DIFICULDADES FINANCEIRAS

Centro de reabilitação de animais pode suspender atividades por falta de recursos

Mariana Dandara | Redação ANDA

Uma campanha de arrecadação de fundos foi iniciada pela instituição para que seja possível arcar com os cerca de R$ 8 mil mensais investidos no projeto


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Foto: Reprodução/TV TEM

Animais silvestres de cidades do interior de São Paulo podem ficar sem ter para onde ir após serem traficados ou encontrados feridos e doentes. Isso porque o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) do município de São Roque, que recebe animais em situação de vulnerabilidade advindos de várias cidades da região, está enfrentando dificuldades financeiras por conta da pandemia de coronavírus e pode ser obrigado a suspender as atividades caso a campanha de arrecadação de fundos iniciada pela instituição não angarie o suficiente para arcar com os cerca de R$ 8 mil mensais investidos no projeto.

No local, animais que já sofreram muito – não só através de atropelamentos, mas também nas mãos de traficantes e tutores que os aprisionaram em cativeiro para garantir lucro e afagar o próprio ego – encontram um refúgio. Após serem tratados, eles são devolvidos à natureza ou, no caso daqueles que não têm condição de sobreviver no habitat, são transferidos para outras associações.

O centro está situado no meio da Mata Atlântica e tem recebido cada vez mais animais. Em 2018, ano de sua fundação, aproximadamente 380 animais selvagens passaram pela instituição. No ano passado, foram mais de 1,5 mil – um aumento exponencial que prova a importância do CRAS.

“A ideia inicial era um núcleo de pesquisa e extensão em fauna e flora. Era tirar os alunos do ambiente acadêmico, ter a possibilidade desse contato na prática com a natureza, com a fauna e com a flora local. E aí nós começamos a receber muito pedido de ajuda com animais que sofreram algum problema e não tinham amparo. Então, nós começamos a nos mobilizar e viabilizamos essa ideia do Cras”, explicou ao G1 o biólogo e diretor do CRAS, Rafael Mana.

A maior parte dos animais chegam à instituição após serem resgatados pela polícia e pelo Corpo de Bombeiros. Outros, no entanto, são levados ao CRAS por moradores da região. Um desses animais que tiveram a sorte grande de receber os cuidados da equipe altamente especializada do centro, que atua de maneira voluntária, é uma arara-canindé que viveu por bastante tempo aprisionada em um cativeiro em Mairinque, no estado de São Paulo. Os maus-tratos que sofreu fizeram com que a ave não conseguisse mais voar. Nascida para dominar o céu, ela foi condenada a nunca mais sentir suas asas batendo nas alturas, mas pôde ser bem tratada após o resgate.

Foto: Reprodução/TV TEM

O caso da arara, entretanto, é apenas um em meio a milhares de histórias tristes que reforçam a necessidade de combater a ideia de que animais silvestres podem ser tratados como “de estimação”. Uma coruja orelhuda, que precisou amputar as duas asas após ser baleada, e uma coruja suindara atingida por uma linha de pipa (que vitima inúmeros animais), estão entre esses animais.

A manutenção da fauna silvestre em cativeiro, porém, não é prejudicial só em caso de maus-tratos. O simples fato de impedir que o animal viva na natureza, em liberdade, em consonância com seus próprios instintos e vontades, é extremamente prejudicial, mesmo quando quem o aprisiona tem aparente “boa intenção” com o animal. É o caso de Safira, uma fêmea de veado catingueiro que, embora tenha sido cuidada por uma família em Itu (SP), talvez tenha sido condenada a nunca mais viver com outros animais da espécie, desfrutando de uma vida livre, porque se tornou dócil e acostumou-se a receber cuidados, o que pode impedir seu retorno à natureza, possibilidade que ainda está sendo estudada.

Campanha de arrecadação

Por ter foco exclusivo nos animais, o CRAS é fechado para visitantes para não estressar os resgatados. O custeio do projeto é feito através de cursos de especialização ofertados a estudantes que foram fortemente impactados pela suspensão das aulas presenciais por conta da pandemia de coronavírus.

“Chegam animais todos os dias com as maiores necessidades, grandes cirurgias, grandes intervenções necessárias e tratamentos bastante caros. A gente não ganha absolutamente nada com isso. São profissionais de ponta, são profissionais renomados no Brasil inteiro em medicina veterinária, em biologia, todos voluntários”, pontuou Rafael Mana.

O biólogo lembrou que devolver um animal para a natureza sem se preocupar com seu bem-estar é fácil, mas fazer isso preocupando-se com a possibilidade de sobrevivência do animal é bem mais delicado. “O nosso único pagamento é fazer esse tratamento e poder devolver o animal para a natureza, em condições”, reforçou o profissional voluntário do CRAS.

Diante desse cenário, a campanha de arrecadação de fundos é o único meio de manter o centro de reabilitação em funcionamento. Para doar, envie um e-mail para nucleodafloresta@terra.com.br ou entre em contato com a associação através do telefone (11) 99726-0291 ou ainda pela página no Facebook.


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