SOFRIMENTO

Caminhão superlotado com dezenas de frangos tomba e parte dos animais morre

Mariana Dandara | Redação ANDA

Embora não tenha sido divulgado o número de frangos transportados no caminhão, é possível contar ao menos 30 caixas de transporte nas fotos divulgadas - que não revelam a totalidade de caixas por conta do ângulo das fotografias. Em cada caixa, segundo normas estabelecidas para a agropecuária, são colocadas ao menos 7 aves, podendo chegar a mais de 10 frangos. Tamanha superlotação não deixa dúvidas sobre a crueldade da indústria que explora animais para consumo


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Foto: Reprodução

Um caminhão superlotado de frangos capotou em uma rodovia no interior do Rio Grande do Norte na manhã de quarta-feira (14) e o acidente matou parte dos animais. A superlotação, no entanto, não foi a causa do acidente, já que o transporte de dezenas de aves em uma única carreta é o padrão da agropecuária e está em consonância com a lei, embora cause sofrimento aos animais mesmo quando não ocorrem tombamentos.

Embora não tenha sido divulgado o número de frangos transportados no caminhão, é possível contar ao menos 30 caixas de transporte nas fotos divulgadas – que não revelam a totalidade de caixas por conta do ângulo das fotografias. Em cada caixa, segundo normas estabelecidas para a agropecuária, são colocadas ao menos 7 aves, podendo chegar a mais de 10 frangos. Tamanha superlotação não deixa dúvidas sobre a crueldade da indústria que explora animais para consumo.

No caso do acidente registrado no Rio Grande do Norte, o tombamento da carreta aconteceu por volta das 6 horas na RN-120, em um trecho situado entre os municípios de Serrinha e Lagoa de Pedras. A Polícia Militar de Serrinha informou que o motorista do caminhão – que escapou do capotamento sem ferimentos graves – não soube informar a causa do acidente, que não envolveu outros veículos. A suspeita, entretanto, é de que a razão tenha sido um possível cochilo ao volante.

O caminhão seguia para o estado de Paraíba. Para realizar o trajeto, um motorista leva cerca de cinco horas. Confinados em caixas pequenas e amontoadas umas sob as outras, os frangos não conseguem se locomover. Presos em um espaço reduzido, sem água e comida, por cinco horas, eles enfrentam as condições climáticas e suportam extremo sofrimento durante o transporte.

Foto: Reprodução

Morte precoce após uma vida de sofrimento

Os animais explorados para consumo humano são submetidos a extremo sofrimento. Maltratados, torturados e covardemente mortos, eles são vítimas da gula e da ganância. Criados para serem mortos, vivem muito menos do que viveriam se não fossem condenados à morte.

Presas em gaiolas minúsculas, nas quais ficam em pé sobre grades desconfortáveis, as galinhas suportam sofrimento inimaginável. No caso dos frangos, a vida não é menos miserável. Em galpões superlotados, eles vivem amontoados, sem um ambiente saudável que lhes proporcione bem-estar e privados de cuidados – só são tratados quando o proprietário precisa mantê-los vivos para, depois, matá-los, mas não recebem tratamento adequado quando, por exemplo, lesionam uma pata.

A morte de frangos antes de serem levados ao matadouro ocorre pelas péssimas condições as quais são submetidos (Foto: Reprodução/Mercy For Animals)

O estresse é tamanho que esses animais costumam mutilar a si mesmos e arrancar partes dos corpos das outras aves em resposta ao abalo psicológico que sofrem. Para evitar a mutilação, os fazendeiros submetem as aves ao processo de debicagem, por meio do qual o bico desses animais é cortado sem qualquer anestesia – procedimento que causa bastante dor.

As galinhas poedeiras são tratadas como verdadeiras máquinas. Os frangos suportam a terrível vida do confinamento até serem mortos. Os pintinhos, por sua vez, por não pertencerem a mesma linhagem dos frangos e não terem a capacidade de botar ovos como as fêmeas, são mortos ainda filhotes, triturados vivos.

Comovidos com o sofrimento animal e com os efeitos nefastos da agropecuária sobre o meio ambiente, ativistas conscientizam a população sobre a necessidade de se fazer a transição para o veganismo para deixar de ser responsável pelas atrocidades cometidas contra os animais e a natureza, que é devastada pela agropecuária por meio da poluição, do desmatamento e do desperdício de água.

Todo esse ciclo de horror prova que a carne que chega ao prato dos consumidores é resultado de uma vida miserável de um animal que teve seus direitos negados, foi explorado e tratado como um objeto descartável.

Frangos vivem em galpões superlotados, em condições degradantes que levam muitos deles à morte antes mesmo de serem levados ao matadouro (Foto: Reprodução/Mercy For Animals)

Crueldade é padrão da agropecuária

O transporte cruel de animais, independentemente da espécie, é uma prática institucionalizada nas indústrias que os exploram para consumo humano. E sequer é escondida – como acontece com a maior parte dos horrores da agropecuária -, basta ter o azar de transitar pelas estradas no mesmo momento em que os caminhões que levam os animais para o matadouro para comprovar os maus-tratos.

As aves (galinhas e frangos) são confinadas aos montes em pequenas caixas. Em cada caixote, dezenas delas são colocadas, amontoadas umas sob as outras, sentindo dores e até sofrendo ferimentos. Porcos, bois e vacas também são transportados amontoados, em um espaço reduzido. Todos eles são forçados a suportar os próprios excrementos durante o transporte, além das condições climáticas. Nenhum consegue se deitar e descansar e pisoteamentos são comuns por conta das condições em que são transportados. Ferimentos ocasionados por freadas bruscas dos caminhões também são comuns.

Além disso, no caso da vida miserável vivida pelos bezerros, o que é ofertado a bebês inocentes e dóceis é medo, agonia, dor, desespero e sofrimento. Os destinos desses pequenos e frágeis animais são: a engorda para serem mortos dentro de meses ou, no máximo, pouco mais de um ano depois do nascimento; o aprisionamento em celas minúsculas para a produção de carne de vitela – neste caso, o bezerro passa meses preso, sem espaço para se locomover livremente, muitas vezes sem acesso à luz do dia, recebendo dieta pobre em nutrientes, para que não fortaleça seus músculos e dê origem a uma carne macia; ou os rodeios que os exploram para entretenimento humano, submetendo-os a práticas dolorosas como a prova do laço, na qual os bebês são laçados pelo pescoço, podendo sofrer lesões graves.


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