POLUIÇÃO SONORA

Ambientes barulhentos podem ter efeito prejudicial sobre as plantas

Natalie Grover (The Guardian) | Tradução de Luna Mayra Fraga Cury Freitas


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Foto: Pixabay

O ruído persistente dos poços de gás natural no Novo México comprometeu seriamente as aves que se alimentam e distribuem sementes de pinheiros regionais.

À medida que os humanos se proliferam, penetramos mais fundo nos habitats da vida selvagem, criando um aumento generalizado no som ambiente com nossos aparelhos, tráfego e indústria. Um corpo crescente de pesquisas mostrou como a poluição sonora afeta negativamente o comportamento animal – mas um estudo sugere que os efeitos nocivos também prejudicam as plantas.

Para investigar os efeitos ecológicos a longo prazo do ruído persistente, pesquisadores escolheram a área de gerenciamento de habitat do Cânion Cascavel (Rattlesnake Canyon) no Novo México. Dominada por vegetação florestal, a área no sudoeste dos EUA contém uma alta densidade de poços de gás natural, alguns dos quais são acoplados a compressores que funcionam continuamente e geram ruído crônico em até 100 decibéis. Isso é tão alto “quanto estar ao lado dos auto-falantes em um show do Black Sabbath ou ficar ao lado dos trilhos do trem quanto o trem passa”, disse a Dra. Jenny Phillips, que foi autora principal do estudo enquanto estava na Universidade Politécnica da Califórnia em San Luís Obispo. Outros poços são desprovidos de compressores.

A vegetação e a atividade humana no entorno de ambos os tipos de poços são semelhantes – por isso, em 2007, um conjunto de pesquisadores comparou a vegetação em ambos os contextos, descobrindo que a poluição sonora interrompeu a comunidade natural de duas maneiras: a disseminação de mudas e a germinação (conhecida como recrutamento) das espécies florestais – pinheiros pinyon – foi reduzida à medida que a comunidade de animais que se alimentam e dispersam as sementes da planta foram afetadas negativamente. Os beija-flores, entretanto, prosperaram em meio ao barulho, o que levou ao aumento da polinização das flores.

Passados doze anos, os pesquisadores procuraram avaliar o impacto ecológico a longo prazo desse ecossistema barulhento. Eles fizeram novas análises nestes espaços após a coleta inicial de dados para determinar se os padrões anteriormente relatados para mudas de pinyon persistiram, mas também incluíram análises de outra espécie de árvore, o zimbro de Utah, bem como outras floras. No entanto, desses 115 lotes inicialmente pesquisados, alguns mudaram de barulhentos para silenciosos porque os compressores haviam sido removidos, e vice-versa.

Os pesquisadores descobriram que as mudas de pinyon foram encontradas em menor quantidade nas áreas barulhentas (em consonância com os achados de 2007) e as mudas (plantas entre dois e 12 anos) também eram menos abundantes no ambiente persistentemente ruidosos. O mesmo padrão foi observado nas plantas de zimbro.

No entanto, ao olhar para regiões que antes eram ruidosas, mas ficaram silenciosas, eles viram mais recrutamento para Juniperus do que para pinyon, de acordo com o estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B.

Essa taxa díspar de recuperação pode ser atribuída aos diferentes dispersores de sementes para cada planta, disse Phillips.

O pássaro gaio-dos-arbustos come as sementes do pinyon, mas ele também as enterra para guardar para depois. Então eles esquecem algumas das sementes, e é isso que mantém a floresta regenerada.

“O que achamos que está potencialmente acontecendo … é que gaios são pássaros inteligentes, eles têm memória episódica e eles podem se lembrar de experiências negativas. Então, se eles exploraram uma área há alguns anos e ela é barulhenta, então eles se lembram disso e não voltam para essa área”, disse ela.

As mudas de Juniperus foram mais frequentemente dispersas por mamíferos e outras aves para as quais o barulho não incomoda tanto, acrescentou.

“Nós realmente não temos a capacidade de dizer o quão severos são os impactos [da poluição sonora], especialmente se estamos olhando em nível de ecossistema”, disse Sarah Termondt, coautora do estudo na Universidade Politécnica da Califórnia.

“Se você está mudando a capacidade de uma semente crescer em algum lugar porque uma ave não está mais soltando sementes lá, isso poderia mudar o habitat para uma espécie inteira.”


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