o quão significativo é o problema e como podemos atenuá-lo.”

As equipamentos estáticos – como redes de emalhar ou armadilhas de lagostas ou caranguejo – são fixadas firmemente no leito do mar e as cordas não são deixadas flutuando na água, disse ele.

Outros experimentos têm sido conduzidos em outros lugares do mundo, como testar diferentes cores de corda na Austrália ou pesca “sem corda” na América do Norte. “Esses métodos não são necessariamente adequados para a nossa pesca, mas esforços estão em andamento para encontrar o que funciona”, disse Rodmell.

O governo já está elaborando planos para reduzir o risco de captura fauna acompanhante, segundo o Departamento de Alimentação, Meio Ambiente e Assuntos Rurais (Defra).

Ele financia o projeto de pesquisa Clean Catch UK e está desenvolvendo um “Plano de Ação para evitar a captura de fauna acompanhante no Reino Unido” que “delineará como podemos ir mais longe para proteger esses animais icônicos nas águas do Reino Unido”, disse uma porta-voz.

“O governo do Reino Unido está totalmente comprometido em proteger espécies marinhas vulneráveis”, disse ela, acrescentando: “Nosso programa de monitoramento UK By-catch já fornece uma visão vital de como podemos parar o emaranhamento de baleias e de outros mamíferos marinhos em equipamentos de pesca”.


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