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Cuba suspende medida que proibia matança de bois sem permissão do Estado

Mariana Dandara | Redação ANDA

A fome é uma triste realidade e deve ser combatida por Cuba, mas é lamentável que isso esteja sendo feito através do fomento à exploração animal, já que há a possibilidade de fazê-lo por meio da agricultura


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Ao final de uma vida de sofrimento, vacas e bois são dessensibilizados com um tiro que, muitas vezes, sequer os deixa inconscientes para serem esfaqueados e mortos (Foto: Animal Equality)

O governo cubano colocou fim à medida que proibia a matança de bois e a venda de carne e laticínios no país. Adotada em 1963, a regra impedia que a população matasse esses animais e vendesse carne e derivados de origem animal sem permissão do Estado por conta de um furacão que matou 20% do rebanho que vivia na ilha.

Com o fim da proibição, os produtores rurais poderão tomar as decisões que considerarem necessárias acerca dos bois e vacas após cumprir as cotas estabelecidas pelo governo, com a garantia de que os rebanhos não serão reduzidos, conforme informado pelo jornal Granma do Partido Comunista.

A nova decisão foi tomada em meio à luta do poder público contra a escassez de alimentos. Antes das novas sanções dos Estados Unidos, que promovem embargos comerciais contra a ilha há décadas, 60% dos alimentos consumidos em Cuba eram importados.

Com a chegada da pandemia de coronavírus, o turismo foi fortemente impactado, o que piorou a condição do governo cubano, deixando-o sem recursos para a compra de insumos agrícolas, desde combustível e ração até agrotóxicos usados nas plantações – que, lamentavelmente, prejudicam o solo e a saúde humana, e são nocivos aos animais. A falta de dinheiro também fez com que o poder público não tivesse fundos para adquirir comida para a população.

Com uma redução de 11% no crescimento econômico da ilha em 2020 e uma queda de 40% nas importações, segundo dados governamentais, o governo recorreu à liberação da matança de bois e vacas para aumentar a fabricação de produtos de origem animal.

A proibição que resistiu por décadas, entretanto, não livrou os animais da exploração e do sofrimento, tampouco da morte precoce. Isso porque, além de continuarem a ser mortos, embora em menor quantidade e com a pecuária estagnada, nesse período as importações de leite em pó aumentaram, produto que condena vacas a vidas miseráveis.

Outra saída

A fome é uma triste realidade e deve ser combatida não só por Cuba, mas por todos os países. Embora muitas nações não estejam sofrendo com escassez de alimento, a miséria é realidade na maior parte do globo terrestre, inclusive no Brasil. Agir contra esse cenário que condena milhões de pessoas a uma vida extremamente sofrida é urgente, mas isso não precisa ser feito através do fomento da exploração animal.

Cuba – e qualquer outro país – pode combater a fome e a escassez de alimentos através da agricultura, incentivando a produção de vegetais e facilitando o acesso da população, através da redução de impostos, a esses alimentos – que já são consideravelmente mais baratos do que a carne.

Através do incentivo a uma dieta à base de plantas, os governantes não só deixariam de alimentar humanos em detrimento do direito à vida dos animais, como também garantiriam uma alimentação mais saudável para a população – especialmente se houver fomento à produção de vegetais livres de agrotóxicos -, o que reduziria os gastos governamentais com tratamentos de saúde. O meio ambiente também seria beneficiado, já que a pecuária é responsável pelo desmate de florestas, contaminação do solo e dos recursos hídricos e desperdício de água – recurso finito que deve ser protegido.


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